Numa altura em que há uma diminuição da actividade no sector da construção, também as empresas de materiais sentem diferenças. A Edifícios e Energia falou com João Ferreira Gomes, director da CAIXIAVE – Indústria de Caixilharia, S.A.. O Grupo Caixiave, fabricante de janelas e portas eficientes de PVC, tem continuado a operar e mantém o seu plano de expansão para os próximos anos, apesar de considerar que as medidas que têm sido tomadas face ao sector da construção serem muito insuficientes.

Atendendo ao que estamos a viver neste momento, que desafios está esta época a trazer para a Caixiave?

Tendo em consideração o momento que estamos a viver relativamente à pandemia da Covid-19, a Caixiave teve de implementar um plano de contingência na sua unidade de produção e em todas as actividades de montagem, acautelando a segurança e saúde de todos os colaboradores, ao mesmo tempo que tem assegurado a continuidade de todas as actividades da empresa.

Que diferenças notam no mercado e quais os segmentos mais afectados?

Presentemente, por enquanto, a actividade da reabilitação e construção têm continuado a um menor ritmo. No segmento de clientes particulares, tendo em consideração as medidas relativas ao confinamento em suas casas, tem havido uma redução considerável da actividade. No entanto, cremos que esta será uma situação transitória e que será retomada gradualmente ao longo do presente ano.

Estando as pessoas mais tempo em casa, podem ter mais noção da importância do conforto, que passa muito por um bom isolamento. Acha que isso pode vir a alterar a percepção das pessoas e levá-las a investir mais neste género de equipamentos? De que forma pode vir a ser feita essa sensibilização?

Sim, claramente. Num quadro em que muitos portugueses tiveram a necessidade de ficar confinados em suas casas, dia e noite, puderam aperceber-se melhor do desconforto das suas habitações e da deficiente qualidade de isolamento das suas janelas. Por este motivo, esta situação será uma oportunidade para uma maior sensibilização para a melhoria do isolamento térmico e acústico das habitações e o seu contributo para a redução da factura da energia.

Como encaram as medidas que têm sido tomadas face ao sector da construção? No caso concreto do sector das janelas eficientes, que medidas podem fazer sentido?

As medidas que têm sido tomadas face ao sector da construção ainda são muito insuficientes. É indispensável que o clima de confiança dos investidores imobiliários que, por todo o país, apostam na reabilitação de edifícios antigos e na construção de novos não seja muito afectado. Para isso, é fundamental que Portugal assuma a oportunidade de lançar novos programas e medidas que incentivem a melhoria do conforto e eficiência energética dos edifícios portugueses, aproveitando os objectivos do programa Green Deal da Comissão Europeia e dos fundos financeiros, que certamente estarão ao dispor de Portugal.

Que expectativas têm para o futuro?

A Caixiave tem uma perspectiva e expectativa positiva para o futuro. Por esse motivo, continuaremos como previsto, o nosso plano de expansão e investimento nos próximos anos, nas nossas unidades de produção em Ribeirão (Vila Nova de Famalicão). Novos investimentos que reforçarão, ainda mais, a nossa liderança do mercado ibérico na produção de janelas eficientes. Uma empresa que irá introduzir mais inovação tecnológica e maior capacidade na produção de novas soluções de janelas eficientes (PVC e Alumínio) para todos os mercados nos quais temos forte actividade (Portugal, Espanha e França).