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	<title>Arquivo de 2000 watts society - Edificios e Energia</title>
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	<description>A Revista especializada de referência nos sectores de AVAC, eficiência energética, materiais de construção e edifícios.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 18 Aug 2022 16:54:57 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Qual o número mágico para uma sociedade sustentável? Dois mil, dizem os suíços</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Filipa Cardoso]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Aug 2022 09:36:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[2000 watts society]]></category>
		<category><![CDATA[suíça]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não se trata de numerologia, mas o número “2 000” pode ter um papel mais importante do que se pensa num mundo mais sustentável. A Sociedade dos 2 000 Watt propõe que cada um de nós consuma apenas essa potência continuamente ...</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/2000watt-society-energia/">Qual o número mágico para uma sociedade sustentável? Dois mil, dizem os suíços</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Não se trata de numerologia, mas o número “2 000” pode ter um papel mais importante do que se pensa num mundo mais sustentável. A <em>Sociedade dos 2 000 Watt</em> propõe que cada um de nós consuma apenas essa </strong><strong>potência continuamente, sem ter de comprometer a qualidade e o conforto da vida moderna. Será possível? A Suíça diz que sim.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Para os europeus, <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/independencia-energetica-edificios-2707/">reduzir o uso de energia, nomeadamente a de origem fóssil, é, hoje, mais urgente do que nunca</a>. A guerra na Ucrânia, desencadeada por um dos maiores países exportadores de combustíveis fósseis do mundo, juntou recentemente questões geopolíticas e de segurança internacional às preocupações ambientais que a crise climática tem vindo a pôr a descoberto. Marcadas pelas circunstâncias actuais, estas inquietações estão na ordem do dia, no entanto, a situação não é nova e desde a crise energética dos anos 1970 que se tenta encontrar modelos que lhes dêem, de algum modo, resposta. Foi nesse contexto que, na Suíça, se começou a esboçar, nas décadas de 1980-90, uma nova visão de desenvolvimento sustentável: a <a href="https://www.2000watt.swiss/english.html"><em>Sociedade dos 2 000 Watt</em>.</a></p>
<p>Desenvolvido pelo Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETHZ, na sigla em inglês), o conceito defende que cada pessoa precisa de apenas 2 000 Wh de energia primária para viver, sem abdicar de conforto e de qualidade de vida. O número “mágico” – que corresponde a um consumo anual de cerca de 17 500 kWh de electricidade ou o correspondente a 1 700 litros de petróleo – é entendido como sendo uma média aproximada do consumo de energia <em>per capita</em> a nível mundial e é também aquele que, segundo o ETHZ, representa a quantidade de energia contínua disponível no mundo para cada pessoa, o que permitiria a todos os seres humanos um acesso equitativo aos recursos do planeta.</p>
<p>O número tem também um quê saudosista, isto porque, em 1960, a Suíça era, efectivamente, uma “sociedade dos 2 000 Watt”. Quatro décadas de progresso económico e tecnológico desequilibraram esta balança e, no início do novo milénio, o consumo de energia <em>per capita</em> dos suíços estava já longe dessa marca, na casa dos 5 000 Wh. Materializar o conceito exigiria reduzir em cerca de dois terços o consumo de energia do país. Um compromisso difícil, mas, apesar disso, a Suíça decidiu aceitar o desafio, convicta de que a tecnologia e o conhecimento para o efeito estão disponíveis. O conceito passou a ser visto como um objectivo a longo prazo, para ser alcançado entre 2050 e 2100, e ao qual se juntou, mais recentemente, a ambição de reduzir as emissões anuais para uma tonelada de CO2 por pessoa.</p>
<h4><strong>O que são </strong><strong>estes 2 000 W</strong><strong>att e como se alcança</strong><strong>m?</strong></h4>
<p>Segundo o modelo desenvolvido pelo ETHZ, cada pessoa pode viver confortavelmente usando apenas 2 000 Wh de energia primária. Tendo em mente que cada Watt de energia corresponde a 1 Joule por segundo, é possível converter o objectivo num número para o uso de energia num ano, explica o estudo <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0301421507005472"><em>Intermediate steps towards the 2000-Watt society in Switzerland: an energy-economic scenario analysis</em></a>. “Assumindo 365,25 dias por ano (incluindo o ano bissexto),  [a utilização contínua de] 2 000 W corresponde a 63,1 GJ <em>per capita</em> por ano”, lê-se no texto &#8211; (2000 x 365,25 x 24 x 60 x 60).</p>
