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	<title>Arquivo de CML - Edificios e Energia</title>
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	<description>A Revista especializada de referência nos sectores de AVAC, eficiência energética, materiais de construção e edifícios.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 09 Feb 2026 18:01:30 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de CML - Edificios e Energia</title>
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	<item>
		<title>Sessão: Descarbonização e Circularidade no Setor da Construção</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Edifícios e Energia]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[circularidade]]></category>
		<category><![CDATA[CML]]></category>
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		<category><![CDATA[descarbonização]]></category>
		<category><![CDATA[Lisboa Centro de Informação Urbana]]></category>
		<category><![CDATA[Lisboa e-Nova]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Lisboa E-Nova em parceria com Lisboa - Centro de Informação Urbana, realiza no próximo dia 26 de fevereiro de 2026, no CIUL - Centro de Informação Urbana de Lisboa, mais uma Sessão dedicada ao tema "Descarbonização e Circularidade no Sector da Construção". ...</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/empresas/sessao-descarbonizacao-e-circularidade-no-setor-da-construcao/">Sessão: Descarbonização e Circularidade no Setor da Construção</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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<p class="has-black-color has-text-color has-link-color has-small-font-size wp-elements-fda5219e57c5e39af04793b491c56396 wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-9ac00cf961d1ea846fe5a532228b76c6 wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-f87203a14636e7e09ea56b1405c8e718 wp-block-paragraph">A <strong><a href="https://lisboaenova.org/" type="link" id="https://lisboaenova.org/">Lisboa E-Nova</a> </strong>em parceria com Lisboa &#8211; Centro de Informação Urbana, realiza no próximo dia <strong>26 de fevereiro de 202</strong>6, no <a href="https://www.lisboaenova.org/images/stories/PontodeEncontro/mapa_ciul2018.pdf" type="link" id="https://www.lisboaenova.org/images/stories/PontodeEncontro/mapa_ciul2018.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">CIUL &#8211; Centro de Informação Urbana de Lisboa</a>, mais uma Sessão dedicada ao tema <strong><a href="https://lisboaenova.org/descarbonizacao-e-circularidade-no-setor-da-construcao/" type="link" id="https://efriarc.pt/product/tarde-tecnica-gestao-tecnica-centralizada-na-era-digital-ia-e-gemeos-digitais/" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">&#8220;Descarbonização e Circularidade no Sector da Construção&#8221;</a></strong>.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-47c1f1fab3193a91166148e7abf36fcf wp-block-paragraph">Descarbonizar o setor da construção é hoje uma prioridade clara. Torná-lo mais circular é uma das principais vias para lá chegar. Contudo, executar esta transição no terreno continua a ser o verdadeiro desafio.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-2c477736a663fb75261107735e0dd0db wp-block-paragraph">Entre metas europeias ambiciosas, instrumentos de política pública e a realidade da indústria, persistem bloqueios estruturais: dados fragmentados, decisões pouco informadas, falta de alinhamento entre atores e projetos, e dificuldade em transformar projetos-piloto em soluções escaláveis.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-392c728ffe17e09c3a8930b751eab065 wp-block-paragraph">Nesta sessão, parte-se de experiências concretas para discutir como a descarbonização e a circularidade, pensadas de forma integrada, podem deixar de ser conceitos aspiracionais e passar a integrar decisões reais, numa perspetiva de ciclo de vida, do projeto ao procurement, da obra à gestão de ativos e ao (re)pensar do fim de vida.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-a8d4f3686e1e4518d94816464f537d8f wp-block-paragraph">A conversa foca-se menos no “o que deveria ser feito” e mais no que já pode ser feito, onde estão as principais alavancas e que condições sistémicas são necessárias para acelerar a transição.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-542aa149422b7846a20dd534f226d50a wp-block-paragraph">Orador<br><strong>Marco Pedroso&nbsp;</strong>(consultor)</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-6672a451a41ae5fc67df5f7d19c1e29a wp-block-paragraph">Horário<br><strong>17h30 às 18h30</strong></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-fab046f30fc819562f028ee206ebe442 wp-block-paragraph">Moderador<br><strong>Victor Vieira (Lisboa E-Nova)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<div class="wp-block-buttons alignfull is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-3e41869c wp-block-buttons-is-layout-flex">
<div class="wp-block-button has-custom-width wp-block-button__width-50"><a class="wp-block-button__link has-white-color has-text-color has-background has-link-color has-text-align-center wp-element-button" href="https://form.jotform.com/260283216873358" style="background-color:#1cc029" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Inscreva-se!</strong></a></div>
</div>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color has-small-font-size wp-elements-fda5219e57c5e39af04793b491c56396 wp-block-paragraph"></p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-alpha-channel-opacity has-background is-style-wide" style="background-color:#07a1a6;color:#07a1a6"/>



<p class="has-text-align-center has-black-color has-text-color has-link-color has-small-font-size wp-elements-c07eb39323055b354de8f25c2caf0d83 wp-block-paragraph"><strong><em>O texto acima é da inteira responsabilidade das empresas/entidades em causa<br>Fonte: Press Release</em></strong></p>
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		<item>
