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	<title>Arquivo de telhados - Edificios e Energia</title>
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	<description>A Revista especializada de referência nos sectores de AVAC, eficiência energética, materiais de construção e edifícios.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 27 Dec 2024 20:19:09 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de telhados - Edificios e Energia</title>
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		<title>Telhados com vida: mais verdes, mais sustentáveis e a pensar no futuro de Paris</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/telhados-com-vida-mais-verdes-mais-sustentaveis-e-a-pensar-no-futuro-de-paris/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Margarida Fialho]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Jan 2025 08:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[arquitectura]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Num local densamente povoado e com espaço limitado, torna-se difícil preparar uma cidade para ser climaticamente resiliente, mas a solução parece estar mesmo acima das nossas cabeças: nos telhados. Em Paris, há um projecto-piloto que está a dar que falar pela sua inovação e resultados – já há registos de diminuição de temperatura até 17 ºC, em comparação com os anteriores telhados de zinco.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em>Este artigo foi originalmente publicado na <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=156" target="_blank" rel="noopener">edição nº 156 da Edifícios e Energia</a> (Novembro/Dezembro 2024).</em></p>
<p><strong>Num local densamente povoado e com espaço limitado, torna-se difícil preparar uma cidade para ser climaticamente resiliente, mas a solução parece estar mesmo acima das nossas cabeças: nos telhados. Em Paris, há um projecto-piloto que está a dar que falar pela sua inovação e resultados – já há registos de diminuição de temperatura até 17 ºC, em comparação com os anteriores telhados de zinco.</strong></p>
<p>O foco está na reabilitação de telhados subutilizados e a Roofscapes tem como missão transformar essas superfícies em espaços multifuncionais, beneficiando tanto o meio ambiente como a comunidade. É esta a missão de três estudantes da Escola de Arquitectura e Planeamento do MIT. Eytan Levi, Oliver Faber e Tim Cousin juntaram-se para criar a Roofscapes, em 2020, uma start-up que olha para os telhados de uma forma inovadora e promissora.</p>
<p>Os efeitos das alterações climáticas são sentidos em todo o mundo. As cidades tentam preparar-se da melhor forma para as combater, mas não é um processo fácil. Nos últimos 10 anos, Paris plantou 155 mil árvores, incluindo duas florestas urbanas em 2024, e foram criados os chamados “telhados refrescantes”, como forma de combater as ondas de calor e as ilhas de calor que se vão formando por toda a cidade. Em Junho de 2022, Paris registou uma temperatura máxima de 41 graus Celsius (41 ºC), cinco graus acima da média máxima habitual deste mês, aproximando-se, assim, de valores de 2019, ano em que foi registada uma temperatura de 42,9 ºC, durante uma onda de calor. É, por isso, essencial reflectir sobre as cidades e perceber de que forma o espaço urbano se pode preparar para o presente e para um futuro que se adivinha cada vez mais instável em relação ao clima. As cidades estão a aquecer também pela densidade da população, do edificado e pela ausência de estratégias de arrefecimento que passam pela existência de água ou espaços verdes.</p>
<p>A capital de França é a sétima cidade mais povoada do mundo e importa perceber como pode Paris dar um passo em frente no combate às alterações climáticas. A solução parece estar mesmo acima das nossas cabeças: nos telhados. Os telhados parisienses tipicamente de zinco, e por isso responsáveis pelo aumento das temperaturas, começam agora a ganhar uma nova vida. Além disso, era necessário trabalhar em telhados inclinados. “Estima-se que haja cerca de quatro milhões de edifícios com telhados inclinados em áreas urbanas densas na Europa, sem contar com os subúrbios e zonas rurais. É nessas áreas urbanas centrais que se concentram fenómenos como as ilhas de calor e a perda de biodiversidade”, refere Eytan Levi, co-fundador da Roofscapes.</p>
<h4>MODERNIZAR, RESPEITANDO O PATRIMÓNIO</h4>
<p>“Adaptar os edifícios às alterações climáticas, respeitando o seu valor patrimonial, foi o cerne da nossa abordagem. É fundamental equilibrar a preservação do património com a adaptação às alterações climáticas, garantindo que os habitantes desses edifícios possam continuar a viver neles nas próximas décadas, apesar das condições climáticas extremas, como ondas de calor”, afirma Eytan.</p>
