Building X: aposta da Siemens para uma gestão mais inteligente dos edifícios

Building X: aposta da Siemens para uma gestão mais inteligente dos edifícios

No âmbito do investimento da Siemens na plataforma Xcelerator para acelerar a transformação digital, há uma plataforma dedicada à promoção da inteligência, da eficiência e da descarbonização dos edifícios: a Building X. Com recurso à cloud, à analítica e a várias tecnologias, a plataforma Building X pretende dar uma visão integrada dos edifícios e facilitar a sua gestão. Thomas Kiessling, enquanto responsável pela parte tecnológica desta área da Siemens, assinala que esta é uma “oportunidade chave” para os edifícios.

Há quase um ano, a Siemens anunciava o lançamento de uma nova plataforma digital aberta com o objectivo de alavancar os três “D’s” – digitalização, descarbonização e descentralização – de forma fácil, rápida e escalável. Com um portfólio que inclui hardware, software e serviços digitais com integração de IoT (Internet das Coisas) e um ecossistema crescente de parceiros, a plataforma “Xcelerator é o chapéu para a digitalização e descarbonização dos negócios dos clientes da Siemens”, descreve Thomas Kiessling, Chief Technology Officer (CTO) da Siemens Smart Infrastructure, durante uma sessão para jornalistas* realizada na semana passada, na Finlândia, que contou também com a apresentação de outros projectos que integram este serviço da Siemens.

Segundo o responsável, a Xcelerator tem sido aplicada na indústria e nos sectores dos edifícios, das redes energéticas e da mobilidade e, no caso particular dos edifícios, deu origem a uma nova oferta de software como serviço: a Building X. “Aquilo que estamos a criar é uma camada de software ‘por cima da digitalização’ que vai permitir criar apps para ajudar os agentes a descarbonizar os edifícios, a torná-los mais eficientes, com acesso a recomendações. Pense-se [nisto] como um sistema operativo.”

Combinando as esferas física e digital, a Building X recorre a tecnologia cloud e a analítica de modo a disponibilizar dados, diferentes modelos de negócio e abordagens abertas e holísticas no campo dos edifícios. A ideia é permitir uma melhor gestão naquilo que diz respeito não só à operação dos edifícios, mas também naquilo que diz respeito à energia, às emissões de gases com efeito de estufa, à segurança, à protecção contra incêndios. Só do ponto de vista da operação dos edifícios, o recurso “a inteligência permite diminuir as emissões de dióxido de carbono para metade”.

A plataforma Building X pretende ainda que, a partir de uma visão 360 º, seja possível gerir todos os dispositivos conectados através da cloud e implementar com flexibilidade novas funcionalidades, bem como permitir a integração de outras soluções de terceiros ou ainda de inteligência artificial (para melhorar previsões, por exemplo).

“Alguns casos [da integração de tecnologia] são muito simples; [um exemplo] pode ser ter luz baseada na passagem e na permanência dos ocupantes”, ilustra Thomas Kiessling, salientando que os ganhos são, no entanto, significativos quando se pensa no desempenho energético alavancado. Além disso, também a conectividade entre sistemas de fluxos de entradas e saídas de um edifício e relatórios de aspectos ligados a emergências e a respetiva disponibilização desta informação numa só aplicação móvel de controlo remoto sobre um ou mais edifícios são destacadas por Thomas Kiessling como um exemplo da possibilidade de “melhorar a produtividade”. 

Já a capacidade de gerar relatórios é outra função assinalada pelo responsável, que diz que, num edifício com múltiplos “sintomas”, o sistema é capaz de fazer uma análise holística para procurar a “raiz do problema”. De acordo com a Siemens, “através da Building X, é possível reduzir os custos de manutenção e reparação em mais de 60 %”. 

Neste sentido, e realçando que a digitalização é vista como uma “oportunidade chave” para lidar com os desafios dos edifícios, sobretudo no que diz respeito aos edifícios comerciais “em que apenas uma pequena parte está digitalizada”, o CTO afirma que a digitalização e a automação dos edifícios pode ser também uma forma de “melhorar a experiência dos funcionários” e atrair talento para a operação e gestão dos edifícios. 

Xcelerator de mãos dadas com as redes energéticas e a electrificação

“[A plataforma] Siemens Xcelerator vai tornar, para as empresas, mais fácil do que nunca o processo de transformação digital – um processo mais rápido e escalável. Ao combinarmos os mundos real e digital em tecnologias operacionais e de informação, damos poder aos nossos clientes e parceiros para que promovam a produtividade, a competitividade e para que escalem inovações”, referia Roland Busch, presidente e CEO da Siemens AG, aquando do lançamento da Xcelerator.

Além de se focar nos edifícios, esta plataforma incide sobre dois outros pilares: as redes energéticas (grids) e sobre a electrificação. No que diz respeito às grids, onde a previsão de crescente procura energética pressiona os sistemas energéticos, Thomas Kiessling declara que é necessário, a par da electrificação, da eficiência energética e da descentralização, digitalizar as redes e  planear melhor. Simplificando, o responsável diz que o “problema nas redes [de energia] é que os sistemas de planeamento não são adequados. Os sistemas de planeamento, de operação e de manutenção [das redes energéticas] são diferentes e não estão a comunicar uns com os outros.”

Por esse motivo, e para enfrentar a necessidade de aumentar de forma significativa a capacidade do sistema energético – triplicar, até, em casos semelhantes ao da Alemanha –, evitando bottlenecks na rede e consequentes blackouts de energia, Thomas Kiessling argumenta que “é necessária inteligência”, facilitada pela digitalização e por softwares. Neste campo, refere ainda o papel dos gémeos digitais que ao integrarem os mesmos dados nas funções de “planear, operar e manter” melhoram o processo e facilitam as actualizações ao mesmo tempo que reduzem a probabilidade de erros com sincronização de dados. 

No caso da Fingrid, a operadora de rede de transmissão de electricidade nacional finlandesa, o desenvolvimento de um gémeo digital, já disponível mas ainda em desenvolvimento, implica “menos 60 % do esforço necessário para a recolha de dados e para a criação de modelos”. E com a integração, diz Thomas Kiessling, surge uma oportunidade para “simulações mais sérias” capazes de conferir “maior flexibilidade” à rede e às infraestruturas, ajustando mutuamente e em tempo real a oferta e a procura de energia.

Já quanto à aplicação da Siemens Xcelerator para a electrificação, Thomas Kiessling abordou o serviço de gestão de eHubs comerciais para estações de carregamento de frotas eléctricas como uma maneira de maximizar a utilização dos activos com o menor custo energético possível com base em dados sobre as estruturas, a gestão de armazenamento, a gestão de carga, etc. “É uma forma de ajudar os agentes a operarem frotas eléctricas.”

*A jornalista viajou a convite da Siemens Portugal

Fotografia: © Siemens

Autor do artigo

Sónia Sul

Jornalista e Colaboradora da Edifícios e Energia

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