Nos próximos três anos, a procura por electricidade vai crescer com maior rapidez, à medida que também se acelera a transição energética. Pelo menos é o que garante o Electricity 2024, o mais recente relatório anual conduzido pela IEA (Agência Internacional da Energia).

O documento – que reúne a evolução e as políticas do mercado da electricidade, dando previsões sobre a procura, a oferta e as emissões de CO2 do sector até 2026 – refere que, apesar de uma diminuição no crescimento global da procura de electricidade (2,2% em 2023, devido à queda do consumo nas economias avançadas), prevê-se que acelere para uma média de 3,4% entre 2024 e 2026.

As energias renováveis deverão atingir, já em 2025, um terço da produção total de electricidade, ultrapassando o carvão. Também no próximo ano, a energia nuclear deverá atingir um máximo histórico a nível mundial, com o aumento da produção em França, a reactivação de várias centrais no Japão e a entrada em funcionamento de novos reactores em muitos mercados, como China, Índia ou Europa.

No campo das renováveis, em 2023, Portugal registou valores nunca antes vistos: a produção renovável abasteceu 61% do consumo de energia eléctrica, num total de 31,2 TWh, o valor mais elevado de sempre no sistema nacional, revelam os números divulgados pela REN (Redes Energéticas Nacionais).

Mais bombas de calor e carros eléctricos

A nível global, a electricidade representou 20% do consumo final de energia em 2023, contra 18% em 2015. Porém, para atingir os objectivos climáticos mundiais, é necessário que a electrificação avance realmente mais depressa nos próximos anos. Para já, seguindo a crescente electrificação do sector, registam-se mais consumidores a recorrerem a opções como veículos eléctricos e bombas de calor.

Até 2026, deverão estar disponíveis no mercado da União Europeia nove milhões de novos veículos eléctricos e 11 milhões de bombas de calor, revela o Electricity 2024

Já este ano, as vendas dos veículos e de bombas de calor deverão resultar num crescimento de 2,2% na procura de electricidade – até 2026, a média anual deverá situar-se nos 2,6 %.

A matemática do futuro

No período em análise, as previsões apontam para que a produção de electricidade a partir de fontes renováveis cresça a uma taxa média de 9%, substituindo a produção de electricidade a partir de combustíveis fósseis. A electricidade produzida a partir do carvão diminuiu cerca de 26% no ano passado e deverá baixar, em média, 13% de 2024 a 2026. A produção nuclear vai subir a um ritmo de 2,2% até 2026.

A quota ocupada pelas energias renováveis foi de 45% em 2023, deverá subir para 50% este ano e para 55% em 2026. 

Todos estes números, as conclusões e as previsões podem ser consultadas na análise da IEA.