		<title>Com apoio PRR, Lisboa reforça resposta habitacional e entrega 50 casas acessíveis em Marvila</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/empresas/com-apoio-prr-lisboa-reforca-resposta-habitacional-e-entrega-50-casas-acessiveis-em-marvila/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edifícios e Energia]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Aug 2025 07:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[CML]]></category>
		<category><![CDATA[Habitação]]></category>
		<category><![CDATA[lisboa]]></category>
		<category><![CDATA[PRR]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para responder às necessidades habitacionais da cidade, a Câmara Municipal de Lisboa entregou esta quinta-feira as chaves de 50 novos fogos de renda acessível na freguesia de Marvila. ...</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/empresas/com-apoio-prr-lisboa-reforca-resposta-habitacional-e-entrega-50-casas-acessiveis-em-marvila/">Com apoio PRR, Lisboa reforça resposta habitacional e entrega 50 casas acessíveis em Marvila</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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<p class="has-text-align-center has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-4460d9f193ab2548e9e91ba285034fea wp-block-paragraph" style="font-size:12px;font-style:italic;font-weight:500;letter-spacing:0px"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-76630ae14dd627894faf8e319cdfbe6f wp-block-paragraph">Para responder às necessidades habitacionais da cidade, a <strong><a href="https://www.lisboa.pt" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">Câmara Municipal de Lisboa</a></strong> entregou na passada quinta-feira as chaves de 50 novos fogos de renda acessível na freguesia de Marvila. A medida representa um investimento de 9,3 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no âmbito da Componente C02 – Habitação, que visa transformar estruturalmente o acesso à habitação em Portugal.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-bfe24a05588bd5377a582c12b4a5c658 wp-block-paragraph">As novas habitações, distribuídas por dois blocos com tipologias entre T1 e T3, integram um plano mais vasto para o Vale Formoso de Cima, num esforço coordenado para dar resposta à carência habitacional crónica que afeta milhares de famílias.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-58a04f2f3b000231f4822a79cf609a09 wp-block-paragraph">Para o presidente da Câmara, Carlos Moedas, cada entrega de chave representa mais do que um gesto simbólico: <em>“Esta é a vossa casa, este é o vosso direito”</em>, afirmou durante a cerimónia.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-9e24c7c74caa2712d6da8b56374cf812 wp-block-paragraph">Este investimento alinha-se com os objetivos do PRR, que na sua Componente C02 procura reorientar a política pública de habitação, reforçando o parque habitacional acessível e garantindo condições dignas às famílias de rendimentos mais baixos. Uma aposta que passa por promover inclusão urbana a longo prazo.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-ba087f309ee47c8cc7efc7a833a9d27e wp-block-paragraph">Também presente na cerimónia de entrega de chaves, o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, reforçou o carácter nacional do desafio: <em>“O problema da habitação não é um problema de Lisboa, do Porto, de Leiria ou de Beja, é um problema de todos.”</em></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-b84d55ecab3aae3f54e2272edd131406 wp-block-paragraph">Neste objetivo de criar condições para que os portugueses tenham acesso a uma habitação digna, o PRR continua a ser um motor para uma mudança estrutural.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="640" height="340" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/08/CML-PRRMarvila2.png" alt="" class="wp-image-32404" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/08/CML-PRRMarvila2.png 640w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/08/CML-PRRMarvila2-300x159.png 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2025/08/CML-PRRMarvila2-610x324.png 610w" sizes="(max-width: 640px) 100vw, 640px" /></figure>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-bfc48396da44d453b2bbcea4e9c928aa wp-block-paragraph"><br></p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-alpha-channel-opacity has-background is-style-wide" style="background-color:#07a1a6;color:#07a1a6"/>



<p class="has-text-align-center has-black-color has-text-color has-link-color has-small-font-size wp-elements-c07eb39323055b354de8f25c2caf0d83 wp-block-paragraph"><strong><em>O texto acima é da inteira responsabilidade das empresas/entidades em causa<br>Fonte: Press Release</em></strong></p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/empresas/com-apoio-prr-lisboa-reforca-resposta-habitacional-e-entrega-50-casas-acessiveis-em-marvila/">Com apoio PRR, Lisboa reforça resposta habitacional e entrega 50 casas acessíveis em Marvila</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Estratégia de Lisboa para a Neutralidade Carbónica: eficiência energética cresce em Entrecampos</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/estrategia-de-lisboa-para-a-neutralidade-carbonica-eficiencia-energetica-cresce-em-entrecampos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edifícios e Energia]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Aug 2024 08:00:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[CML]]></category>
		<category><![CDATA[eficiência energética]]></category>
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		<category><![CDATA[Estratégia de Lisboa para a Neutralidade Carbónica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A câmara municipal de Lisboa uniu esforços com a Gebalis, empresa municipal responsável pela gestão dos bairros municipais da capital, e a Lisboa Ocidental SRU – Sociedade de Reabilitação Urbana para fazer erguer um projecto em Entrecampos que pretende ser um ponto de viragem quanto ao conceito de habitação municipal em Lisboa.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=153" target="_blank" rel="noopener">edição nº 153 da Edifícios e Energia</a> (Maio/Junho 2024).</em></p>
