<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Isabel Sarmento, autor em Edificios e Energia</title>
	<atom:link href="https://edificioseenergia.pt/author/isabel-sarmento/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://edificioseenergia.pt/author/isabel-sarmento/</link>
	<description>A Revista especializada de referência nos sectores de AVAC, eficiência energética, materiais de construção e edifícios.</description>
	<lastBuildDate>Sat, 24 Feb 2024 18:05:34 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-PT</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2019/02/cropped-icon_001-32x32.png</url>
	<title>Isabel Sarmento, autor em Edificios e Energia</title>
	<link>https://edificioseenergia.pt/author/isabel-sarmento/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>A formação em climatização na rota da reabilitação energética</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/opiniao-analise/a-formacao-em-climatizacao-na-rota-da-reabilitacao-energetica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Isabel Sarmento]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Feb 2024 07:11:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
		<category><![CDATA[climatização]]></category>
		<category><![CDATA[gases com efeito de estufa]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
		<category><![CDATA[reabilitação energética]]></category>
		<category><![CDATA[união europeia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://edificioseenergia.pt/?p=25922</guid>

					<description><![CDATA[<p>Num momento marcado pela Cimeira das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (COP28), onde foi reforçada a necessidade de eliminar (ou, pelo menos substituir) os combustíveis fósseis, a UE afirmou que já reduziu em 32,5 % as suas emissões de gases com efeito de estufa.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/opiniao-analise/a-formacao-em-climatizacao-na-rota-da-reabilitacao-energetica/">A formação em climatização na rota da reabilitação energética</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="p1" style="text-align: center;"><em><strong><span class="s1">Artigo publicado originalmente na edição de <a href="https://leitor.medialine.pt/reader.html?p=edificiosenergia&amp;v=principal&amp;e=151"><span class="s2">Janeiro/Fevereiro de 2024</span></a> da Edifícios e Energia.</span></strong></em></p>
<p class="p3"><span class="s1">Num mês marcado pela Cimeira das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (COP28), onde, entre 30 de novembro e 12 de dezembro de 2023, foi reforçada a necessidade de eliminar (ou, pelo menos substituir) os combustíveis fósseis, incrementando a energia de fontes renováveis e de reduzida emissão de poluentes, a União Europeia (UE) afirmou que já reduziu em 32,5 % </span><span class="s3">[1] </span><span class="s1">as suas emissões de gases com efeito de estufa (GEE), quando comparado com o ano de 1990. No entanto, a meta a que se propôs é a de atingir, até 2030, uma redução de 55 % dessas emissões de GEE, que englobam dióxido de carbono (CO</span><span class="s4">2</span><span class="s1">), metano (CH</span><span class="s4">4</span><span class="s1">), óxido nitroso (N</span><span class="s4">2</span><span class="s1">O), hidrofluorocarbonetos (HFCs), perfluorocarbonos (PFCs), hexafluoreto de enxofre (SF</span><span class="s4">6</span><span class="s1">) e trifluoreto de sódio (NF</span><span class="s4">3</span><span class="s1">). </span></p>
<p class="p4"><span class="s1">A União Europeia é (com base em dados de 2019) o quarto maior emissor mundial de GEE, depois da China, dos EUA e da Índia, ainda que represente somente cerca de 7 % das emissões globais daqueles gases. </span></p>
<p class="p4"><span class="s1">A ambiciosa meta, estabelecida no ano de 2021, de reduzir as emissões de GEE em 55 % até 2030 é alicerçada num conjunto de medidas que se destina a rever e atualizar a legislação da UE e a criar iniciativas que permitam concretizar os objetivos climáticos acorda- dos pelo Conselho da UE e pelo Parlamento Europeu, compilados no <em>Objetivo 55</em>. </span></p>
<p class="p4"><span class="s1">Trata-se de um aumento substancial em comparação com a meta de redução de 40 %, que havia sido estabelecida em 2018.</span></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-25925 alignleft" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/02/1-300x233.png" alt="" width="279" height="217" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/02/1-300x233.png 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/02/1.png 516w" sizes="(max-width: 279px) 100vw, 279px" /></p>
<p class="p4"><span class="s1">O <em>Objetivo 55</em> pressupõe reduzir, num prazo de pouco mais de seis anos, no mínimo, 22,5 % das emissões atuais de GEE, ou seja, aproximadamente 40 % daquilo que demorou mais de três décadas a alcançar. </span></p>
<p class="p4"><span class="s1">Todos os setores da economia são englobados e terão de contribuir para o Objetivo 55. No entanto, no caso particular dos setores não abrangidos pelo Comércio Europeu de Licenças de Emissão (CELE), a meta estabelecida é a de uma redução de 40 % das emissões dos GEE, mas quando comparado com o ano de 2005. </span></p>
<p class="p4"><span class="s1">Os setores não abrangidos pelo regime CELE são os seguintes: transporte rodoviário, edifícios, agricultura, resíduos, pequenas indústrias. E, no seu conjunto e atualmente, são responsáveis por cerca de 60 % do total de emissões de GEE da UE, sendo, também, os principais utilizadores de energia. </span></p>
<p class="p4"><span class="s1">Quando nos focamos nos edifícios, percebemos que são responsáveis por mais de 40 % do consumo de energia da UE e por 36 % das emissões diretas e indiretas de GEE relacionadas com a energia </span><span class="s3">[2]</span><span class="s1">. Em Portugal, são responsáveis por cerca de 32 % do consumo de energia </span><span class="s3">[3] </span><span class="s1">e por 5 % </span><span class="s3">[4] </span><span class="s1">das emissões diretas de GEE, ao que acrescem as emissões associadas ao consumo energético (12 %), o que se traduz num dos setores mais importantes de emissão de CO</span><span class="s4">2</span><span class="s1">. </span></p>
<p class="p4"><span class="s1">Por outro lado, estima-se que dois terços dos edifícios europeus não sejam energeticamente eficientes e que 85 % a 95 % desses edifícios ainda se mantenham em operação em 2050 </span><span class="s3">[5]</span><span class="s1">. Daqui, advém a necessidade de renovar o parque construído em harmonia com a visão estratégica da UE de redução do consumo de energia e da emissão de GEE. </span></p>
<p class="p4"><span class="s1">A Diretiva do Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD), mais propriamente a sua proposta de reformulação, é um eixo fundamental à concretização das metas de redução do consumo de energia e de emissões de GEE associadas aos edifícios, às quais a UE se propõe. </span></p>
<p class="p4"><span class="s1">A EPBD prevê a necessidade de criar condições para tornar a renovação dos edifícios rápida, abrangente (profunda) e inteligente, isto é, orientada por serviços e dados, estabelecendo requisitos exigentes no que respeita à eficiência energética, mas também ao potencial de aquecimento global de todo o ciclo de vida, para o parque construído e a edificar.</span></p>
