2018-03-08
Negócio melhora, mas solar térmico continua esquecido
Filipa Cardoso

Sem dados que ilustrem o que tem sido o desempenho do sector nacional nos últimos tempos, a energia solar térmica vai-se mantendo discreta em Portugal, mas o negócio, segundo os agentes do mercado, parece ter melhorado.

 

Com os holofotes voltados para a eficiência energética, pouco se tem ouvido falar da energia solar térmica. Sem números fechados relativos a 2016 e 2017, é difícil medir o impacto que a retoma económica, a recuperação da actividade do mercado da construção e reabilitação urbana e o crescente turismo estão a ter no sector, mas, segundo algumas das marcas, os efeitos são, pelo menos, positivos e espera-se que assim continue em 2018.


Numa auscultação ao mercado, as empresas dão conta de resultados positivos no ano que agora encerra. “Foi bastante positivo, com um excelente crescimento”, avança Miguel Gomes, gestor de produto da Canalcentro, destacando, em particular, a actividade da delegação da empresa no Algarve, que alcançou um “excelente crescimento sustentável no solar térmico”.


Victor Júlio, director da Baxi, sublinha que este é “um mercado que segue a sua própria dinâmica, potenciado com a aposta das marcas em colocar produtos de maior nível de qualidade a preços cada vez mais interessantes”. Esta tem sido, pelo menos, a estratégia da Baxi, que, segundo Victor Júlio, tem mantido a determinação na “democratização do solar térmico”.

Para a parceria Viessmann/Termomat, 2017 foi também de crescimento, mas “abaixo” das previsões e expectativas. “Sentimos que algo tem de ser feito urgentemente para promover tão importante sector”, referem, dando nota de que, para a meta a que o país se propôs chegar em 2020 (mais de 2 milhões de m2 de área instalada acumulada), “há ainda um grande caminho a percorrer”.


Nos últimos tempos, a reabilitação urbana e o turismo têm sido as grandes alavancas nos mercados da construção e imobiliário, o que teve reflexos no mercado solar. “Foram praticamente a garantia de trabalho nos últimos anos”, relata o gestor da Baxi, ressalvando, no entanto, que é natural que, “nesta nova fase da evolução e retoma da construção, comece a ter menos peso”.


No que se refera à reabilitação, é nas duas maiores cidades do país, Lisboa e Porto, que a actividade está concentrada, o que significa que nem sempre se considera a energia solar térmica como a solução a instalar. “Na maior parte dos casos”, relata Miguel Gomes, “a reabilitação insere-se apenas na instalação de novas tubagens (águas e esgotos) e um termoacumulador eléctrico ou esquentador ou caldeiras e, claro, o ar condicionado”. A energia solar térmica “só mesmo nas periferias é que é uma aposta”, conta. De entre as razões para os bons resultados, o gestor de produto da Canalcentro destaca o turismo, em particular o turismo rural. “No entanto e de forma ainda tímida, já se sente a preferência de alguns hotéis em optarem pelo solar térmico nos grandes centros urbanos”.


No caso da Viessmann/Termomat, mais do que a reabilitação, é também o turismo que está a impactar os resultados da marca em Portugal – isto porque “muito dificilmente conseguimos instalar solar em apartamentos”. Ao sector continua a faltar um “apoio incondicional do Governo a programas de incentivo de utilização de energia solar, como, por exemplo, as reduções fiscais”, explanam as responsáveis.


Quando se fala em obstáculos ao mercado, as respostas mantêm-se semelhantes a anos anteriores. A redução do IVA dos equipamentos de energias renováveis, que, desde 2012, apresenta a taxa máxima de 23 %, é uma reivindicação já conhecida e que Miguel Gomes recupera – “de entre as barreiras que existem, destacamos o valor altíssimo do IVA sobre os produtos”. Por seu lado, Victor Júlio, que tem também estado à frente da APISOLAR no que ao solar térmico diz respeito, lamenta a “total ausência de promoção ou comunicação positiva e informativa por parte da tutela”.

