Foi um dos vencedores do concurso Reiventing Cities e pretende ser um manifesto vivo de renovação urbana sustentável, onde os espaços públicos e privados interagem, criando um ambiente amigável, resiliente e sustentável para os habitantes locais e visitantes. O projecto Co-inventing Doria espera agora ser posto em prática junto a uma das principais centralidade de Milão.

Localizado num dos bairros mais movimentados, densos e vibrantes de Milão, e numa das zonas mais acessíveis da cidade, este projecto localiza-se em Viale Doria, uma avenida perto da Estação Central. Com um elevado índice de edifícios residenciais (71 %), a avenida também é composta por vários bares, restaurantes, lojas e serviços, tanto públicos como privados, sendo habitada por uma população predominantemente jovem.

Combinando um alto desempenho e soluções consistentes em todos os principais desafios ambientais, o projecto Co-inventing Doria inclui dois elementos chave: um hostel neutro em carbono e um novo eixo verde da Viale Doria.

O hostel está projectado para ocupar um terreno dormente, de 610m2, actualmente utilizado como estacionamento. O projecto do edifício inclui uma envolvente inovadora: uma parede permeavél, capaz de recuperar energia e filtrar o ar ventilado, proporcionando uma experiência altamente confortável no seu interior. O uso de energia do edifício é minimizado em todo o seu ciclo de vida e as fontes de energia renováveis ​​são amplamente exploradas, potenciando assim a eficiência no desempenho global do imóvel. Nessa medida, está contemplada uma parcela significativa de energia limpa, graças à existência de painéis fotovoltaicos na cobertura (22kW) e uma bomba de calor água/água de 300 kW.

 

A intenção é que o edifício esteja aberto ao exterior, permitindo que, mesmo não estando sendo um dos hóspedes do hostel, seja possível entrar no espaço, descer uma ampla escadaria e desfrutar de um pátio verde.

Já Viale Doria foi idealizada para ser uma avenida multifuncional, onde os espaços urbanos, modulares e flexíveis, evoluem com o tempo, de acordo com as necessidades das pessoas. Com uma área pedonal ampla, o local inclui espaços verde, tirando partido dos vários serviços de ecossistema, incluindo a captura e armazenamento de carbono.

Este projecto foi concebido para envolver os cidadãos na sustentabilidade, proporcionando uma experiência interactiva e educando para comportamentos sustentáveis e ​​proactivos, com diversas soluções que promovem uma mobilidade baixa em carbono. Estão também previstas várias actividades para incentivar a coesão social e o estilo de vida verde (com dados informativos para educar os moradores, localizadores de plantas, estacionamento inteligente e restaurantes que sigam o conceito quilómetro zero). Como tal, também na construção é privilegiado o uso de materiais de fontes biológicas, como madeira e fibras naturais.

 

O Co-inventing Doria foi apresentado pela RETE FRA INPRESE “B SMART”, com a arquitectura a cargo de AMBROGIO RISARI – DRM ARCHITETTURA, EMANUELA SARA CIDRI, 16BIS STUDIO e os peritos ambientais do POLITECNICO DI MILANO, DIPARTIMENTO DI ENERGIA – PROF. FRANCESCO CAUSONE e é um dos vencedores da competição Reinventing Cities (que distingue projectos urbanos que apresentem soluções para promover uma regeneração urbana resiliente e neutra em carbono, em todo o mundo, e implementar as ideias mais inovadoras a fim de transformar locais subutilizados em exemplos de sustentabilidade e resiliência). Como tal, e sendo propriedade do município de Milão, espera-se agora que sejam apresentadas propostas, sendo favorecidas as que incluam inovações arquitectónicas e tecnológicas que visem a ecologia, assim como a poupança de energia e de emissões de CO2.

Sobre o Reinventing Cities

O Reinventing Cities é uma competição global criada pelo grupo C40, a rede de Cidades para Liderança do Clima. A iniciativa pretende promover a regeneração urbana resiliente, sustentável e neutra em carbono, por todo o mundo.

Para o efeito, o C40 e as cidades participantes convidam arquitectos, construtoras, organizações ambientalistas, grupos comunitários e artistas para formar equipas criativas e competir pela oportunidade de transformar essas cidades, apresentando projectos que respondam a dez desafios ambientais. Os participantes também têm de demonstrar como podem ser alcançadas soluções climáticas inovadoras, em combinação com uma arquitectura diferenciada.

Para este concurso, 14 cidades identificaram 31 espaços que, actualmente, estão dormentes, como terrenos baldios e prédios abandonados, um antigo aeroporto, mansões históricas, mercados, estacionamentos, uma incineradora e um aterro abandonados. Os projectos vencedores irão servir de modelo a cidades de todo o mundo, demonstrando como a aliança entre os sectores público e privado podem definir o futuro, alcançando um desenvolvimento urbano descarbonizado e, ao mesmo tempo, economicamente viável.