<p><img decoding="async" class="size-medium wp-image-25926 alignright" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/02/2-300x249.png" alt="" width="300" height="249" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/02/2-300x249.png 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/02/2.png 514w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p class="p4"><span class="s1">Sabendo que os edifícios são responsáveis por emissões de GEE antes, durante e após a sua vida útil, à renovação em massa dos edifícios estará, necessariamente, subjacente o desenvolvimento de soluções holísticas e industrializadas, ou seja, a pré-fabricação, também como meio de reduzir custos, prazos, recursos e o im- pacto nos ocupantes e de aumentar a produtividade, a mão de obra qualificada e a circularidade de recursos. </span></p>
<p class="p4"><span class="s1">Mas aumentar a eficiência energética e descarbonizar os edifícios, a par de promover a pré-fabricação, não é sinónimo de projetos ou instalações mais simples. É antes sinónimo de projetar bem e de forma integrada, isto é, abordando todas as vertente que contribuem para alcançar aqueles objetivos, desde as estratégias de melhoria da envolvente como modo de minimizar as necessidades para alcançar o conforto térmico, passando pela adoção de estratégias passivas de climatização como modo de reduzir a procura energética para atingir um mesmo nível de conforto, até ao controlo e à monitorização, passando ainda, naturalmente, pela adoção de sistemas mais eficientes. </span></p>
<p class="p4"><span class="s1">Ao nível do projeto, o grande desafio é o seu desenvolvimento cooperativo e holístico, para que integre de um modo seletivo as melhores estratégias e práticas, minimizando necessidades e privilegiando as estratégias de utilização racional de energia, como são a recuperação de calor, o arrefecimento gratuito, a par da eletrificação por via da adoção de bombas de calor. </span></p>
<p class="p4"><span class="s1">A renovação de edifícios não pode ser um conjunto de medidas avulso. Tem de ser resultado de uma visão global e integrada, sustentada por um projeto, uma construção e uma instalação adequados, a que se seguirão, também, adequadas condução e manutenção.</span></p>
<p><img decoding="async" class="wp-image-25927 alignleft" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/02/3-300x152.png" alt="" width="318" height="161" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/02/3-300x152.png 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/02/3-1024x519.png 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/02/3-768x389.png 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/02/3-610x309.png 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/02/3-1080x547.png 1080w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2024/02/3.png 1094w" sizes="(max-width: 318px) 100vw, 318px" /></p>
<p class="p4"><span class="s1">O projeto de edifícios, onde se inclui o aquecimento, o arrefecimento e a ventilação (AVAC), e o modo de os construir e manter têm de mudar, têm de se adaptar a uma nova e exigente realidade. Desde logo porque não podem (não devem) ser independentes, antes elos de uma mesma cadeia com um mesmo objetivo. </span></p>
<p class="p4"><span class="s1">Quer o projeto quer a instalação e a manutenção terão novas e maiores exigências, o que requer técnicos qualificados e em quantidade suficiente, como garante da implementação das melhores e mais adequadas práticas. </span></p>
<p class="p4"><span class="s1">A formação de profissionais de climatização – projetistas, fornecedores e fabricantes, instaladores, técnicos de manutenção –, promovendo o conhecimento teórico e prático focado nas melhores práticas de modo a criar competência técnica alargada, é fundamental e urgente. </span></p>
<p class="p4"><span class="s1">A formação, a par da atratividade da profissão para os mais jovens – entenda-se mais bem remunerada em linha com a responsabilidade e a exigência subjacentes –, é uma emergência em linha com a emergência climática.</span></p>
<p class="p5"><span class="s1">1- https://www.consilium.europa.eu/pt/policies/climate-change/paris- -agreement/cop28/ </span></p>
<p class="p5"><span class="s1">[1] https://www.consilium.europa.eu/pt/policies/climate-change/paris- -agreement/cop28/ </span></p>
<p class="p5"><span class="s1">[2] Synthesis Report on the assessment of Member States&#8217; building renovation strategies (2016) </span></p>
<p class="p5"><span class="s1">[3] Energia em Números, Edição 2023 (DGEG)<br />
[4] Inventário Nacional de Emissões 2023 (APA)<br />
[5] https://www.consilium.europa.eu/pt/infographics/renovation-wave/ </span></p>
<p class="p1" style="text-align: center;"><em><strong><span class="s1">As conclusões expressas são da responsabilidade dos autores.</span></strong></em></p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/opiniao-analise/a-formacao-em-climatizacao-na-rota-da-reabilitacao-energetica/">A formação em climatização na rota da reabilitação energética</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Literacia energética a bem das CER</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/2808-literacia-energetica-a-bem-das-cer-ee147/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Isabel Sarmento]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Aug 2023 08:15:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
		<category><![CDATA[cer]]></category>
		<category><![CDATA[Isabel Sarmento]]></category>
		<category><![CDATA[literacia energética]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://edificioseenergia.pt/?p=23621</guid>

					<description><![CDATA[<p>As Comunidades de Energia Renovável (CER), cuja definição e cujo enquadramento legal estão previstos no Decreto-Lei n.º 15/2022 de 14 de janeiro, podem ser constituídas por pessoas singulares, mas também coletivas, nomeadamente pequenas e médias empresas ou...</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/2808-literacia-energetica-a-bem-das-cer-ee147/">Literacia energética a bem das CER</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_0  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
<div class="et_pb_text_inner">
<div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_0  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
<div class="et_pb_text_inner">
<p style="text-align: center;"><em>Artigo publicado originalmente na <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/nova-edicao-maio-junho-2023-como-as-cer-estao-a-reformular-o-mercado-da-energia/">edição de Maio/Junho de 2023</a> da Edifícios e Energia</em></p>
