2017-11-28
Passivhaus Portugal: cinco anos, mais de 40 projectos em desenvolvimento
Filipa Cardoso

Amanhã, o Centro Cultural e de Congressos de Aveiro volta a ser palco de mais uma edição da Conferência Anual Passivhaus Portugal. A norma, desenvolvida pelo alemão Wolfgang Feist na década de 80 do século passado, tem representação oficial em Portugal desde 2012 e o balanço, dizem os responsáveis, “é extremamente positivo”, contando-se já mais de 40 projectos em desenvolvimento em todo o país.

 

“A realização da Conferência Passivhaus Portugal anualmente é o ponto alto e um momento de reunião de todos os participantes deste movimento”, explicam João Marcelino e João Gavião, os dois especialistas que promovem o conceito em terras lusas. Desde a criação da Associação Passivhaus Portugal (PHPT), em 2012, o trabalho tem sido “árduo e contínuo”, mas são já visíveis os resultados, referem.

 

Conhecida por ser uma norma mais direccionada para climas frios e com requisitos rigorosos, em particular no que se refere aos níveis de isolamento da envolvente e com limites de uso de energia que podem chegar aos 15 kW/m2/ano para fins de aquecimento e aos 120 kW/ano de energia primária total do edifício (incluindo aquecimento/arrefecimento, águas quentes sanitárias e electricidade), a chegada a Portugal da Passivhaus foi recebida com algum cepticismo. Todavia, segundo a PHPT, a realidade já não é essa e o sector português já tem hoje uma “percepção do valor criado pela aplicação do conceito tanto na construção nova, como na reabilitação”.

 

“Temos verificado um crescimento constante da rede Passivhaus, ou seja, a participação e envolvimento dos profissionais das componentes de projecto, obra e soluções”. Para isto, muito tem também contribuído a rede de formações que a associação tem promovido nestes anos e que encontra nos arquitectos, engenheiros civis e mecânicos o seu principal público alvo. Mas não só, garantem, há também procura por parte de outros agentes do sector, tais como construtores, instaladores, prescritores, promotores, fabricantes, estudantes e docentes. “É urgente disponibilizar estas ferramentas e este conhecimento às comunidades académicas, de modo a actualizar os conteúdos dos currículos académicos e também para atenuar o choque com a realidade na transição do mundo académico com o mercado e o sector da construção”. A par das sessões de formação, a rede Passivhaus nacional conta também com profissionais certificados e empresas com produtos e soluções em conformidade com os requisitos da norma, o que tem também ajudado à sua disseminação em Portugal.

 

Obrigatória em algumas regiões de vários países – um dos casos mais recentes foi o condado irlandês de Dún Laoghaire-Rathdown –, em Portugal, esse é ainda um cenário pouco provável. Do mercado, há sinais positivos e negativos. Por um lado, apontam os dois responsáveis, existem “os sinais errados dados pela simplificação da reabilitação através do RERU (Regime de Excepção para a Reabilitação Urbana), que isenta os projectos de reabilitação nas áreas urbanas definidas de qualquer tipo de exigência no que respeita ao desempenho energético e acústico”, e ainda uma “generalizada falta de informação e sensibilização e de formação do público em geral e dos profissionais do sector”. Mas, por outro, o potencial é grande, já que há “a necessidade de melhoria do parque edificado existente, que [no estado actual] não contribui para a melhoria da qualidade de vida dos seus ocupantes no que respeita às adequadas condições de conforto, qualidade do ar interior e ausência de patologias”. Paralelamente, uma das maiores alavancas vem mesmo de Bruxelas, com a obrigatoriedade dos NZEB – Edifícios com Necessidades Quase Nulas, imposta pela Directiva para o Desempenho Energético dos Edifícios e que terão de ser implementados já a partir de 2019 para os novos edifícios públicos e a partir de 2021 para os restantes.

 

A 5ª Conferência Anual Passivhaus Portugal acontece amanhã, em Aveiro, mas os trabalhos arrancam ainda hoje, com a realização de vários workshops. O programa completo pode ser consultado aqui.

 

A Edifícios e Energia é media partner deste evento. 

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