<p><strong>A câmara municipal de Lisboa uniu esforços com a Gebalis, empresa municipal responsável pela gestão dos bairros municipais da capital, e a Lisboa Ocidental SRU – Sociedade de Reabilitação Urbana para fazer erguer um projecto em Entrecampos que pretende ser um ponto de viragem quanto ao conceito de habitação municipal em Lisboa.</strong></p>
<p>A empreitada, totalmente financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), insere-se na Operação de Loteamento das Forças Armadas e prevê a construção de 476 habitações, bem como a criação de espaços verdes, zonas de comércio e equipamentos de apoio às famílias, como uma creche.</p>
<p>O projecto está enquadrado no Programa de Renda Acessível, um programa ao qual as pessoas se candidatam para obterem habitação numa das freguesias da cidade. “Nesta intervenção, a sustentabilidade energética actua como eixo de uma solução exequível, actual e durável que oferece aos residentes condições adequadas de conforto com elevado desempenho energético”, começa por dizer Susana Rato, arquitecta da SRU. Actualmente, já foram entregues 256 apartamentos nos lotes 4, 5 e 9 e encontram-se ainda em obra os restantes 220 apartamentos que terão lugar nos lotes 7 e 10.</p>
<p><img decoding="async" class="wp-image-27640 alignleft" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Fonte_Betar2-1-200x300.jpg" alt="" width="246" height="369" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Fonte_Betar2-1-200x300.jpg 200w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Fonte_Betar2-1-682x1024.jpg 682w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Fonte_Betar2-1-768x1152.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Fonte_Betar2-1-1024x1536.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Fonte_Betar2-1-610x915.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Fonte_Betar2-1-1080x1620.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Fonte_Betar2-1-scaled.jpg 800w" sizes="(max-width: 246px) 100vw, 246px" /></p>
<p>Para esta intervenção foram traçados vários objectivos no que diz respeito à eficiência energética. Entre eles, Susana Rato destaca a utilização de energias renováveis – nomeadamente sistema fotovoltaico nas coberturas dos edifícios para produção de energia (águas quentes sanitárias e aquecimento ambiente) –, a utilização de bombas de calor eficientes, a implementação de soluções que promovem o bom desempenho passivo (isolamento, orientação, sombreamento, vidros duplos), a garantia de que todas as habitações recebem pelo menos uma hora de radiação solar directa no período do ano mais desfavorável e a selecção de materiais sustentáveis.</p>
<p>O reforço do enquadramento legislativo para o cumprimento das exigências para a classificação nZEB (<em>nearly zero energy buildings</em>), em concordância com o Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios da Habitação, resultou, no caso do edifício-piloto, na obtenção de classificação nível A+ no sistema LiderA. Não estão instalados quaisquer equipamentos de combustão e “os sistemas técnicos dos edifícios de habitação funcionam com recurso a sistemas centralizados e de produção de energia eléctrica para autoconsumo”.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;">A cobertura dos edifícios é composta por sistemas fotovoltaicos instalados em canópias, o que, em dias de chuva ou sol intensos, também funciona como protecção para os equipamentos instalados nas coberturas.</p>
</blockquote>
<h4>OS SISTEMAS CENTRALIZADOS</h4>
<p>Os sistemas de aquecimento centralizado não são novidade nos edifícios municipais para habitação pública. Para o coordenador do departamento de Manutenção da Gebalis, Pedro Cardoso, os critérios de desempenho energético e os investimentos em construção de habitação pública trazem consigo “uma aposta ainda maior na neutralidade carbónica das construções, sendo para isso indispensável a implementação de soluções activas como os sistemas de climatização e de aquecimento de águas quentes sanitárias”. E recorda que o primeiro sistema de aquecimento centralizado instalado remonta a 2017. Uma solução “composta por uma bateria de sete colectores solares, destinada exclusivamente à produção de águas quentes sanitárias das sete fracções que integram o edifício”. Até então, as soluções para os sistemas de águas quentes sanitárias tinham recaído, maioritariamente, em sistemas individuais (colectores solares) dos tipos termossifão (em que o depósito do painel solar fica instalado por cima deste no telhado) ou de circulação forçada (o depósito fica inserido dentro da habitação).</p>
<p>Em Entrecampos, a situação é diferente e a escolha passou por um sistema centralizado de produção de energia térmica. Ao contrário dos colectores solares térmicos, “estas instalações e [estes] equipamentos não tiram proveito directo da fonte solar; são formados por um conjunto de bombas de calor e de circulação, por depósitos de inércia e por uma rede de tubagens e equipamentos acessórios que distribui o calor produzido a partir de energia eléctrica aos diferentes apartamentos. Por complemento ao aquecimento de águas quentes sanitárias, esta solução permite o aquecimento ambiente através de radiadores hidráulicos integrados no circuito”, explica Pedro Cardoso.</p>
<p>O responsável acrescenta ainda que estes edifícios “estão também equipados com unidades de produção para autoconsumo, que minimizam o consumo de energia eléctrica da rede para o funcionamento de instalações e serviços comuns, como é o caso da iluminação, dos elevadores e dos sistemas de climatização e de aquecimento de águas quentes sanitárias”.</p>
<h4>A APOSTA NO FOTOVOLTAICO</h4>
<p>A cobertura dos edifícios é composta por sistemas fotovoltaicos instalados em canópias, o que, em dias de chuva ou sol intensos, também funciona como protecção para os equipamentos instalados nas coberturas. Estes sistemas produzem energia eléctrica para o aquecimento de águas e para o aquecimento ambiente.</p>