<p><span data-contrast="none">A</span><span data-contrast="none">s Comunidades de Energia Renovável (CER), cuja definição e cujo enquadramento legal estão previstos no <a href="https://files.dre.pt/1s/2022/01/01000/0000300185.pdf">Decreto-Lei n.º 15/2022 de 14 de janeiro</a>, podem ser constituídas por pessoas singulares, mas também coletivas, nomeadamente pequenas e médias empresas ou autarquias locais, e tornam possível produzir, consumir, armazenar, comprar e vender energia renovável entre membros ou terceiros.</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="none">As CER são, assim, um eixo fundamental à descarbonização e à <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/barcelona-mes-0103/">transição energética</a>, na medida em que promovem e incentivam a produção descentralizada de energia por via de fonte renovável, bem como o <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/2607-poder-as-pessoas-como-as-cer-estao-a-reformular-o-mercado-da-energia-ee147/">papel interventivo que se pretende para o cidadão comum</a> para se atingirem aqueles objetivos, enquanto agente interessado, porquanto diretamente beneficiado pela redução do seu esforço financeiro na obtenção de um mesmo serviço ou até de um melhor serviço energético.</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="none">Paralelamente, as CER são, também, pilares para a erradicação ou, pelo menos, para a minimização da <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/0707-pobreza-energetica-energia-e-desconforto-do-setor-domestico-isabel-sarmento-ee146/">pobreza energética</a> exatamente na mesma medida, ao tornarem a energia num bem ou num serviço financeiramente mais acessível ao consumidor final. Mas não podemos, nem devemos, esquecer de que tanto a erradicação da pobreza energética como a transição energética vão muito além das CER e requerem uma perspetiva integrada dos diversos fatores que concorrem para aqueles objetivos, nomeadamente a otimização do desempenho energético do edifício e dos sistemas técnicos.</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="none">Um dos fatores identificados em que <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/pobreza-energetica-nova-estrategia-em-cima-da-mesa-sera-desta/">assenta a pobreza energética</a> é a baixa literacia energética do cidadão comum, caraterizada pelo desconhecimento generalizado no que diz respeito ao setor energético e pela falta de conhecimento técnico quer sobre as soluções energeticamente mais eficientes para os edifícios e para os sistemas técnicos, quer sobre os mecanismos de apoio à implementação de boas práticas energéticas.</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="none">A <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/1008-cleanwatts-living-lab-novo-laboratorio-vivo-vai-testar-solucoes-para-criar-as-cer-do-futuro/">implementação de CER</a>, especialmente no setor residencial, pressupõe alertar o consumidor comum para a necessidade de uma efetiva transição energética, para a qual não está muitas vezes sensibilizado. Esta transição passa por aspetos tão óbvios como alterar o paradigma dos horários de utilização dos equipamentos domésticos, por exemplo, passando as máquinas de lavar roupa e louça a funcionarem em período diurno, ou por aspetos mais técnicos como sejam a substituição dos sistemas energéticos de aquecimento e de produção de água quente sanitária (AQS), quando por queima de combustível, e a eventual necessidade de armazenamento de energia, térmica e/ou elétrica, de modo a transferir-se a energia produzida para o período em que é, efetivamente, necessária.</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="none">Não sendo possível sem disrupção, por razões técnicas ou por razões puramente do negócio dos comercializadores de energia, a rede elétrica nacional pode funcionar como um grande <em>buffer</em> energético das CER do setor residencial. Isto poderá acontecer se a compra pela rede da produção excedentária de energia, quando a indústria e os serviços apresentam o máximo da procura em energia elétrica, for feita a um preço por kWh equivalente ao preço que o consumidor doméstico paga por kWh pelos consumos energéticos em contraciclo com aquela produção de energia elétrica, isto é, maioritariamente em período noturno, quando a indústria e os serviços apresentam uma baixa na procura em energia elétrica. Como tal, o armazenamento de energia, térmica e/ou elétrica, tem, efetivamente, de ser uma das variáveis a avaliar de modo a maximizar o benefício que o consumidor retira das CER; caso contrário, os consumidores poderão estar a produzir energia para fornecer à rede gratuitamente ou a muito baixo preço, com o impacto real em termos financeiros a ser diminuto para o consumidor.</span></p>
<blockquote>
<p><span class="NormalTextRun SCXW48103175 BCX0" data-ccp-parastyle="titulo_45" data-ccp-parastyle-defn="{&quot;ObjectId&quot;:&quot;ece57fed-cd52-47e1-86ea-768524b873d7|10&quot;,&quot;ClassId&quot;:1073872969,&quot;Properties&quot;:[469775450,&quot;titulo_45&quot;,201340122,&quot;2&quot;,134233614,&quot;true&quot;,469778129,&quot;titulo45&quot;,335572020,&quot;99&quot;,201342448,&quot;3&quot;,469777841,&quot;NeoSansStd-Light&quot;,469777842,&quot;NeoSansStd-Light&quot;,469777843,&quot;ＭＳ 明朝&quot;,469777844,&quot;NeoSansStd-Light&quot;,469769226,&quot;NeoSansStd-Light,ＭＳ 明朝&quot;,335551500,&quot;15907412&quot;,268442635,&quot;83&quot;,335551547,&quot;2070&quot;,335559740,&quot;959&quot;,201341983,&quot;2&quot;,335551550,&quot;3&quot;,335551620,&quot;3&quot;,134245417,&quot;false&quot;,469778324,&quot;[No Paragraph Style]&quot;]}">&#8220;</span><span class="NormalTextRun SCXW48103175 BCX0" data-ccp-parastyle="titulo_45">O fator social da sustentabilidade, presente nas políticas de transição energética, tem de ser urgentemente refletido na sociedade para que se possa potenciar o seu papel estruturante e facilitador na redução da desigualdade de acesso a um melhor serviço energético e às melhores práticas.</span><span class="NormalTextRun SCXW48103175 BCX0" data-ccp-parastyle="titulo_45">&#8220;</span></p>
</blockquote>
<p><span data-contrast="none">Do ponto de vista legislativo, as CER podem, também, abranger pequenas e médias empresas e até <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/1408-pilot-cities-reabilitacao-implementacao-de-cer-e-uma-one-stop-shop-compoem-aposta-de-guimaraes-para-os-edificios-ee147/">autarquias</a>, permitindo o desejado equilíbrio entre a procura e a oferta de proximidade e minimizando o problema acima. No entanto, na prática, muito poucas CER podem ser assim constituídas, dado o conceito de vizinhança entre membros (dois km, no caso de ligação em baixa tensão, ou quatro km, no caso de ligação em média tensão). Na prática, irá subsistir a necessidade de armazenamento de energia.</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="none">Àquele armazenamento, acresce a análise, a par da <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/2308-edificios-mais-sustentaveis-2023-programa-fundo-ambiental/">melhoria do desempenho térmico do edifício</a>, da centralização dos sistemas de climatização e de produção de AQS. Isto se não queremos manter e proliferar os sistemas individuais e pretendemos aumentar a eficiência energética, diminuindo a potência instalada e maximizando sinergias. As bombas de calor são, atualmente, os sistemas de excelência, mas tal não passa só e apenas por sistemas de expansão direta.</span></p>