<p>Tendo o objectivo definido, há, então, que criar estratégias para o alcançar. Os helvéticos fizeram o trabalho de casa e identificaram três eixos que permitem trilhar esse caminho. O primeiro é a eficiência do uso de recursos, em particular de energia – usar menos para o mesmo fim, não comprometendo assim o conforto da vida moderna. Depois, a consistência – e tal significa usar recursos de fontes renováveis em vez de outros não renováveis, utilizar tecnologias amigas do ambiente e promover a reutilização e a reciclagem dos recursos. Por fim, suficiência, que se traduz em “usar menos para uma melhor qualidade de vida”. Combinar todas as estratégias, dizem os suíços, é a chave para atingir os objectivos da <em>Sociedade dos 2 000 Watt</em>, cabendo a todos os indivíduos e entidades, públicas e privadas, essa tarefa.</p>
<p>Perante a realidade, a ideia pode parecer simplista e, por isso, vista por muitos como utópica, já que o seu sucesso depende não só de muitos cálculos, mas também de variáveis pouco controláveis, como são os comportamentos de cada um. Ainda assim, este é um tema que, na Suíça, é visto com seriedade. Desde a sua criação, a proposta trazida pela <em>Sociedade dos 2</em><em> 000 Watt</em> encontrou expressão em algumas das medidas e estratégias de sustentabilidade desenvolvidas no país, tanto a nível nacional, como regional e municipal. Em 2008, a cidade de Zurique, por exemplo, decidiu, como objectivo, reduzir o consumo de energia por pessoa para os 2 000 Wh, tornando, assim, pela primeira vez, oficial o compromisso de uma entidade governamental com a visão. A nível nacional, o modelo é uma das prioridades de investigação identificadas para o período de 2021-2024 pelo Gabinete Federal de Energia Suíço (SFOE, na sigla em inglês), no que se refere à energia em edifícios e cidades.</p>
<h4><strong>Quando a visão passa a ser uma ferramenta para a sustentabilidade</strong></h4>
<p>A adaptação do conceito tem sido particularmente interessante para projectos de desenvolvimento urbano e materializou-se, inclusivamente, num sistema de certificação voluntário para áreas urbanas com uma ferramenta de cálculo própria – o <em>2000-Watt-Area</em> (no nome original). O mecanismo foi desenvolvido pelo programa EnergieSchweiz, do SFOE, e classifica a sustentabilidade dos projectos urbanos ao longo do seu ciclo de vida, avaliando parâmetros relacionados com qualidade do edificado, densidade, mistura de usos e mobilidade, numa lógica alinhada com aquilo que são os princípios da <em>Sociedade dos 2 000</em><em> Watt</em>. “A ideia central é um processo de avaliação contínuo da sustentabilidade de uma área [urbana] em termos de energia nas fases de desenvolvimento, planeamento, implementação e operação”, explica o portal oficial do <em>2000-Watt-Area</em>.</p>
<p>Actualmente, existem, na Suíça, 43 áreas urbanas com esta etiqueta de sustentabilidade (26 referentes a projectos “em desenvolvimento”; 11 a áreas “em operação” e outras seis para iniciativas de “transformação” de zonas existentes). Para receber este selo, cada uma delas teve de aproveitar, pelo menos, 50 % do seu potencial para alcançar os princípios da <em>Sociedade dos 2 000</em><em> Watt</em> e terá sido avaliada com base em seis critérios – sistema de gestão; comunicação, cooperação e participação; usos e planeamento urbano; fornecimento de recursos e eliminação de resíduos (incluindo, aqui, a energia); edificado; mobilidade (incluindo promoção da mobilidade suave, dos transportes públicos e da intermodalidade).</p>
<p>No caso dos edifícios, o processo de certificação tem em consideração o seguinte: a rentabilidade económica do projecto, olhando para os custos ao longo ciclo de vida; a estratégia adoptada, nomeadamente no que se refere aos procedimentos para a selecção dos projectos, assegurando que são escolhidas soluções óptimas na relação arquitectura/urbanismo, funcionalidade, rentabilidade económica e energia/ambiente; as normas construtivas adoptadas, exigindo-se a escolha daquelas com elevados requisitos ambientais e de desempenho energético; e a densidade de uso, com a aposta num perfil “moderado”, recorrendo, para isso, à flexibilidade de usos e a instrumentos de controlo (por exemplo, regras de ocupação), e suportando, assim, as exigências da visão proposta pela <em>Sociedade dos 2 000 Watt</em>. Os certificados são válidos por determinado período de tempo e devem ser renovados, de modo a verificar-se que os projectos continuam em linha com os requisitos propostos.</p>
<h4><strong>Erlenmatt West: um caso prático</strong></h4>
<p>Situado na zona Norte de Basileia, <a href="https://erlenmatt-west.ch/">Erlenmatt West</a> é um projecto urbanístico recente numa área de 25 mil metros quadrados (m²), que era, anteriormente, um posto de mercadorias ferroviário, entretanto, fora de uso. O bairro, que havia já sido certificado na fase de “desenvolvimento”, <a href="https://erlenmatt-west.ch/2000-watt-areal/">foi um dos primeiros a receber o selo <em>2000-Watt-Areal</em></a> “em operação” em 2017, tendo revalidado essa etiqueta no ano passado.</p>