<p>De acordo com o caderno técnico do projecto, “a energia excedente gerada pelos painéis fotovoltaicos, nomeadamente no Verão, é utilizada no edifício para outros usos comuns – como iluminação interior ou elevadores – ou injectada na rede”, sendo que é referida a possibilidade de, no futuro, este projecto vir a integrar uma comunidade de energia renovável.</p>
<blockquote><p><strong>128 HABITAÇÕES CONCLUÍDAS</strong><br />
Neste momento, já se encontra concluído o edifício-piloto (lote 4). Tem 128 habitações distribuídas por oito pisos, e um piso térreo, num total de 13 500 m2. A par do edifício-piloto, também os lotes 5 e 9 estão concluídos, com 64 unidades de habitação cada um e uma área bruta total de 5 640 m2.</p>
<p>Em curso encontram-se ainda as obras do lote 7, do lote 10 e das zonas de estacionamento e de jardim. Ao contrário dos outros edifícios, estes terão mais um piso acima do solo, sendo que o lote 7 será composto por 152 habitações. Terá igualmente uma creche, uma lavandaria e um espaço para comércio. A obra deste edifício deverá estar concluída em 2025. O lote 10 terá um total de 68 habitações.</p></blockquote>
<h4>AS DIFICULDADES ATRAVESSADAS</h4>
<p>Existem várias dificuldades na gestão de um empreendimento como este. A dimensão, a novidade de algumas soluções e os entraves que ainda existem do ponto de vista técnico são algumas delas. A habitação pública tem características diferentes da habitação privada. Desde logo, não gera lucro, o que muda todo o balanço. No entanto, Pedro Cardoso recorda que é importante “encontrar um equilíbrio entre os benefícios de desempenhos energéticos excepcionais e os encargos da manutenção dessas instalações e [desses] equipamentos por forma a não desequilibrar a balança entre a receita e a despesa. O impacto económico das soluções definidas em projecto deve, por isso, considerar os encargos futuros associados à manutenção e à gestão dessas instalações”.</p>
<p><img decoding="async" class=" wp-image-27639 alignright" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Fonte_Betar-1-200x300.jpg" alt="" width="266" height="399" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Fonte_Betar-1-200x300.jpg 200w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Fonte_Betar-1-683x1024.jpg 683w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Fonte_Betar-1-768x1151.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Fonte_Betar-1-1025x1536.jpg 1025w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Fonte_Betar-1-610x915.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Fonte_Betar-1-1080x1619.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/08/Fonte_Betar-1-scaled.jpg 800w" sizes="(max-width: 266px) 100vw, 266px" /></p>
<p>Pedro Cardoso indica que gerir edifícios nZEB e os seus sistemas individuais e centralizados de produção de energia térmica não é uma tarefa livre de dificuldades. Ainda assim, prefere ver o copo meio cheio quando diz que essas mesmas dificuldades “são também os desafios e as oportunidades da Gebalis”. O desenvolvimento profissional e a aposta na formação, o trabalho junto das comunidades e o desenvolvimento de estratégias de gestão sustentáveis e rentáveis são os maiores desafios associados à coordenação destes edifícios.</p>
<p>“Existem dificuldades associadas à gestão técnica e permanente das instalações e [dos] equipamentos e ao rigoroso cumprimento dos planos de manutenção preventiva, essenciais à segurança, à longevidade e ao bom funcionamento dos sistemas”, refere. A transição energética é um processo complexo e que implica conhecimento especializado. Tendo isto em conta, a escassez de mão-de-obra qualificada é um factor que, segundo o coordenador do departamento de Manutenção da Gebalis, “contribui para procedimentos de concurso pouco participados e níveis de serviço desadequados, sobretudo no que respeita aos tempos de resposta”.</p>
<p>Pedro Cardoso considera que a gestão de energia é uma dificuldade e, simultaneamente, uma oportunidade para a sensibilização de comunidades com vista à alteração de comportamentos. Afinal de contas, “de pouco serve a elevada eficiência energética dos equipamentos<br />
se a utilização não for cuidada e ambientalmente sustentável”. Um outro desafio para a Gebalis, no que diz respeito à gestão das instalações, tem a ver com os perfis de consumo dos moradores: “é necessária uma atenção permanente e uma adequação dos princípios de funcionamento do sistema para que se produza na medida adequada e no tempo certo, antecipando as necessidades e compatibilizando-as com a produção em períodos com menor encargo energético na perspectiva ambiental e financeira”, explica.</p>
<p>Outro aspecto que Pedro Cardoso faz questão de salientar é a ausência de regulamentação, orientações e incentivos à criação de comunidades de energia renovável, algo que, no seu ponto de vista, incrementaria os benefícios ambientais e económicos associados à actividade de produção de energia.</p>
<p>Fotografia de destaque: © Shutterstock</p>
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		<title>Descarbonização dos edifícios nas cidades: que cenário tem Lisboa para mostrar?</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/descarbonizacao-dos-edificios-nas-cidades-que-cenario-tem-lisboa-para-mostrar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edifícios e Energia]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jul 2024 08:22:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[autoconsumo renovável]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mais de 50 % das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) resultam da actividade dos centros urbanos e a ambição da descarbonização só é possível com um contributo firme por parte das cidades e das suas estratégias para os edifícios. Priorizar o autoconsumo renovável, promover incentivos fiscais ou a partilha de excedente de energia pelos bairros das cidades são alguns dos factores em cima da mesa.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=153" target="_blank" rel="noopener">edição nº 153 da Edifícios e Energia</a> (Maio/Junho 2024).</em></p>