<p><span data-contrast="none">O grau de complexidade (maior ou menor) da análise exigida para otimizar o propósito das CER requer, pois, que o consumidor esteja, pelo menos, alertado, para que possa procurar ajuda na tomada de decisão. Há, assim, que assegurar a necessária transmissão de conhecimento no sentido de se incrementar <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/0411-programa-rock-the-house-literacia-financeira-energetica-bairros-municipais-gebalis/">a literacia energética</a>, bem como de se tornar o processo entendível ao cidadão comum, para que este possa ser crítico quanto às crescentes ofertas de serviços energéticos de CER por diferentes entidades comercializadoras de energia. Produtos com investimento e manutenção zero (sem custos), ainda que, à partida, atrativos para particulares e condomínios, podem não ser, de facto, a melhor opção no que respeita à maximização dos benefícios para o consumidor doméstico.</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="none">Não se pretende que cada cidadão seja um <em>expert</em> em energia, mas há um mínimo de informação que é necessário facilitar ao utilizador comum, de forma simples, clara e eficaz, pois só assim este estará alertado e interessado em fazer parte da solução. O desconhecimento ou a não facilitação do acesso ao conhecimento não favorecem ninguém; pelo contrário, só promovem o desinteresse.</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="none">As empresas, grandes, médias ou pequenas, ou as autarquias têm, à partida, capacidade e até obrigação de implementarem boas práticas energéticas e, caso não tenham competência para avaliar a melhor opção, devem dispor de parte dos seus recursos para adquirirem serviços de assessoria energética que lhes permitam eleger a melhor solução em seu benefício. Mas os particulares, em especial os mais vulneráveis, os tais que se encontram em pobreza energética, têm de ser apoiados e, diria, formados para que lhes seja, efetivamente, garantido igual acesso às melhores soluções.</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="none">O fator social da sustentabilidade, presente nas políticas de transição energética, tem de ser urgentemente refletido na sociedade para que se possa potenciar o seu papel estruturante e facilitador na redução da desigualdade de acesso a um melhor serviço energético e às melhores práticas. Este caminho traduz-se quer na promoção efetiva da literacia energética do cidadão comum, quer na facilitação de serviços de consultoria energética, tendencialmente gratuitos através de subsidiação para os mais vulneráveis, no sentido de uma adequada assessoria à tomada de opção, sem esquecer, naturalmente, os mecanismos de apoio ao investimento que sempre serão necessários na otimização energética dos edifícios e sistemas técnicos.</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">Do ponto de vista concetual, as CER são, efetivamente, o caminho a seguir! Tudo a louvar! Mas à sua promoção têm de estar subjacentes a otimização energética, a transição energética da produção de energia térmica e a maximização do benefício do lado do consumidor, pois só assim será possível atingir o propósito pleno das CER, gerando benefícios ambientais, económicos e sociais.</span></p>
</div>
</div>
</div>
</div>
<p style="text-align: center;"><strong><em>As conclusões expressas são da responsabilidade dos autores.</em></strong></p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/2808-literacia-energetica-a-bem-das-cer-ee147/">Literacia energética a bem das CER</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pobreza energética: energia e (des)conforto do setor doméstico</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/0707-pobreza-energetica-energia-e-desconforto-do-setor-domestico-isabel-sarmento-ee146/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Isabel Sarmento]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Jul 2023 07:48:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
		<category><![CDATA[elpre]]></category>
		<category><![CDATA[ENLPCPE]]></category>
		<category><![CDATA[pobreza energética]]></category>
		<category><![CDATA[RNC]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://edificioseenergia.pt/?p=23045</guid>

					<description><![CDATA[<p>A pobreza energética dá uma dimensão da “não-capacidade” das famílias para manterem a sua casa adequadamente aquecida. Nunca o tema, como hoje, teve a importância devida. Infelizmente, todos os anos, em Portugal, os meios de comunicação social noticiam ...</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/0707-pobreza-energetica-energia-e-desconforto-do-setor-domestico-isabel-sarmento-ee146/">Pobreza energética: energia e (des)conforto do setor doméstico</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_0  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
<div class="et_pb_text_inner">
<div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_0  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
<div class="et_pb_text_inner">
<p style="text-align: center;"><em>Artigo publicado originalmente na edição de Março/Abril de 2023 da Edifícios e Energia</em></p>
<p><span data-contrast="none">A </span><span data-contrast="none">pobreza energética dá uma dimensão da “não-capacidade” das famílias para manterem a sua casa adequadamente aquecida.</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559740&quot;:240}"> </span><span data-contrast="none">Nunca o tema, como hoje, teve a importância devida. Infelizmente, <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/1906-a-pobreza-energetica-que-teima-em-ficar-serafin-grana-ee146/">todos os anos, em Portugal</a>, os meios de comunicação social noticiam que, devido a ocorrências relacionadas com chaminés, lareiras e braseiras, morrem pessoas numa tentativa de sobreviver ao frio que se faz sentir no interior das suas habitações. </span><span data-contrast="none"><a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/1306-diagnosticar-a-pobreza-energetica-dois-projectos-portugueses-recebem-assistencia-do-epah/">Vários fatores contribuem</a> para esta dramática situação:</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
</div>
</div>
</div>
</div>
<p>• <span class="TextRun SCXW116406616 BCX0" lang="PT-PT" xml:lang="PT-PT" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW116406616 BCX0" data-ccp-parastyle="* texto">Fraco desempenho térmico e energético das habitações;</span></span><span class="EOP SCXW116406616 BCX0" data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559685&quot;:160,&quot;335559740&quot;:240,&quot;335559991&quot;:160}"> </span></p>
<p>• <span class="TextRun SCXW198187513 BCX0" lang="PT-PT" xml:lang="PT-PT" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW198187513 BCX0" data-ccp-parastyle="* texto">Baixo rendimento das famílias;</span></span><span class="EOP SCXW198187513 BCX0" data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559685&quot;:160,&quot;335559740&quot;:240,&quot;335559991&quot;:160}"> </span></p>
<p>• <span class="TextRun SCXW16576379 BCX0" lang="PT-PT" xml:lang="PT-PT" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW16576379 BCX0" data-ccp-parastyle="* texto" data-ccp-parastyle-defn="{&quot;ObjectId&quot;:&quot;af52f327-dcbc-428d-b71b-abb12c08209b|9&quot;,&quot;ClassId&quot;:1073872969,&quot;Properties&quot;:[469775450,&quot;* texto&quot;,201340122,&quot;2&quot;,134233614,&quot;true&quot;,469778129,&quot;texto0&quot;,335572020,&quot;99&quot;,201342448,&quot;3&quot;,469777841,&quot;Dax-Light&quot;,469777842,&quot;Dax-Light&quot;,469777843,&quot;ＭＳ 明朝&quot;,469777844,&quot;Dax-Light&quot;,469769226,&quot;Dax-Light,ＭＳ 明朝&quot;,335551500,&quot;0&quot;,268442635,&quot;19&quot;,335551547,&quot;2070&quot;,335559740,&quot;240&quot;,201341983,&quot;2&quot;,335551550,&quot;6&quot;,335551620,&quot;6&quot;,134245417,&quot;false&quot;,469778324,&quot;[No Paragraph Style]&quot;]}">Elevado custo da energia;</span></span></p>