<p>Composta por edifícios de uso misto (incluindo 574 apartamentos, um centro de dia, uma escola primária, uma creche e 2 000 m² de espaços comerciais), construídos segundo a norma <em>Minergie</em>, os residentes de Erlenmatt West usam energia de origem 100 % renovável. O bairro é abastecido, para fins de aquecimento (ambiente e águas quentes sanitárias), por uma rede de distribuição de calor (para a qual se faz a valorização energética de resíduos, biomassa e outras matérias biogénicas). Já a electricidade provém 96 % de fontes hídricas e 4 % de solar, sendo adquirida à Industriellen Werken Basel, que assegura a produção local de energia verde.<br />Além de ser uma área bem servida por transportes públicos, a mobilidade suave é praticamente um requisito, uma vez que a zona é “livre de carros”, o que permite que as crianças possam brincar em segurança nas ruas. Apesar disso, existem também pontos de carregamento para veículos eléctricos.</p>
<p>Não é só na Suíça que a<em> Sociedade dos 2 000 Watt</em> encontra adeptos. Nos Estados Unidos, esta visão ganhou forma e existe <a href="https://www.2000-watt-society.org/how">um movimento</a> para tornar Minneapolis na primeira cidade norte-americana a implementar os princípios.</p>
<p>Os princípios da <em>Sociedade dos 2 000 Watt</em> estão também presentes no bairro através de uma associação local, a Sociedade dos 2 000 Watt Erlenmatt West. Além disso, um grupo de dez embaixadores, composto por residentes e membros da associação, é responsável por promover a vida comunitária, organizando eventos e actividades que estimulem a componente social local e, consequentemente, a qualidade de vida no longo prazo. Existe ainda uma aplicação móvel que promove a sustentabilidade social do bairro, ao facilitar o contacto e a partilha entre os vizinhos. A Erlenapp foi desenvolvida por uma <em>spin-off</em> do ETHZ, a Losinger Marazzi, e foi reconhecida internacionalmente como uma prática inovadora com o prémio <em>Innovation World Cup 2015</em>, na categoria “Connected Home”, durante o evento internacional Mobile World Congress desse mesmo ano.</p>
<p>Aquando da revalidação da certificação <em>2000-Watt-Area</em>, o bairro de Erlenmatt West registava um aproveitamento de 79 % do seu potencial, sendo o critério da densidade de usos o mais bem classificado (perto de 100 %) e o dos edifícios aquele que apresentava uma margem maior de melhoria para o futuro (com um resultado entre os 50 % e os 75 %).</p>
<p><strong>Mudanças à vista</strong></p>
<p>Embora entendida como instrumento para o desenvolvimento urbano mais sustentável pelas autoridades suíças, a certificação <em>2000-Watt-Area</em> vai sofrer alterações muito em breve. Em meados de Março passado, f<a href="https://www.minergie.ch/de/news/news-de/harmonisierung-der-gebaeudelabel-fuer-die-erreichung-der-energie-und-klimaziele/">oram anunciadas mudanças, a nível nacional, com vista a “simplificar a construção e o planeamento urbano”</a>.</p>
<p>As associações que promovem os mecanismos de certificação de edifícios usados pelos cantões suíços – <em>GEAK</em>, <em>Minergie</em> e <em>SNBS Hochbau</em> – e o SFOE, responsável pelo <em>2000-Watt-Area</em>, vão passar a trabalhar em conjunto, num “redesenho e harmonização” destas ferramentas, passando a haver apenas uma entidade responsável pela emissão, inspecção, comunicação e formação da família de certificados helvética. As alterações terão efeito o mais tardar em 2024, sendo que a etiqueta para áreas urbanas cujo nome ganhou inspiração na visão para a <em>Sociedade dos 2 000 Watt</em> dará, a partir daí, lugar a dois novos selos: o <a href="https://www.minergie.ch/de/"><em>Minergie-Areal</em> </a>e o <a href="https://www.nnbs.ch/snbs-areal"><em>SNBS-Areal</em></a>.</p>
<p>“O parque imobiliário sustentável é um grande contributo para a protecção climática. A tendência é positiva, mas o potencial está longe de ser esgotado. Ao reunir os recursos da família de certificação de edifícios, podemos alcançar um impacto muito maior. As etiquetas complementam-se, são mais bem coordenadas entre si e os promotores e planeadores podem descobrir mais facilmente qual o selo que responde às suas necessidades”, justificou, em comunicado, o presidente da associação Minergie, Marc Mächler.</p>
<p>&nbsp;</p>
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<p style="text-align: center;"><em> </em><em>Fotografia de destaque © Office Fédéral de l’Énergie OFEN</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Artigo publicado originalmente na edição de Maio/Junho de 2022 da Edifícios e Energia, rectificado </em><em>a 18/08/2022, de modo a clarificar a referência a Watt como uma unidade de potência. </em></p>
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