<p>Tentar modernizar edifícios numa cidade com tanta história foi um desafio. Existe regulamentação apertada e regras urbanísticas rigorosas em relação a edifícios históricos, de forma a preservar a identidade. Foi necessário trabalhar em prol da preservação do património para garantir que as intervenções fossem compatíveis com a legislação local.</p>
<p>A Académie du Climat, em Paris, uma instituição dedicada à ecologia e que trabalha para uma transição climática justa, foi o local elegido para o projecto-piloto da Roofscapes. Esta Academia nasceu num prédio, propriedade da Câmara Municipal, que foi reaproveitado para se tornar num local onde o tema das alterações climáticas está sempre em cima da mesa.</p>
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<p>Este projecto envolveu a instalação de um sistema de “telhado verde” para monitorizar os impactos reflectidos neste novo telhado de 100 metros quadrados. Alguns factores analisados são a redução da temperatura, um dos pontos-chave do projecto, o desenvolvimento e aumento da biodiversidade, a retenção de água da chuva e ainda a autonomia de irrigação de plantas, que acaba por funcionar como uma reserva na ocorrência de fenómenos climáticos extremos. “Em termos de impacto, é crucial entender que, na Europa Central, onde a França está localizada, os climas mais quentes estão a mover-se de sul para norte, ano após ano, enquanto as cidades e edifícios permanecem fixos, construídos para climas diferentes dos de hoje”. É, por isso, necessário e fulcral trabalhar para uma sustentabilidade urbana.</p>
<p>Mesmo sendo um projecto recente, já são visíveis algumas mudanças, como a redução da temperatura: “o que conseguimos ao sombrear o telhado com o nosso sistema é que a temperatura na superfície do zinco não sobreaquece. Antes, como é um condutor térmico, a temperatura subia cada vez mais, actuando como um radiador em escala urbana”. Também já houve desafios climáticos (neste caso, calor extremo e mesmo seca) que permitiram testar o sistema em relação à irrigação das plantas. Estas são irrigadas pela raiz, através de reservatórios de retenção de água da chuva localizados sob as áreas plantadas, o que garante várias semanas de autonomia hídrica durante ondas de calor. Os resultados foram positivos, já que, “embora estivesse calor, o solo permaneceu húmido e as plantas prosperam”. Eytan conta até que conseguiram colher framboesas em Outubro, vindas directamente do topo do edifício: “após alguns meses, a plataforma está bastante verde e estamos muito contentes com isso. Inclusive, colhemos framboesas esta tarde, o que é bastante tardio para framboesas em França, mas, por estarmos no telhado, isso é possível”.</p>
<h4><strong>COMEÇAR A OLHAR PARA OS TELHADOS DESDE CIMA</strong></h4>
<p>Todos os edifícios são impactados de forma diferente pelo clima, mas se olharmos para o topo dos edifícios, “os telhados são, geralmente, os primeiros a serem expostos à radiação solar. As árvores, pátios ou outros espaços podem ser sombreados durante parte do dia, mas os telhados quase nunca têm sombra, logo são directamente impactados pelas alterações climáticas e outros factores, como a chuva e as tempestades”, explica Eytan Levi. “Os telhados são um espaço intenso e exposto, e acredito que esta seja uma grande oportunidade de aproveitá-los e utilizá-los melhor.”</p>
<p>Uma das grandes inovações deste projecto é a sua capacidade de trabalhar com telhados inclinados, um desafio arquitectónico significativo. Tal como é referido pela própria empresa, “embora os telhados representem superfícies promissoras para o verde urbano, cobrindo 38 % da área de uma cidade como Paris, quatro em cada cinco telhados parisienses são inclinados e, na maioria das vezes, feitos de zinco, o que torna impossível a instalação de telhados verdes convencionais.”</p>
<p>O zinco é um excelente condutor térmico, não contribuindo, assim, para diminuir o impacto das ondas de calor na cidade, aliás, faz exatamente o efeito contrário: “em dias de calor extremo, com temperaturas do ar à volta dos 40 °C, a superfície do zinco pode chegar aos 80 °C, tornando-se num ambiente hostil”, refere Eytan Levi. Desta forma, a solução passa por instalar sistemas de sombreamento e melhorar o isolamento térmico. “A nossa solução também passa por utilizar plataformas de madeira local, nomeadamente pinho e larício franceses, e cultivo com sistemas de retenção de água que ajudam a regar as plantas de forma passiva, aproveitando a água da chuva”, descreve.</p>