<p><strong>Mais de 50 % das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) resultam da actividade dos centros urbanos e a ambição da descarbonização só é possível com um contributo firme por parte das cidades e das suas estratégias para os edifícios. Priorizar o autoconsumo renovável, promover incentivos fiscais ou a partilha de excedente de energia pelos bairros das cidades são alguns dos factores em cima da mesa.</strong></p>
<p>&#8220;Uma cidade comprometida com o futuro” é o ponto de partida do Plano de Acção Climática Lisboa 2030 (PAC 2030), que, em 2021, estabeleceu o compromisso de atingir a neutralidade carbónica até 2040, começando com uma redução de 70 % das emissões já em 2030. Uma ambição que vem em linha com a actividade do município na última década e que em 2020 lhe valeu o galardão de Lisboa Capital Verde 2020.</p>
<p>“Neutralidade climática, resiliência e inclusão” são as palavras fortes de um instrumento, o PAC 2030, que pretende estruturar uma linha de acção em matéria de integração e gestão das políticas para erradicar a pobreza energética, promover o bem-estar e a qualidade de vida dos cidadãos no caminho da descarbonização. Na prática, o tema das alterações climáticas, que já tem vindo a ser colocado no centro da agenda política da cidade, assume com este compromisso uma nova dimensão. Um desafio a que se junta a ameaça do aumento da temperatura média anual da cidade e a diminuição da precipitação anual, segundo as projecções do PAC 2030.</p>
<p>Portugal assumiu o objectivo de descarbonização em 2050, no âmbito do Roteiro para a Neutralidade Carbónica, aprovado em 2019. Um compromisso que surge a par das metas definidas pela Comissão Europeia com a apresentação, nessa altura, do Pacto Ecológico Europeu, uma estratégia de longo prazo para os países europeus. No ano seguinte, o Plano Nacional de Energia e Clima 2030 avançou no mesmo sentido, permitindo reunirem-se, assim, as condições e o enquadramento para os programas e planos regionais ganharem músculo. São definidos vários eixos no âmbito das Grandes Opções do Plano ou através do Plano de Acção Climática orientados para a cidade de Lisboa, uma cidade com quase três milhões de habitantes e que emprega cerca deum milhão e meio de pessoas e uma das mais seguras da Europa “que vê diariamente o seu número de utilizadores a crescer”, lê-se no PAC 2030.</p>
<p>É neste contexto que o sector dos edifícios é visto como uma das peças-chave para o sucesso de qualquer plano para as cidades europeias e, neste caso, para a cidade de Lisboa. Acresce que, segundo o PAC 2030, “o crescente perfil da cidade como destino turístico foi apoiado por uma estratégia orientada pela reabilitação de edifícios, espaços públicos e bairro”.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>ACÇÃO CLIMÁTICA:</strong> Lisboa tem hoje uma posição clara em matéria de combate às alterações climáticas. Subscreveu o Pacto dos Autarcas para o Clima e Energia em 2016, desenvolveu e aprovou o Plano de Acção Local para a Biodiversidade (2016), a Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas (2017) e o Plano de Acção de Energia Sustentável e Clima (2018). Em 2019, o município aderiu<br />
à rede C40 Cities, reafirmando a responsabilidade de cumprir os objectivos do Acordo de Paris, através da implementação do presente Plano de Acção Climática.</p>
<p>Resta, por isso, perceber qual a situação da cidade de Lisboa no que toca aos edifícios. “Lisboa tem, na sua maioria, um parque edificado anterior à existência da actual consciência colectiva quanto à importância do conforto térmico ou à possibilidade de os edifícios incluírem soluções de produção local de energia ou de baixo consumo energético”, explicam à Edifícios e Energia os responsáveis pelo pelouro do Urbanismo da câmara municipal de Lisboa (CML). À data dos Censos 2021, o parque edificado de Lisboa era composto por pouco mais de 49 mil edifícios. De acordo com a Carta Municipal de Habitação 2023-2032, instrumento que estabelece as metas da próxima década para a habitação, “mais de metade dos edifícios foram construídos antes de 1960, tendo já ultrapassado o seu período de vida útil”. Os Censos de 2021 revelaram que cerca de 1 700 edifícios clássicos carecem de reparações profundas e que cerca de 4 400 têm necessidades médias de reparação. Perto de 13 mil precisam de pequenas reparações e cerca de 30 mil não evidenciam necessidades de reparação.</p>
<p>Actualmente, Lisboa tem à volta de 324 mil fogos, somando 300 mil fogos privados e 24 mil fogos municipais. Segundo o PAC 2030, os primeiros representam habitações privadas construídas, na sua maioria, antes de 2006, data em que foi lançado o Sistema de Certificação Energética. A falta de informação detalhada sobre os edifícios não certificados é, desde já, um dos entraves ao traçado de uma fotografia pormenorizada do parque edificado na capital e das suas necessidades energéticas. Eduardo Silva, director técnico e financeiro da Lisboa E-Nova – Agência de Energia e Ambiente de Lisboa, reforça essa dificuldade. “Sempre que existe informação nova tentamos avançar, mas, de momento, face aos dados actuais, não é possível termos uma caracterização exacta daquilo que é o edificado em Lisboa”, afirma.</p>
<p>De acordo com as estatísticas do Sistema de Certificação Energética dos Edifícios, mais de 190 mil edifícios (o somatório de fracções habitacionais e de serviços) no concelho de Lisboa têm certificado energético e 70 % das habitações têm certificado com classe igual ou inferior a C, o que significa que têm média ou grande necessidade de reabilitação. Ainda assim, Nuno Clímaco, engenheiro e técnico na agência Lisboa E-Nova, compara os valores dos Censos de 2011 com os dos Censos de 2021 e refere que “há cada vez menos edifícios devolutos na cidade e [que] houve uma melhoria considerável [em termos] do número de edifícios com grandes necessidades de reparação”.</p>