<p>• <span class="TextRun SCXW39521787 BCX0" lang="PT-PT" xml:lang="PT-PT" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW39521787 BCX0" data-ccp-parastyle="* texto" data-ccp-parastyle-defn="{&quot;ObjectId&quot;:&quot;af52f327-dcbc-428d-b71b-abb12c08209b|9&quot;,&quot;ClassId&quot;:1073872969,&quot;Properties&quot;:[469775450,&quot;* texto&quot;,201340122,&quot;2&quot;,134233614,&quot;true&quot;,469778129,&quot;texto0&quot;,335572020,&quot;99&quot;,201342448,&quot;3&quot;,469777841,&quot;Dax-Light&quot;,469777842,&quot;Dax-Light&quot;,469777843,&quot;ＭＳ 明朝&quot;,469777844,&quot;Dax-Light&quot;,469769226,&quot;Dax-Light,ＭＳ 明朝&quot;,335551500,&quot;0&quot;,268442635,&quot;19&quot;,335551547,&quot;2070&quot;,335559740,&quot;240&quot;,201341983,&quot;2&quot;,335551550,&quot;6&quot;,335551620,&quot;6&quot;,134245417,&quot;false&quot;,469778324,&quot;[No Paragraph Style]&quot;]}">Desigualdade no acesso à energia;</span></span></p>
<p><span class="TextRun SCXW63298306 BCX0" lang="PT-PT" xml:lang="PT-PT" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW63298306 BCX0" data-ccp-parastyle="* texto">• Baixa <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/1805-coopernico-promove-visitas-domiciliarias-gratuitas-para-combater-pobreza-energetica-powerpoor/">literacia energética</a>.</span></span><span class="EOP SCXW63298306 BCX0" data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559685&quot;:160,&quot;335559740&quot;:240,&quot;335559991&quot;:160}"> </span></p>
<p><span data-contrast="none">Ao estar, agora e bem, a pobreza energética na ordem do dia, parece-me interessante olhar para alguns indicadores, a partir dos dados que são divulgados e que nos podem fazer refletir sobre o muito que há a fazer para a mitigação do problema.</span></p>
<p><span data-contrast="none">A vertente social da sustentabilidade pressupõe assegurar, ou pelo menos melhorar, a qualidade de vida das populações. E melhorar a qualidade de vida das pessoas é, também, garantir-lhes conforto e que esta melhoria seja feita em segurança.</span></p>
<figure id="attachment_23357" aria-describedby="caption-attachment-23357" style="width: 414px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23357  alignright" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Screenshot-2023-07-03-at-16.28.20.png" alt="" width="414" height="289" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Screenshot-2023-07-03-at-16.28.20.png 1348w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Screenshot-2023-07-03-at-16.28.20-300x210.png 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Screenshot-2023-07-03-at-16.28.20-1024x716.png 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Screenshot-2023-07-03-at-16.28.20-768x537.png 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Screenshot-2023-07-03-at-16.28.20-610x426.png 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Screenshot-2023-07-03-at-16.28.20-1080x755.png 1080w" sizes="(max-width: 414px) 100vw, 414px" /><figcaption id="caption-attachment-23357" class="wp-caption-text"><strong>Figura 1 &#8211;</strong> População portuguesa que vive em situação de pobreza energética e outros. Fonte: <em>Estratégia Nacional de Longo Prazo para o Combate à Pobreza Energética 2021-2050.</em></figcaption></figure>
<p><span data-contrast="none">A <a href="https://www.iea.org/">Agência Internacional de Energia</a> estima que cerca de dois mil milhões de pessoas em todo o mundo vivem em situação de pobreza energética, sendo que, na União Europeia, esse valor varia entre 50 e 125 milhões de pessoas. Isto é, entre 11 % e 28 % dos <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/0603-estrategia-combate-pobreza-energetica-melhoria/">europeus vivem em pobreza energética</a>.</span></p>
<p><span data-contrast="none">Já em Portugal, estima-se que haja entre 1,9 a três milhões de pessoas em pobreza energética, ainda que em diferentes patamares (Figura 1).</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span><span data-contrast="none">Daí resulta que, pelo menos, entre 20 a 30 % dos portugueses vivem em situação de desconforto, o que revela a importância da<em> Estratégia Nacional de Longo Prazo para o Combate à Pobreza Energética 2021-2050</em>, ao estabelecer objetivos e estratégias com vista a mitigar a atual realidade.</span></p>
<p><span data-contrast="none">A<em><a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/pobreza-energetica-da-estrategia-nacional-a-acao-local-adeporto-ee146/"> Estratégia Nacional</a> de Longo Prazo para o Combate à Pobreza Energética 2021-2050</em> assenta em:</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p>• <span data-contrast="none">reforço da eficiência energética das habitações;</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559685&quot;:160,&quot;335559740&quot;:240,&quot;335559991&quot;:160}"> </span></p>
<p>• <span data-contrast="none">promoção de mecanismos de proteção e apoio ao consumidor;</span></p>
<p>• <span data-contrast="none">reforço das dinâmicas de informação;</span></p>
<p>• <span data-contrast="none">promoção de e apoio a projetos piloto com caráter inovador e à adoção de novas tecnologias.</span></p>
<p><span class="TextRun SCXW18714181 BCX0" lang="PT-PT" xml:lang="PT-PT" data-contrast="none"><span class="NormalTextRun SCXW18714181 BCX0" data-ccp-parastyle="* texto" data-ccp-parastyle-defn="{&quot;ObjectId&quot;:&quot;af52f327-dcbc-428d-b71b-abb12c08209b|9&quot;,&quot;ClassId&quot;:1073872969,&quot;Properties&quot;:[469775450,&quot;* texto&quot;,201340122,&quot;2&quot;,134233614,&quot;true&quot;,469778129,&quot;texto0&quot;,335572020,&quot;99&quot;,201342448,&quot;3&quot;,469777841,&quot;Dax-Light&quot;,469777842,&quot;Dax-Light&quot;,469777843,&quot;ＭＳ 明朝&quot;,469777844,&quot;Dax-Light&quot;,469769226,&quot;Dax-Light,ＭＳ 明朝&quot;,335551500,&quot;0&quot;,268442635,&quot;19&quot;,335551547,&quot;2070&quot;,335559740,&quot;240&quot;,201341983,&quot;2&quot;,335551550,&quot;6&quot;,335551620,&quot;6&quot;,134245417,&quot;false&quot;,469778324,&quot;[No Paragraph Style]&quot;]}">O reforço da eficiência energética das habitações pressupõe, desde logo, a melhoria da qualidade térmica da envolvente do parque residencial, que, de um modo geral, é antigo e de fraca qualidade térmica. Tendo por base o <em>Inquérito ao Consumo de Energia no Sector Doméstico</em> (ICESD 2020), realizado pelo Instituto Nacional de Estatística, conclui-se que (Figura 2):</span></span><span class="EOP SCXW18714181 BCX0" data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p>• <span data-contrast="none">55 % do parque construído, correspondente a 290 km²</span><span data-contrast="none"> de habitação, não foi objeto de qualquer requisito térmico à sua envolvente, já que foi construído antes da publicação do primeiro RCCTE [Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios &#8211; <a href="https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/40-1990-334611">Decreto de Lei n.º 40/1990, de 6 de Fevereiro</a>]</span><span data-contrast="none">;</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559685&quot;:160,&quot;335559740&quot;:240,&quot;335559991&quot;:160}"> </span></p>
<p>• <span data-contrast="none">100 % do parque construído, equivalente a 529 km²</span><span data-contrast="none"> de habitação, não cumprirá com o requisito NZEB [edifícios de habitação de necessidades quase nulas de energia]</span><span data-contrast="none">, um dos objetivos da <em>Estratégia de Longo Prazo de Renovação de Edifícios</em> (ELPRE).</span></p>
