2018-06-08
Aquecimento e arrefecimento renováveis aquém do esperado, estima REN21
David Alvito

Em dez anos, a produção de energia eléctrica a partir do sol e vento duplicou, atingindo um novo recorde em sustentabilidade em 2017, porém, os sectores do Aquecimento e Arrefecimento renováveis e Transportes precisam de mais impulso. Esta é uma das conclusões do relatório “Global Status Report”, que, todos os anos, é publicado pelo REN21 (Renewable Energy Policy Network for the 21st Century), uma organização sem fins lucrativos que se dedica à promoção de políticas relativas à temática das energias renováveis.

 

 

De acordo com aquele documento, 70 % da potência eléctrica instalada a nível mundial correspondeu a renováveis, um número histórico e que se traduz no maior aumento de potência anual em centrais renováveis. No entanto e apesar do avanço, o aumento da procura de energia e o consequente aumento das emissões de dióxido de carbono (CO2) expandiram-se substancialmente, algo que acontece pela primeira vez em quatro anos. Em termos mundiais, as emissões de gases com efeito de estufa, relacionadas com o consumo energético, assinalaram um aumento de 1,4 %, enquanto a procura energética teve um acréscimo, em 2017, de 2,1 %, muito por culpa do crescimento das economias emergentes e do aumento da população a nível mundial.

 

Ainda segundo o “Global Status Report”, as metas para as energias renováveis definidas para os sectores do Aquecimento e Arrefecimento e também dos Transportes ficaram aquém do esperado, comparativamente com o progresso do sector eléctrico.

 

“Podemos estar no bom caminho para um futuro com 100 % de renováveis no sector eléctrico, mas, no que diz respeito ao aquecimento, arrefecimento e transportes, estamos à deriva como se tivéssemos todo o tempo do mundo, e não temos”, referiu Rana Adib, secretária executiva do REN 21.

 

O relatório refere também que, em 2015, apenas cerca de 10 % do total global de produção de calor teve proveniência de fontes renováveis e que apenas 48 países têm objectivos nacionais para a energia “verde” no sector de Aquecimento/Arrefecimento, ao passo , no sector elétrico, essas metas existem em 146 nações.

 

É notório que a mudança para as energias renováveis está a acontecer. No entanto, o ritmo dessa mudança é, ainda, lento, e encontra-se longe do desejável. As metas do Acordo de Paris, assinado em 2015, e que definiu um limite abaixo dos 2º C para o aumento da temperatura global, mostram o carácter exigente do desafio que está pela frente.

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