<p>Seja como for, a reabilitação energética está no centro de todas as estratégias e sem ela não se chega às metas definidas. Importa, por isso, acompanhar o PAC 2030 e perceber onde estamos neste momento.</p>
<h4><strong>A VISÃO PARA A CIDADE DE LISBOA</strong></h4>
<p>Segundo os responsáveis pelo Urbanismo do município de Lisboa, “para além das intervenções que estão a ser realizadas no âmbito da reabilitação dos edifícios municipais de habitação, melhorando, por exemplo, o isolamento térmico e a estanquidade de vãos e paredes exteriores, ou da inclusão de sistemas de produção local de energia, como o que já existe na cobertura do Edifício dos Paços do Concelho, a câmara municipal de Lisboa quer promover a construção e/ou reabilitação de edifícios de elevada performance energética ambiental, através de incentivos urbanísticos ou de reduções em taxas municipais”.</p>
<p>Mas será o PAC 2030 para cumprir? A estratégia solar para Lisboa é uma das bandeiras para a neutralidade carbónica da cidade em 2050 e as razões são evidentes. Segundo este plano de acção, “a radiação solar total que incide nos telhados da cidade representa uma quantidade de energia equivalente a sete vezes o consumo de electricidade da cidade, 44 % dos telhados têm boa e muito boa exposição solar e o potencial de geração de electricidade solar é igual a 95 % do consumo de electricidade em Lisboa em 2016”. A plataforma SOLIS assume um papel muito importante na promoção da tecnologia solar e na sensibilização para a sua incorporação. Mas já lá vamos, porque são vários os constrangimentos que se colocam a este PAC 2030.</p>
<p>Segundo a vereação do Urbanismo da CML, muito do edificado da cidade “foi recentemente objecto de intervenções de reabilitação ao abrigo do regime de excepção quanto ao cumprimento dos standards energéticos da actualidade, sendo pouco provável vir a ter, a curto prazo, obras gerais que venham a integrar, por exemplo, isolamento térmico na envolvente externa (paredes e coberturas) ou sistemas de aproveitamento do nosso imenso potencial solar térmico”.</p>
<p>“Por outro lado, na grande maioria, os edifícios encontram-se fraccionados em propriedade horizontal, os condomínios dispõem de fundos de reserva apenas para fazer face a operações de manutenção corrente e os proprietários provavelmente não têm folga financeira para suportarem obras de fundo porque adquiriram as suas fracções recorrendo a empréstimos bancários”, continua a mesma fonte.</p>
<p>Posto isto, a vereação do Urbanismo da CML comenta ainda o seguinte: “Este quadro, que encontramos em Lisboa [tal] como nas demais zonas do país, remete as adaptações do edificado após a construção e sua consequente descarbonização para um prazo indeterminado e a um ritmo que não se compatibiliza com as metas municipais e até nacionais, pelo que estamos a estudar o modo como outros países se têm estruturado para apoiar financeiramente a antecipação das obras necessárias, mas ainda não temos soluções concretas para apresentar”.</p>
<p>Os regimes de excepção vigoraram durante muito tempo e coincidiram com grande parte da vaga de renovações da cidade de Lisboa. Estes documentos desoneravam os promotores a aplicarem a regulamentação energética nacional e a investirem em soluções renováveis. Uma herança difícil de recuperar. A esta dificuldade junta-se a falta de capacidade financeira das famílias e de investimento público. Uma realidade transversal a toda a Europa e identificada na recente revisão da Directiva sobre o Desempenho Energético dos Edifícios como prioritária e essencial para o cumprimento do Fit for 55, um pacote legislativo referente à energia e ao clima cujo objectivo é atingir a meta da União Europeia de redução das emissões líquidas em 55 % até 2030, traçando o caminho para se atingir a neutralidade carbónica até 2050.</p>
<p>Para que os cidadãos sejam parte da transição climática em Lisboa, como aponta o PAC 2030, é necessário tornar mais acessível a informação sobre os incentivos fiscais e dar a conhecer a forma como funcionam e como se processam as candidaturas. “Às vezes, as pessoas fazem obras e não têm noção de que se fizerem uma melhoria de eficiência energética podem ter acesso a mais benefícios fiscais”, refere Nuno Clímaco.</p>
<p>A pensar no edificado já existente, o PAC Lisboa 2030 pretende actuar em três frentes, nomeadamente em mecanismos de incentivo, incluindo instrumentos fiscais, na implementação da Loja do Clima como local de apoio para cidadãos e empresas, e na difusão de campanhas de sensibilização em massa e junto de associações de moradores e juntas de freguesia, por exemplo.</p>
<h4>MEDIDAS, PRECISAM-SE!</h4>
<p>Para a mudança acontecer são precisas medidas nacionais e locais concretas e muita vontade política porque há margem para que sejam criadas medidas locais que vão ao encontro das ambições dos municípios. De acordo com a vereação do Urbanismo da cidade lisboeta, “está a ser revisto o Regulamento Municipal que aprova o Sistema de Incentivos a Operações Urbanísticas com Interesse Municipal, no sentido de serem atribuídos créditos de construção às operações urbanísticas de edificação ou de urbanização que integrem soluções cuja performance energética ambiental vai para além das actuais exigências da regulamentação geral”.</p>
<p>“O nosso Regulamento Municipal de Urbanização e Edificação de Lisboa (RMUEL) já tem um conjunto de artigos dedicados à melhoria do desempenho energético dos edifícios e à racionalização de recursos naturais e energéticos nos quais a cidade concretiza as opções de projecto a privilegiar. Preconiza-se, por exemplo, que o projecto de novos edifícios ou de alteração profunda de edifícios existentes deve promover o bom desempenho energético, através, designadamente, da instalação de um sistema central de climatização, da utilização de sistemas ou técnicas construtivas de climatização passiva, do isolamento da cobertura e das fachadas, da estanquidade e do corte térmico dos vãos e da instalação de coberturas verdes”, referem os responsáveis.</p>
<h4><strong>O SOL DE LISBOA</strong></h4>