<p><span data-contrast="none">O <em>Plano de Recuperação e Resiliência</em> (PRR) destina à promoção da eficiência energética de edifícios, nos próximos cinco anos, 300 milhões de euros (Investimento TC-C13-i01). Se, em termos absolutos, este valor parece muito, já em termos relativos resulta em:</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p>• <b></b> <span data-contrast="none">1,94 euros /m²</span><span data-contrast="none">, para 53,6 % de área do parque construído até 1990, provavelmente, aquele que está afeto aos três milhões da população com algum grau de pobreza energética;</span></p>
<p><span data-contrast="none">• 1,65 euros /m²</span><span data-contrast="none">, considerando 50 % da área do edificado habitacional prevista a ser renovada até 2030 no âmbito da ELPRE;</span></p>
<p><span data-contrast="none">• 0,62 euros /m²</span><span data-contrast="none">, tomando em consideração o parque construído até 2005; ou</span></p>
<p><span data-contrast="none">• 0,57 euros /m²</span><span data-contrast="none">, tomando em consideração o parque construído até 2021 (até esta data, não há NZEB).</span></p>
<figure id="attachment_23338" aria-describedby="caption-attachment-23338" style="width: 516px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23338  aligncenter" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Isabel-Sarmento-2-scaled.jpg" alt="" width="633" height="291" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Isabel-Sarmento-2-scaled.jpg 1200w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Isabel-Sarmento-2-300x138.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Isabel-Sarmento-2-1024x471.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Isabel-Sarmento-2-768x353.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Isabel-Sarmento-2-1536x706.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Isabel-Sarmento-2-2048x941.jpg 2048w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Isabel-Sarmento-2-610x280.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Isabel-Sarmento-2-1080x496.jpg 1080w" sizes="(max-width: 633px) 100vw, 633px" /><figcaption id="caption-attachment-23338" class="wp-caption-text"><strong>Figura 2 &#8211;</strong> Estado do parque edificado português. Fonte: Dados ICESD 2020 (adaptação)</figcaption></figure>
<p><span data-contrast="none">Analisando estas possibilidades, o valor do PRR para a eficiência energética de edifícios parece, de todo, insuficiente, em qualquer dos cenários! Ainda mais, tomando em conta, apenas, a reabilitação da envolvente. Mas a eficiência energética das habitações pressupõe, também, reabilitar ou, até, dotar as habitações de sistemas de aquecimento energeticamente eficientes e em linha com a tão ambicionada descarbonização dos edifícios.</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="none">Apesar de o aquecimento ambiente estar presente na quase totalidade das habitações portuguesas, dificilmente tal significa estar em conforto térmico, como, facilmente, se pode depreender pelo tipo de sistemas em aquecimento que equipam os alojamentos (Figura 3).</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="none">Efetivamente, apenas 16,6 % dos alojamentos terão, à partida, garantia de conforto em todos os seus espaços, ao serem dotados de um sistema de aquecimento centralizado. Os demais 83 % são caraterizados por possuírem sistemas individuais que garantirão apenas algum conforto no espaço onde se localizam. Alojamentos haverá que nada terão e o arrefecimento ambiente, quando assegurado, é 60 % promovido por ventoinhas.</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="none">Ainda de acordo com os dados ICDES 2020, 81,2 % da energia para aquecimento é biomassa, da qual 92 % é lenha e apenas 18,8 % da energia para aquecimento tem origem fóssil. Disto resulta que 75 % do aquecimento ambiente dos alojamentos em Portugal é assegurado por lenha (o que nos leva ao início deste texto) e apenas 2,7 % do aquecimento ambiente é assegurado por gás natural.</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="none">Por seu lado, o <em>Roteiro para a Neutralidade Carbónica</em> proposto para Portugal, com vista à transição energética, tem como meta atingir essa neutralidade em 2050. No caso do setor residencial, aquela neutralidade tem como objetivos:</span></p>
<p><span data-contrast="none">• </span>a eletrificação dos sistemas de aquecimento e arrefecimento;</p>
<p><span data-contrast="none">• </span>a redução do consumo energético;</p>
<p><span data-contrast="none">• </span>a redução das emissões de gases com efeito de estufa.</p>
<figure id="attachment_23337" aria-describedby="caption-attachment-23337" style="width: 722px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23337  aligncenter" src="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Isabel-Sarmento-3-scaled.jpg" alt="" width="722" height="187" srcset="https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Isabel-Sarmento-3-scaled.jpg 1200w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Isabel-Sarmento-3-300x78.jpg 300w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Isabel-Sarmento-3-1024x265.jpg 1024w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Isabel-Sarmento-3-768x199.jpg 768w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Isabel-Sarmento-3-1536x398.jpg 1536w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Isabel-Sarmento-3-2048x531.jpg 2048w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Isabel-Sarmento-3-610x158.jpg 610w, https://edificioseenergia.pt/wp-content/uploads/2023/07/Isabel-Sarmento-3-1080x280.jpg 1080w" sizes="(max-width: 722px) 100vw, 722px" /><figcaption id="caption-attachment-23337" class="wp-caption-text"><strong>Figura 3 &#8211;</strong> Alojamentos em Portugal com sistema de aquecimento ambiente por tipo. Fonte: Dados ICESD 2020.</figcaption></figure>
<p><span data-contrast="none">Há muito a reabilitar no setor doméstico: não só na envolvente dos edifícios, mas, também, ao nível dos sistemas de aquecimento e arrefecimento ambiente que os equipam ou que os alojamentos, maioritariamente, não detêm. Pelo que dúvidas quanto à suficiência do valor estabelecido à promoção da eficiência energética de edifícios residenciais, tomando em consideração apenas a sua envolvente, se existirem, desvanecem quando avaliamos as necessidades de intervenção ao nível dos sistemas de aquecimento ambiente – já para não falar dos sistemas de produção de água quente sanitária!</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="none">Mas, tomando como fundamental a <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/0506-pobreza-energetica-projeto-reverter-combate-ee146/">reabilitação energética dos edifícios</a>, importa perceber o peso do custo da energia no rendimento das famílias. Tendo, ainda, por base o ICESD 2020, a despesa média anual em energia por alojamento ascendia, a preços de 2020, a 1 080 euros, o que, em função da atividade profissional, rondava entre 1 e 1,4 vezes o rendimento mensal de um trabalhador por conta de outrem, valores que, necessariamente, já foram ultrapassados, com a atualização em alta dos preços da energia e a estagnação dos ordenados. Tal representa um elevado esforço financeiro àqueles que poucos recursos têm.</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<blockquote>
