2016-11-11
SCE: Implementar as medidas de melhoria identificadas custaria cinco mil milhões
Filipa Cardoso

Cinco mil milhões de euros seria o investimento necessário estimado para a implementação das quase dois milhões de medidas de melhoria, identificadas até hoje pelos Peritos Qualificados (PQ) nos certificados energéticos emitidos. Nas vésperas de celebrar dez anos, o Sistema de Certificação Energética (SCE) nacional conta já com  1 126 081 certificados emitidos.

 

Em números precisos, durante estes quase dez anos (de Julho de 2007 até Outubro 2016), foram identificadas pelos profissionais  1 879 127 medidas de melhoria. Segundo a avaliação dos PQ nos certificados, a implementação dessas medidas, cujo investimento estimado por estes é de cinco mil milhões de euros, resultaria em poupanças anuais de até 800 milhões de euros. Os números foram apresentados, esta quarta-feira, pelo responsável pela área de Edifícios da ADENE, Rui Fragoso, durante a Tarde Técnica promovida pela Associação Nacional dos Peritos Qualificados (ANPQ) em Lisboa. As estatísticas da Agência para a Energia contabilizam ainda 1966 PQ e 2691 TIM (Técnicos de Instalação e Manutenção) no mercado nacional.

 

Numa sessão técnica que não contava com a participação da ADENE há quase dois anos*, o recuperar da presença da agência nos encontros da associação foi uma das referências apontadas por Rui Fragoso. Também durante o encontro, Carlos Oliveira, presidente da associação profissional, apelou a uma melhoria das relações entre os PQ e a ADENE, que assume o papel de entidade gestora do SCE. “Ser PQ em Portugal é árduo”, lamentou, explicando que são os PQ que “colocam as coisas em prática” e lidam tanto com os clientes, como com as entidades responsáveis. “Queremos resolver [os problemas] como parceiros, e não como acontecia anteriormente. Estamos disponíveis para caminhar juntos”, afirmou, já no período de debate da tarde técnica. Do outro lado, a intenção é recíproca: “Há vontade que a relação seja diferente”, declarou, por sua vez, Rui Fragoso, para quem uma eventual relação menos boa com os PQ é “um sentimento do passado”.

 

Sobre a ausência da ADENE nas últimas sessões da ANPQ, Carlos Oliveira explica que a associação profissional "não percebeu, entretanto, que a ADENE agora reconsiderava importante a relação com os Peritos. É bom que haja uma mudança de atitude e vamos aproveitá-la, se a ADENE o permitir. Nesse sentido, poderão ser convidados mais regularmente", concluiu.

 

Recorde-se que, entre os factores que não têm ajudado a um clima de tranquilidade no sector, os PQ apontam os constrangimentos relacionados com uma fiscalização demasiado “pesada”, para além de um modelo de sanções que os peritos denunciaram como excessivas e desnecessárias. Para além disso, é ainda apontada a "imaturidade" da legislação e a publicação de alterações, que geram incertezas na sua aplicação.


*Notícia corrigida às 16:00 de 11 de Novembro: A ANPQ realiza duas sessões técnicas anuais, sendo que a primeira deste ano teve lugar a 31 de Março. No entanto, ADENE não participou nestes eventos nos últimos dois anos.

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