<p>“O sol de Lisboa é uma oportunidade” e quem o diz é o PAC Lisboa 2030, com base em dados da plataforma SOLIS. Apesar de todo o potencial que existe, a verdade é que a maioria dos telhados tem pouco espaço para módulos de energia solar que transformem os raios de sol em energia eléctrica ou térmica. “Estamos a falar de uma cidade com prédios e edifícios multi-familiares com uma área útil de ocupação muito significativa face à área de telhado disponível para produzir energia”, salienta Nuno Clímaco. “O solar é só uma pequena parte de toda a transição que tem que acontecer”, reitera, acrescentando que “a estratégia da cidade para a descarbonização dos edifícios terá de passar, em primeiro lugar, pela aposta em intervenções passivas. Colocar isolamento, substituir janelas e instalar sombreamentos são algumas das reabilitações possíveis. O passo seguinte são os sistemas activos, como a instalação de ar condicionado e de bombas de calor”.</p>
<p>A transição energética implica adaptação e não se concretiza sem a colaboração e o envolvimento dos cidadãos. O PAC Lisboa 2030 prevê a electrificação dos consumos com uma previsão da taxa de impacto na cidade na ordem dos 62 % para 2030. E mesmo que o cidadão esteja aberto a soluções mais sustentáveis, como os equipamentos renováveis, a verdade é que esta escolha pode ser um processo complicado: “por exemplo, quando as famílias fazem uma remodelação de uma cozinha ou o esquentador se avaria, normalmente, as soluções para substituição acarretam dificuldades de integração”, salienta Nuno Clímaco. Isto porque, muitas vezes, uma bomba de calor, por exemplo, não cabe no espaço do esquentador e precisa de uma ligação ao exterior. Perante estas condicionantes, o consumidor acaba por ser obrigado a pensar duas vezes antes de optar por sistemas mais eficientes.</p>
<p style="text-align: center;">Para que os cidadãos sejam parte da transição climática em Lisboa, como aponta o PAC 2030, é necessário tornar mais acessível a informação sobre os incentivos fiscais e dar a conhecer a forma como funcionam e como se processam as candidaturas.</p>
<h4><strong>CENTRO HISTÓRICO: UM CASO POR SI SÓ</strong></h4>
<p>Nem todos os edifícios são iguais na cidade de Lisboa. E o centro histórico? Que entraves existem nesta zona da capital? O facto de um edifício ser antigo ou classificado enquanto património cultural por parte do instituto público Património Cultural (antiga Direcção-Geral do Património Cultural &#8211; DGPC) pode dificultar a sua reabilitação energética.</p>
<p>Existe, portanto, uma necessidade de entendimento entre aquilo que é a preservação do património e aquilo que tem de ser a transição energética. “É óbvio que existem edifícios que são classificados [assim] e, por um lado, percebe-se a reticência, nomeadamente pelo facto de se querer manter aquilo que é o valor patrimonial ou da paisagem, mas, face àquilo que tem sido a evolução na área da produção de renováveis, [o Património Cultural] também se tem adaptado a todas estas condicionantes”, explica Eduardo Silva.</p>
<p>Na baixa lisboeta, os entraves administrativos são também uma realidade. Por vezes, existem regulamentos que colidem uns com os outros e que dificultam – ou impedem – a implementação de melhorias nos edifícios. É por isso que Nuno Clímaco reitera que “tem de haver muito trabalho de conciliação entre património, eficiência energética e regulamentos, que ainda não se adaptaram a esta transição energética que é necessária”. Existem ainda estratégias nacionais que “chocam” com a regulamentação local do centro histórico de Lisboa. “Estamos a falar de objectivos do Plano Nacional de Energia e Clima e do Roteiro para a Neutralidade Carbónica, que, por exemplo, prevêem a instalação massiva de isolamentos térmicos e de bombas de calor, o que, na prática, colide com a regulamentação local”, clarifica o engenheiro.</p>
<h4><strong>O IMPACTO NA ESTÉTICA</strong></h4>
<p>A instalação de soluções de isolamento na parte exterior de um edifício pode ser, segundo Nuno Clímaco, uma questão problemática. Existem soluções construtivas que “em muitas zonas chocam com o espaço público, porque podemos estar a falar de acrescentar cerca de dez centímetros a uma fachada”. Esta intervenção pode desalinhar o edifício em relação às restantes fachadas e “roubar” espaço público, algo especialmente indesejável em ruas do centro histórico que são estreitas por natureza. Embora [isto] seja uma solução que traz conforto e qualidade de vida para os ocupantes, “os regulamentos a nível nacional e municipal não permitem este tipo de intervenções”.</p>
<p>Quando a certificação energética ainda dava os seus primeiros passos, os grandes vãos envidraçados com pouco sombreamento eram o “go to” nos apartamentos que então estavam em construção. Actualmente, com o aumento dos períodos de ondas de calor, já foram registados casos de sobreaquecimento nessas habitações, uma situação que naturalmente causa desconforto aos ocupantes, explicam-nos os responsáveis da Lisboa E-Nova. A procura de soluções para colmatar o problema – como a instalação de sombreamento na zona exterior da habitação – pode tornar-se numa batalha com o autor do projecto de arquitectura, uma vez que altera a estética do edifício.</p>
<p>Segundo estes responsáveis, outra situação com impacto estético é a substituição, por exemplo, de uma caldeira por um sistema de bomba de calor porque estes últimos sistemas têm de comunicar com o exterior. Em sentido contrário, uma intervenção para a qual já existe solução é a alteração para janelas com um maior isolamento térmico. Apesar de também terem de estar em harmonia com as restantes janelas do edifício, actualmente, essa já é uma questão mais fácil de contornar pela possibilidade de personalização em termos de materiais e cores, por exemplo.</p>
<h4><strong>REGULAMENTOS ENQUANTO FACILITADORES DA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA</strong></h4>