<p><span data-contrast="none">&#8220;Em suma, não bastará reabilitar energeticamente o edificado residencial. Há que garantir acesso às melhores fontes de energia e a custos comportáveis para as famílias. As famílias portuguesas “vivem em ausência de conforto”, de facto, e não só nas suas casas!&#8221;</span></p>
</blockquote>
<p><span data-contrast="none">Dessa despesa, 25 % (ICESD 2020) </span><span data-contrast="none">é associada ao aquecimento ambiente, ainda que, como já concluído, o conforto não seja assegurado será, antes, para garantir um mínimo que permita a sobrevivência. Ora, a ser assim, o reabilitar só por si, ainda que reduza a despesa energética para uma situação de conforto pleno e melhore significativamente o conforto das habitações, poderá não ser suficiente. A realidade é que a fatura energética dos agregados familiares terá tendência a aumentar se se pretender o pleno conforto, o que será incomportável.</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="none">A desigualdade no acesso a fontes de energia é, também, um problema, já que apenas 27,9 % dos alojamentos têm acesso a gás natural, enquanto 99,7 % dos alojamentos têm acesso a eletricidade.</span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="none">Em suma, não bastará reabilitar energeticamente o edificado residencial. Há que garantir acesso às melhores fontes de energia e a custos comportáveis para as famílias. As famílias portuguesas “vivem em ausência de conforto”, de facto, e não só nas suas casas! </span><span data-ccp-props="{&quot;134245417&quot;:false,&quot;201341983&quot;:2,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:170,&quot;335559740&quot;:240}"> </span></p>
<p><span data-contrast="auto">A realidade do desconforto em Portugal é bem mais alargada. É recorrente lermos manchetes a referirem que “crianças levam mantas para a escola para enganar o frio” (<em>Lusa</em>, 22 de janeiro de 2022) ou “julgamentos a decorrer ao frio em tribunal (…)” (<em>Jornal da tarde, RTP</em>, 15 de janeiro de 2023). Ou seja, o próprio Estado, a quem cabe a responsabilidade social de assegurar a qualidade de vida das populações, também não garante o conforto em muitos dos seus edifícios.  </span><span data-ccp-props="{}"> </span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>As conclusões expressas são da responsabilidade dos autores.</em></strong></p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/0707-pobreza-energetica-energia-e-desconforto-do-setor-domestico-isabel-sarmento-ee146/">Pobreza energética: energia e (des)conforto do setor doméstico</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Os desafios que os nZEB apresentam aos Engenheiros de Climatização</title>
		<link>https://edificioseenergia.pt/noticias/desafio-nzeb-1909/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Isabel Sarmento]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Sep 2022 10:31:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião/Análise]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://edificioseenergia.pt/?p=19176</guid>

					<description><![CDATA[<p>O conceito de nZEB (em português, edifício com necessidades quase nulas de energia) foi introduzido em 2010 pela Diretiva Europeia para o Desempenho Energético ...</p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/desafio-nzeb-1909/">Os desafios que os nZEB apresentam aos Engenheiros de Climatização</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_0  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
<div class="et_pb_text_inner">
<div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_0  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
<div class="et_pb_text_inner">
<p style="text-align: center;"><em>Artigo publicado originalmente na edição de Julho/Agosto de 2022 da Edifícios e Energia¹</em></p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
</div>
</div>
</div>
<p>O conceito de nZEB (em português, edifício com necessidades quase nulas de energia) foi introduzido em 2010 pela Diretiva Europeia para o Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD, 2010) e definido como “um edifício com um desempenho energético muito elevado (&#8230;) As necessidades de energia quase nulas ou muito pequenas deverão ser cobertas em grande medida por energia proveniente de fontes renováveis (&#8230;)”.</p>
<p>Entretanto, a 15 de dezembro de 2021, a Comissão Europeia, na publicação das suas recomendações com vista à nova revisão da EPBD, reforça a necessidade de alcançar um desempenho energético muito elevado para os edifícios, quer em novas construções, quer na renovação do parque edificado, como meio para alcançar a redução de, pelo menos, 55 % das emissões de gases com efeito de estufa até 2030 e atingir o objetivo maior da neutralidade climática até 2050.</p>
<p>Os desafios que os nZEB apresentam aos Engenheiros de Climatização são muitos e transversais à profissão. Ainda que, nesta fase, em Portugal, os nZEB se cinjam aos novos edifícios, não é só aos projetistas de sistemas de climatização (AVAC) que o desafio se coloca; este abrange, também, os PQ &#8211; Peritos Qualificados (muitos deles, e, em especial, os PQ II, são engenheiros de climatização) e os fabricantes de equipamentos, passando, necessariamente, pela instalação e, posteriormente, pela condução, monitorização e manutenção. Efetivamente, não basta que um edifício seja nZEB no projeto; é necessário garantir que este assim continua após a obra e também durante a sua utilização.</p>
<p>Face ao atual paradigma da transição energética com vista à neutralidade climática do espaço da comunidade europeia, identifico quatro desafios principais, que estão subjacentes à Climatização nos nZEB, agrupando-os em quatro áreas:</p>
<p>• Eficiência Energética;</p>
<p>• Transição energética;</p>
<p>• Neutralidade carbónica;</p>
<p>• Análise custo-benefício.</p>
<p>A eficiência energética dos sistemas AVAC é um dos objetivos a assegurar, também, para alcançar o nZEB. Mas a simples utilização de equipamentos ou de soluções eficientes não transforma um qualquer edifício num edifício com necessidades quase nulas de energia. Eficiência energética é sinónimo de menos e de melhor utilização de energia. Pelo que, antes de mais, há que garantir que o edifício per si apresenta reduzidas necessidades também em climatização ativa, e, para tal, há que otimizar a performance passiva do edifício, além de otimizar a performance energética dos grandes utilizadores de energia nos edifícios, como são a iluminação e os equipamentos.</p>
<p>A otimização da performance energética do edifício passa necessariamente por adequar o edifício ao clima.</p>
<h4>Quatro desafios</h4>
<p>O edifício é o primeiro sistema a otimizar e este será o primeiro desafio que se coloca à Engenharia de Climatização, e que passa por identificar as estratégias de climatização passivas que ajudarão a reduzir as necessidades em climatização por recurso a sistemas energéticos. Cumpre, ainda, assessorar a arquitetura à sua implementação.</p>
<p>Essas estratégias dependem do clima e, naturalmente, do tipo de edifício, sendo muitas vezes mais fáceis e adequadas aos edifícios de habitação, mas não deixam de ser aplicáveis/adaptáveis a edifícios de comércio e serviços. Entre outras, passam por incrementar: os ganhos solares, como forma de diminuir as necessidades em aquecimento, ou a ventilação natural, como forma de garantia da qualidade do ar interior (QAI) sem recurso a sistemas mecânicos, devendo estes ser encarados como a alternativa quando as condições climatéricas induzem a desconforto, mas também como forma de minimizar as necessidades de arrefecimento, aproveitando o gradiente térmico entre o exterior e o interior para libertar o edifício de calor acumulado e excedentário. Ainda com o objetivo de diminuir as necessidades em arrefecimento, temos as coberturas e as paredes verdes, que, através da evapotranspiração, permitem que o ar circundante ao edifício, e que serve à ventilação natural, seja mais fresco.</p>
