2018-10-03
Envelhecimento do parque edificado suburbano pode trazer problemas para a saúde, apura relatório
David Alvito

Viver fora da grande cidade, longe da confusão e com mais espaço, é, para muitos, um ideal, no entanto, o envelhecimento do parque edificado nas zonas suburbanas pode ser uma ameaça à promessa de mais qualidade de vida e trazer implicações negativas para a saúde.

 

As áreas suburbanas estão na linha da frente das preocupações com problemas de saúde causados pelo envelhecimento das habitações. A conclusão é do estudo “Healthy Homes Barometer 2018”, elaborado pelo Velux Group e apresentado na semana passada em Bruxelas, na Bélgica.

 

Os subúrbios das cidades europeias cresceram mais 54 % do que os espaços urbanos, entre 1961 e 2011, e são compostos, em cerca de 62 % por residências unifamiliares. Segundo o barómetro, os imóveis para famílias unifamiliares são 33% mais susceptíveis de terem residentes com problemas de saúde do que imóveis multifamiliares (nomeadamente blocos de apartamentos).

 

Para muitos europeus, viver nos subúrbios continua a ser um sonho, aliado à promessa de deixar a confusão das grandes cidades à procura de mais espaço, custos mais baixos e uma melhor qualidade de vida. Mas muitas das habitações disponíveis são antigas e mais propícias ao desenvolvimento de problemas de saúde nos seus ocupantes.

 

“Na Europa, nas últimas seis décadas, os subúrbios cresceram a um ritmo superior relativamente aos espaços urbanos. O estudo deste ano demonstra a importância que os espaços urbanos têm na procura de um parque de edifícios saudáveis. Corremos o risco de ignorar a sua importância. É preciso agir para tomar medidas necessárias de modo a ir ao encontro das preocupações climáticas das populações. Nos subúrbios europeus, podemos estar a perder uma oportunidade de ouro”, afirma David Briggs, CEO do VELUX Group.

 

De acordo com o documento, existe capacidade financeira para levar a renovação aos níveis necessários. Apesar de algumas barreiras que podem impedir alguns proprietários de avançar para as necessárias obras de renovação, os benefícios a longo prazo das remodelações são claros: fazer as obras adequadas, elevando o nível habitacional para patamares aceitáveis, poderá levar a um custo global de cerca de 295 mil milhões de euros, ao passo que deixar as habitações desadequadas terá um custo anual de 194 mil milhões de euros às economias europeias.

 

O “Healthy Homes Barometer 2018” compreende uma nova análise da base de dados do Eurostat, desenvolvida pela Ecofys, uma empresa de consultoria nas áreas da energia sustentável, e que pertence à Navigant Company, juntamente com novas investigações do Fraunhofer IBP, complementadas com informação disponível e já publicada.

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