Remover estas barreiras, num momento em que o índice de confiança dos portugueses aumentou e em que a descarbonização e a eficiência energética estão na ordem do dia, poderia ser a alavanca necessária a uma tecnologia com provas dadas e que utiliza um recurso energético tão abundante em Portugal, como é o solar. Mas o impulso teria de vir de cima, defende a Viessmann/Termomat: “Vivemos numa era em que o consumidor tem consciência da importância da energia renovável, no entanto, um tema fundamental de sustentabilidade ambiental não pode estar nas mãos dos consumidores, é necessário e urgente definir uma política energética para o sector”.


Sem dados oficiais para medir o mercado

Os últimos números anuais fechados divulgados pela APISOLAR - Indústria Portuguesa da Energia Solar dizem respeito a 2015 e, nessa altura, as novas instalações continuavam a cair (-9 %, com a nova área instalada a ficar-se nos 46 mil m2). Para 2016, estava previsto um ligeiro crescimento face ao ano anterior (55 mil m2), mas não houve confirmação deste valor. Do mesmo modo, não há ainda registo do que foi instalado no primeiro semestre de 2017. Sobre o assunto, Victor Júlio, presidente para o solar térmico da APISOLAR, explicou à Edifícios e Energia que “os inquéritos lançados não puderam ser encerrados”.

Recorde-se que, em 2020, Portugal esperava ter cerca de dois milhões de metros quadrados de área de colectores de energia solar térmica instalados. Os últimos dados disponíveis da APISOLAR - Indústria Portuguesa da Energia Solar apontavam para que estivessemos perto dos 1,2 milhões em 2016.

Expectativas e novidades das marcas para 2018


Canalcentro: “Antevemos a continuação de um crescimento sustentável, baseado no conhecimento e apoio técnico/comercial de todos os funcionários da Canalcentro para com os seus parceiros. Vamos continuar a apostar na área de Marketing. E não podia deixar de mencionar a importância dos Gabinetes de Projetistas em relação aos nossos produtos/soluções, nomeadamente nas soluções mistas, nas quais podemos conjugar vários tipos de equipamentos num só acumulador Pro- Clean (solar/piso radiante/bomba calor/recuperador de calor e chiller). As novas soluções passam pelo aumento da capacidade dos acumuladores PRO – CLEAN (AQS instantâneas e apoio aquecimento central), os quais passam a ter até 10 mil litros inclusive, o que, para grandes consumos, será, sem dúvida, uma mais-valia para o cliente. Uma outra aposta será os coletores solares térmicos com 3,3m2”.

Baxi: “Esperamos que a retoma económica se mantenha com dinâmica na construção, construção de bom nível e alto standard de eficiência, e que a legislação funcione ao serviço da eficiência, garantindo as soluções com melhor relação custo/benefício para o utlizador. A BAXI tem sido muito activa no lançamento de produtos nos últimos anos, com o lançamento recente do Ar Condicionado ANORI, os da mais recente gama de Esquentadores termostáticos, estanques ou de tiragem forçada. Podemos esperar novidades em Bombas de Calor e em Energia Solar”.

Viessmann/Termomat: “Após chegar a um século de actividade, a Viessmann ruma no sentido da digitalização e das tecnologias inteligentes de controlo. É importante desenvolver soluções que se aproximem mais do consumidor final. A produção de energia e o consumo devem ser controlados da forma mais inteligente possível, de modo a conseguir atingir objectivos mais elevados de eficiência com custos cada vez mais reduzidos de aquecimento e electricidade. Para isso, continuaremos a apostar fortemente em sistemas de gestão inteligentes de energia. A grande novidade no sector solar térmico é o lançamento de dois novos painéis de tubos de vácuo com tecnologia inovadora ThermProtect de paragem automática por temperatura. Com este lançamento, completamos toda a gama solar com ThermProtect, tornando os painéis solares da Viessmann únicos no mercado pelos seus rendimentos e eficiência, sem risco de sobreaquecimento, tanto para áreas pequenas como para grandes. Esta tecnologia com patente e concepção Viessmann, causa a paragem dos painéis quando estes atingem a temperatura limite. Esta paragem por temperatura funciona de forma independente da configuração do sistema, parâmetros de controlo e posição dos painéis. As cargas térmicas nos componentes do sistema e o líquido solar mantêm-se sempre nos níveis standard, o que aumenta significativamente a vida útil do sistema e a segurança quando comparado com os painéis convencionais”.

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