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<p>Com estas intervenções, um dos co-fundadores da Roofscapes revela que é possível reduzir até 17 ºC a temperatura interna dos edifícios durante ondas de calor e “criar ambientes que favorecem o regresso de espécies da fauna e flora, além de oferecer novos espaços para os moradores de áreas urbanas densas como Paris. Em prédios com vários proprietários ou inquilinos, geralmente, não há muitos espaços comuns, e o telhado pode finalmente ser um deles”. A vegetação plantada nos telhados ajuda também a melhorar a qualidade do ar, a reduzir as ilhas de calor urbanas e a promover a biodiversidade nas cidades.</p>
<p>Quanto à eficiência energética dos edifícios, Eytan explica que é algo difícil de medir, uma vez que depende de vários factores, como “se o telhado está isolado ou não, o tipo de sistema de energia e de aquecimento que as pessoas têm no prédio, a localização, a exposição solar, entre outros”. No entanto, adianta que “os grandes benefícios [do projecto] estão relacionados com a redução da temperatura e, consequentemente, com a redução do consumo de energia, já que as pessoas não precisarão de usar ar condicionado ou usarão muito menos do que antes.”</p>
<p>O grande objectivo é dar nova vida aos telhados, transformando-os e tornando-os em espaços funcionais e sustentáveis para o futuro.</p>
<h4><strong>CIDADE VERDE, TELHADO VERDE</strong></h4>
<p>Eytan Levi refere que é importante “começar a considerar as superfícies sobre as nossas cabeças”, apesar de o processo não ser fácil e de ser preciso “muito planeamento, garantir que a estrutura suporta o peso, entre outros”. São desafios do presente, mas que chegam até ao futuro. Para cada telhado existe uma intervenção específica e trabalhada para que seja possível conseguir um maior impacto positivo na vida de quem ali mora e do próprio bairro e cidade.</p>
<p>Normalmente, os topos dos edifícios passam-nos ao lado, não só por estarem fora do nosso campo de visão, mas também por não os considerarmos espaços de interesse. Projectos como este demonstram o contrário: “é uma pena que estes espaços não estejam a ser utilizados, mas também entendemos que é complicado para as pessoas compreenderem isto antes de realmente vivenciarem um telhado. É uma experiência muito diferente poder estar num telhado em vez de apenas pensar nele de forma abstrata.”</p>
<p><img decoding="async" class="alignleft wp-image-28873 " src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Model_Credits_OlivierFaber-1-768x1024.jpg" alt="" width="203" height="270" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Model_Credits_OlivierFaber-1-768x1024.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Model_Credits_OlivierFaber-1-225x300.jpg 225w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Model_Credits_OlivierFaber-1-1152x1536.jpg 1152w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Model_Credits_OlivierFaber-1-1536x2048.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Model_Credits_OlivierFaber-1-610x813.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Model_Credits_OlivierFaber-1-1080x1440.jpg 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/12/Roofscapes_AcademieDuClimat_Model_Credits_OlivierFaber-1-scaled.jpg 900w" sizes="(max-width: 203px) 100vw, 203px" /></p>
<p>Estes problemas são não só europeus, como mundiais. O clima está a mudar e isso afecta milhões de pessoas diariamente. Pensar nos telhados, que são espaços subaproveitados, como uma forma de combater “o excesso de superfícies artificiais nas cidades e a falta de áreas verdes” nos espaços urbanos pode ser a peça da engrenagem que faltava.</p>
<p>Paris foi apenas o começo. Este projecto mostra que é possível conciliar o desenvolvimento urbano e a preservação do meio ambiente, oferecendo soluções práticas e replicáveis para cidades em todo o mundo. “Estamos agora a colaborar com edifícios residenciais privados, empresas imobiliárias e autoridades locais para adaptar os telhados que sofrem com ondas de calor. Estas adaptações não são voltadas apenas para ondas de calor, mas também para o ano inteiro, como a retenção de água. Estamos a explorar mais cidades e até outros países, mas, por enquanto, tudo vai ser feito a partir de Paris.”</p>
<p>Os edifícios e, neste caso em particular, os telhados têm um papel fundamental nas cidades, uma vez que podem fazer parte da solução, contribuindo para um futuro mais sustentável e verde, não só nos parques e jardins, mas também acima das nossas cabeças.</p>
<p>Fotografia de destaque: © Shutterstock</p>
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