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	<title>Arquivo de tabaco - Edificios e Energia</title>
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	<description>A Revista especializada de referência nos sectores de AVAC, eficiência energética, materiais de construção e edifícios.</description>
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		<title>Legislação sobre o Tabaco: A arte de transformar a excepção à regra na regra da excepção</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ernesto Peixeiro Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Jan 2023 09:55:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde ontem, 1 de janeiro de 2023, só é permitido fumar em espaços especiais destinados ao efeito – salas de fumo - nos estabelecimentos de restauração ou de bebidas, incluindo os que possuam salas ou zonas destinadas à dança, com área igual ou superior a ...</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/peixeiro-ramos-legislacao-tabaco-edificios-0201/">Legislação sobre o Tabaco: A arte de transformar a excepção à regra na regra da excepção</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde ontem, 1 de janeiro de 2023, só é permitido fumar em espaços especiais destinados ao efeito – salas de fumo &#8211; nos estabelecimentos de restauração ou de bebidas, incluindo os que possuam salas ou zonas destinadas à dança, com área igual ou superior a 100 m² e um pé direito mínimo de três metros, segundo as regras da <a href="https://dre.pt/dre/detalhe/portaria/154-2022-184306938" target="_blank" rel="noopener">Portaria n.º 154/2022, de 2 de Junho</a>, publicada pelos ministérios da Economia e Mar e da Saúde.</p>
<p>A dificuldade em admitir que não é possível conciliar espaços de fumadores com os de não fumadores sem que isso constitua um risco para a saúde dos últimos levou à confusão legislativa substanciada pela <a href="https://dre.pt/dre/detalhe/lei/37-2007-636938" target="_blank" rel="noopener">Lei 37/2007,</a> de 14 de Agosto, e continuada nas sucessivas interpretações da Direcção Geral da Saúde (DGS), com graves consequências para a saúde pública, devido ao aumento do risco para a saúde dos ocupantes não fumadores e trabalhadores de tais locais, uma vez que, de uma forma ou outra, se foi permitindo fumar no interior de cafés, bares e restaurantes.</p>
<p>Em 2016, 97 % dos adolescentes que frequentavam cafés, bares e pubs admitiram fumar nesses locais e, dos que frequentavam restaurantes, 70,3 % dos inquiridos tinham visto fumar nesses locais, conforme apuraram estudos de investigadores portugueses publicados no National Institutes of Health, EUA.</p>
<p>Apesar de as alterações feitas pelas <a href="https://dre.pt/dre/detalhe/lei/109-2015-70114078" target="_blank" rel="noopener">Leis 109/2015</a> e <a href="https://dre.pt/dre/detalhe/lei/63-2017-107805893" target="_blank" rel="noopener">63/2017</a> admitirem a impossibilidade de conciliar fumadores com não fumadores no mesmo espaço sem prejuízo dos últimos, na prática, nada se alterou, com a desculpa de que os investimentos feitos na ventilação tinham de ser rentabilizados. Por esse motivo, adiou-se a decisão relativa à definição das regras para uma portaria &#8220;a publicar&#8221; posteriormente, perpetuando-se a estratégia de interpretação errada de dispositivos de ventilação com que foi selada a excepção da proibição de fumar nestes locais.</p>
<p>Agora, passados 15 anos, estamos a ver a luz ao fim do túnel, pois finalmente está publicada a portaria que estabelece as regras para os locais onde é permitido fumar, definidas nos termos das alíneas b) a d) e do n.º 7 do Artigo 5.º da Lei 37/2007, de 14 de Agosto, na sua redacção actual. Estas regras referem-se:</p>
<p>a) à lotação máxima permitida;</p>
<p>b) à separação física ou compartimentação;</p>
<p>c) às regras de instalação e requisitos técnicos dos sistemas de ventilação;</p>
<p>d) à dimensão mínima dos espaços.</p>
<p>Veja-se o Artigo 6.º relativo à ventilação das salas de fumo:</p>
<p>• O n.º 1 refere a introdução de &#8220;equipamentos de extracção&#8221; quando devia dizer &#8220;equipamentos de exaustão&#8221;, pois o que está em causa é a evacuação directa para o exterior do ar poluído, e não a sua recirculação;</p>
<p>• No n.º 2, a introdução do termo equívoco “sempre que possível” é inadmissível, já que perturba a eficácia da aplicação da ferramenta legislativa, pois fica por determinar o que deve acontecer quando “não for possível”. Como o que, neste número, se refere é a entrada de ar novo, e a emissão dos poluentes quentes estará na zona ocupada pelos fumadores, colocar a entrada de ar novo noutro local que não junto ao pavimento provocará a mistura, pondo em risco a correcta ventilação da sala;</p>
<p>• O n.º 3 utiliza termos desnecessários. Como é sabido, quer em normalização, quer em legislação, o “deve” é obrigatório, tornando-se redundante a expressão “deve ser obrigatório”;</p>
<p>• O n.º 4 refere a incorporação de um filtro de ar com a classe mínima M5. A norma que sustentava esta classificação, a EN 779:2012, foi substituída em 2018 pela norma EN ISO 16890. Esta foi uma mudança radical na classificação dos filtros de ar que tem em conta o estado da arte em termos de qualidade do ar e que engloba 4 classes (ISO ePM1, ISO ePM2,5, ISO ePM10, ISO Coarse). A selecção de um filtro para o ar novo depende da poluição do ar exterior e do nível de qualidade que se quer para o ar interior. Um filtro M5 corresponde ao ISO ePM10 e constitui um baixo nível de exigência, quando hoje em dia se pede pelo menos ISO ePM2,5;</p>
<p>• No n.º 5, o estabelecimento de um caudal de ar novo mínimo pelas RPH não é aconselhável. Este caudal deve ser sempre em função da emissão de poluentes, que está completamente condicionada pelo número de ocupantes da sala;</p>
<p>• No n.º 6, diz-se que deve ser garantida uma eficácia de ventilação mínima de 80 %, de acordo com a Norma EN 13779. Em primeiro lugar, a norma EN 13779:2007 foi substituída em 2017 pela EN 16798-3. Uma sala de fumo é um espaço que, como está definido, e bem, deve ter a exaustão no ponto alto sobre a zona ocupada e a introdução de ar novo na zona perto do pavimento. Por isso, deve privilegiar-se a estratégia de deslocamento em vez da mistura.</p>
<p>Assim, se pensarmos em indicadores, a eficácia de renovação de ar deve ser 100 %. Contudo, penso que o foco deve estar na eficácia de remoção de poluentes que, neste, caso deve estar perto do infinito.</p>
<p>Para terminar as críticas a esta portaria, será que ninguém se apercebeu que os Técnico de Instalação e Manutenção (TIM) foram substituídos pelos Técnicos Responsáveis pela Manutenção (TRM) em 2021?</p>
<p>Decididamente, a legislação sobre o tabaco, como outras, não consegue isentar-se de confusões, produzindo ferramentas deficientes que comprometem a produtividade. Será que isto acontece porque temos pessoas a legislar em temas que não dominam e não se assessoram adequadamente?</p>
<p style="text-align: center;"><em>Artigo publicado originalmente na edição de Novembro/Dezembro de 2022 da Edifícios e Energia, aqui com as devidas adaptações.<br /></em></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em> </em></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>As conclusões expressas são da responsabilidade dos autores.</em></strong></p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/peixeiro-ramos-legislacao-tabaco-edificios-0201/">Legislação sobre o Tabaco: A arte de transformar a excepção à regra na regra da excepção</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
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