<p>Após a otimização do edifício, surge a necessidade de definir os sistemas que melhor se adequam aos requisitos do edifício, nomeadamente aos seus requisitos de conforto, de ventilação, mas, também, de utilização e zonamento.</p>
<p>No entanto, ao estarmos perante sistemas mecânicos de climatização, por muito reduzidas que sejam as necessidades, há que providenciar energia térmica. Aqui apresenta-se o segundo desafio, na medida em que há que responder à mudança de paradigma energético, adotando soluções que contribuam para a descarbonização dos edifícios e que passam, necessariamente, pela eletrificação, existindo também outras alternativas que devem ser encaradas, tais como a recuperação de calor, o hidrogénio, o arrefecimento evaporativo, a par da utilização de equipamentos que utilizem fluidos frigorigéneos com reduzido índice de GWP (<em>Global Warming Potencial</em>).</p>
<p>No imediato, a bomba de calor passou a ser o equipamento de excelência, ainda que a seleção da tecnologia e da fonte de calor deva ser cuidada. Sabemos que os sistemas de expansão direta têm elevada eficiência e não necessitam de auxiliares de bombagem, mas, em contrapartida, envolvem uma muito maior quantidade de fluido frigorigéneo e estes têm limites de segurança a cumprir – a par disso, há ainda que ter em conta que o que hoje é verdade quanto ao GWP, pode não o ser amanhã (temos exemplos bem recentes desta realidade!). Depois escolher a fonte energética – o ar, a água, a geotermia, sendo que esta última requer algum cuidado em especial no que respeita à saturação ou ao stress térmico do solo. Outra das vantagens da tecnologia bomba de calor é a sua componente de energia renovável que concorre para a meta nZEB.</p>
<p>O recurso a coletores solares térmicos ou a utilização de calor excedentário de processos industriais, sempre que disponível, deve ser explorado, permitindo suprir necessidades de aquecimento e também de arrefecimento por via chillers de absorção. De modo idêntico, se deve explorar o recurso à cogeração ou trigeração, ainda que com recurso a motores alimentados por biocombustíveis.</p>
<p>O arrefecimento evaporativo, tecnologia muito utilizada anteriormente na climatização da indústria têxtil, apresenta como grande vantagem a não utilização de fluidos frigorigéneos, podendo ser utilizado de modo direto ou indireto por intermédio de permuta de calor.</p>
<p>Entretanto, outros sistemas emergentes podem e devem ser explorados, ainda que requeiram maturação para produção em série, como são os casos das células de combustível (promovendo a geração de calor e eletricidade) e, ainda, das caldeiras a hidrogénio. Naturalmente que, depois, se associam todas as tecnologias de variação de potência e de caudal de água e de ar que permitem outro patamar de eficiência.</p>
<p>Minimizadas as necessidades, selecionadas as melhores soluções e tecnologias, o desafio que se segue é a neutralidade carbónica dos sistemas AVAC. Para tal, há que assegurar que a energia requerida é de origem renovável, quer seja térmica como base de apoio tanto ao aquecimento, como à produção de água quente sanitária (AQS), quer seja fotovoltaica para alimentação das bombas de calor, quer seja ainda pelo recurso à queima de biomassa (embora esta levante algumas questões que têm de ser ponderadas, nomeadamente a libertação de partículas que contribuiem fortemente para a má qualidade do ar) em caldeiras ou salamandras ou lareiras, estas com possibilidade de recuperação de calor para água a alimentar radiadores ou pavimentos radiantes, por exemplo. Ou, ainda menos corrente, o recurso a energia eólica ou à geotermia de alta/média entalpia, sempre que disponível.</p>
<p>O quarto desafio identificado é o da avaliação da relação custo-benefício das diversas estratégias identificadas como potenciais soluções a adotar ao edifício, isto porque cada edifício (e cada projeto) é um caso.</p>
<p>As ferramentas de simulação energética dinâmica têm de ser utilizadas de modo generalizado, quer para o dimensionamento, quer para a quantificação do impacto energético de cada medida/opção per si, quer para o conjunto da sua aplicação, contrapondo a poupança energética ao aumento do primeiro investimento – isto sem abordar a análise do ciclo de vida, que é um outro problema muito mais complexo, mas que não deve ser esquecido.</p>
<p>Não restam dúvidas de que os nZEB são um desafio à Engenharia da Climatização, porém, esta pode contribuir de forma assertiva para o seu cumprimento ao:</p>
<p>• identificar estratégias de climatização passiva, reduzindo as necessidades energéticas em climatização;</p>
<p>• adotar soluções/equipamentos eficientes e que concorram para a descarbonização dos edifícios;</p>
<p>• promover a integração de energia de fontes renováveis;</p>
<p>• avaliar o impacto energético e ambiental das hipóteses de solução identificadas.</p>
<p>Tudo isto sem esquecer, naturalmente, a importância de uma correta instalação e do estabelecimento da adequada condução do edifício e dos seus sistemas técnicos, mediante a implementação de sistemas de automação e controlo (SACE), que, posteriormente, serão um auxiliar à correta gestão e manutenção.</p>
<p>No entanto, a meta dos nZEB, na qual se incluem a elevada eficiência energética, a utilização das melhores tecnologias e o recurso a energia de fontes renováveis, só é alcançável com uma abordagem integrada, desde a arquitetura, aos sistemas técnicos, à construção/instalação, à condução, à monitorização, à manutenção. Não pode ser um conjunto de medidas avulso!</p>
<p>Eis, então, que outro desafio se coloca também à engenharia de Climatização: tomando como exemplo a prática de outros países, a introdução do papel de um “Consultor Energético” (não o PQ, pois esse é o garante do cumprimento regulamentar) para uma visão holística do edifício e dos seus sistemas. Este será responsável por definir a estratégia energética para o edifício, devendo estar colocado ao nível do promotor, não só para o “educar”, mas para estabelecer, com este, quão ambiciosa pode ou deve ser a abordagem energética, identificando rácios ótimos de custo-benefício e fazendo a ponte com a equipa de projeto, para que esta esteja alinhada com o objetivo global, e, posteriormente, o comissionamento, acompanhando a construção/instalação e a colocação em funcionamento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>1- Baseado na apresentação ao Workshop (online, 22 abril de 2022) promovido pelo LNEG e inserido no projeto europeu Enhancing Market Readiness For nZEB Implementation.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>As conclusões expressas são da responsabilidade dos autores.</em></strong></p>
<p>O conteúdo <a href="https://edificioseenergia.pt/noticias/desafio-nzeb-1909/">Os desafios que os nZEB apresentam aos Engenheiros de Climatização</a> aparece primeiro em <a href="https://edificioseenergia.pt">Edificios e Energia</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