<p>“Qualquer um dos projectos que está em fase de licenciamento neste momento junto da câmara [municipal] poderá ser uma oportunidade perdida, face àquilo que é a ambição da cidade em tornar-se climaticamente neutra”, menciona Eduardo Silva. Nos últimos anos, “um conjunto muito significativo de fracções que foram reabilitadas, e uma boa parte delas no centro histórico da cidade, acabou por não ter em consideração estas questões que se podem traduzir em conforto térmico e que contribuem para a ambição da neutralidade climática”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>PROJECTO LOJA DE ENERGIA DA LISBOA E-NOVA</strong></p>
<p>No sentido de ajudar os lisboetas a tornarem as suas casas mais eficientes do ponto de vista energético, a Lisboa E-Nova – Agência de Energia e Ambiente de Lisboa está a desenvolver a criação de um balcão único (one-stop-shop). A ideia é concentrar nesta loja todos os temas relacionados com a eficiência energética, a descarbonização da cidade e a electrificação e, assim, servir como apoio para que “os cidadãos que estão a fazer obras em casa, e que podem não ter muita literacia energética ou que não estão a ter um grande acompanhamento do projecto, possam ser encaminhados pela Direcção de Licenciamento da câmara [municipal] para a Loja de Energia para darem um valor acrescentado à sua obra de reabilitação em termos de eficiência energética”, explica Nuno Clímaco.</p>
<p>Fotografia de destaque: © Shutterstock</p>
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		<title>Lisboa: Programa &#8220;Morar Melhor&#8221; reabilita mais três bairros municipais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Edifícios e Energia]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jul 2024 08:00:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Programa de Reabilitação "Morar Melhor", criado em virtude dos contratos celebrados entre a Gebalis e a Câmara Municipal de Lisboa (CML), terá novas empreitadas em três bairros da capital. Desta feita, as obras serão realizadas nos Bairros da Avenida de Berlim, Quinta dos Ourives e Boavista, ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<section class="elementor-section elementor-inner-section elementor-element elementor-element-daaf713 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default" data-id="daaf713" data-element_type="section" data-settings="{&quot;background_background&quot;:&quot;classic&quot;}"></section>
<p style="text-align: center;"><em><strong>O Bairro da Avenida de Berlim, o Bairro dos Ourives e o Bairro da Boavista vão receber a intervenção da Gebalis, com impacto positivo para 1005 moradores.</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O <strong>Programa de Reabilitação &#8220;Morar Melhor&#8221;</strong>, criado em virtude dos contratos celebrados entre a <a href="https://www.gebalis.pt/Paginas/default.aspx" target="_blank" rel="noopener"><strong>Gebalis</strong></a> e a <a href="https://www.lisboa.pt/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Câmara Municipal de Lisboa (CML)</strong></a>, terá novas empreitadas em três bairros da capital. Desta feita, as obras serão realizadas nos Bairros da Avenida de Berlim, Quinta dos Ourives e Boavista, totalizando-se a conservação de 25 lotes com vista à melhoria das condições de vida e conforto das comunidades residentes nas habitações municipais de Lisboa.</p>
<p>Segundo Fernando Angleu, Presidente do Conselho de Administração da Gebalis, <em>“o início de três novas empreitadas materializam, uma vez mais, o compromisso assumido pela Gebalis para com o Município e, sobretudo, para com os residentes nos bairros municipais, no sentido de aumentar o conforto habitacional e melhorar a sua qualidade de vida.”</em> Fernando Angleu acrescenta que as três intervenções descritas <em>“fazem já parte de um novo leque de intervenções previstas para 2024 que Programa Morar Melhor realizará em Lisboa.”</em></p>
<p>Na zona norte da cidade, o Bairro da Avenida de Berlim, situado nos Olivais, receberá obras de reabilitação em seis lotes, correspondentes a 87 frações, num investimento de 1.080.073,36 euros. A intervenção, que se prevê concluída no primeiro trimestre de 2025, engloba a remodelação e conservação dos lotes, conferindo-lhes maior qualidade e funcionalidade em matérias de eficiência térmica e de segurança.</p>
<p>Por sua vez, no Bairro dos Ourives, no Beato, o Programa ‘Morar Melhor’ será responsável pela conservação de cinco lotes, com 104 fogos habitacionais, sendo para tal investidos 1.159.941,84 euros numa empreitada que se estima concluída também no primeiro trimestre de 2025.</p>
<p>Um ano após o início da intervenção no Bairro da Boavista, localizado na freguesia de Benfica, nas franjas do Parque Florestal de Monsanto, a Gebalis regressa para novas operações de reabilitação. Esta nova empreitada, com dotação orçamental de 2.578.005,89 euros e com prazo para conclusão previsto para o segundo trimestre de 2025, incluirá 14 lotes, com impacto em 168 fogos habitacionais.</p>
<p>Todas as obras que agora iniciam têm como objetivos principais promover o aumento das condições térmicas dos edifícios, de segurança, das condições de habitabilidade e do tempo de conservação dos lotes. Para tal, serão intervencionadas as coberturas e beirais, portas, fachadas dos lotes, caixilharias, além da requalificação de espaços interiores comuns e exteriores.</p>
<p>Considerado o maior investimento realizado na habitação municipal desde o Programa Especial de Realojamento (PER), o Programa Morar Melhor inclui intervenções de fundo em 478 edifícios, impactando 8614 frações, e reabilitação direta de 1545 fogos habitacionais. As próximas empreitadas, que deverão começar durante o Verão, terão lugar no Bairro Casalinho da Ajuda, Bairro Alta de Lisboa – PER 3, Bairro Alta de Lisboa – PER 4, Bairro Alto da Faia, Bairro Padre Cruz e Bairro Carlos Botelho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p class="x_MsoNormal" style="text-align: center;"><em><strong>O texto acima é da inteira responsabilidade das empresas/entidades em causa.</strong></em><br />
<em><strong>Fonte: Press Release</strong></em></p>
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