2017-05-10
OPINIÃO: Revolução 4.0 - Digitalização do Perfil Energético
Hugo Delgado, director LG

Almejar o conforto e o bem-estar social com recurso à tónica da eficiência energética como elemento catalisador desta sinopse faz Maslow repensar a sua pirâmide numa nova forma geométrica, perfilada no alisamento do diagrama de cargas da rede eléctrica como pose no quadro futuro que se pretende desenhar.

 

É a revolução energética que veio procurar respostas às linhas de orientação para que a transição energética aconteça, assente em modelos basilares de negócio sustentáveis, como modelos de partilha e rendas ou serviços, para a economia circular florescer. Para isso, é preciso conhecer as variáveis que influenciam e determinam a dessincronização entre a Oferta e a Procura e regenerá-las numa política integrada de energia, na qual coabitem a descentralização de sistemas, o mix energético com denominador comum crescente a Energia Renovável, suportadas por uma digitalização “Big Data” capaz de analisar comportamentos e definir perfis de consumo através de algoritmos inteligentes capazes de prever a intenção e motivação humana.

É importante destrinçar o lado da Oferta enquanto “instituição” com capacidade de garantir disponibilidade eléctrica, backups, que, através do desafio da leitura e medição dos consumos, tenta ofertar novas tarifas e mais atractivas para uma procura que se pretende mais flexível. A sensibilização para comportamentos mais eficientes dos consumidores tem de carregar na factura um incentivo de pricing capaz de modificar modos e rotinas de utilização de energia eléctrica. Contudo, será suficiente ou a sua não-aceitação de comportamentos eficientes deverão ser penalizadas com um preço de energias proibitivos na carteira do consumidor? Serão as tarifas dinâmicas argumentos suficientes para que, no limite, altere os hábitos e rotinas do regime dia para turnos nocturnos em prol do Ambiente? É na Gestão da Procura, num balanço de tarifas dinâmicas e com a introdução de “demand response” com a capacidade da rede eléctrica decidir quando os dispositivos terminais eléctricos deverão funcionar, e simultaneamente a subscrição da Eficiência Energética, que se avista a oferta e a procura no mesmo plano.

O lado do Procura é propenso às inovações, a um maior número de equipamentos que substituam a motricidade humana e verifica-se uma procura mundial de energia com previsão de crescimento em 2030 na ordem dos 55%. Constata-se que o efeito rebound, afectado por politicas de incentivo à eficiência energética, é anulado pelo crescente consumo de energia eléctrica. Para que seja mitigado, o perfil de consumo tem de ser a mais-valia no processo!

Se, na Indústria, os perfis intensivos de utilização protagonizam os elementos dissuasores para um investimento na poupança de energia, no residencial, os perfis individuais de utilização protelam o investimento em eficiência energética para produtos tecnológicos sustentados pela competitividade dos preços e tornando indivisível o calculo do período de retorno de investimento. São precisos incentivos e uma política taxativa e contributária estável que promova esta transição.


A verdade é que, neste momento, todos temos de sustentar as centrais de produção eléctricas existentes e a rede de infra-estruturas que incrementam o preço de custo da energia, dado que a energia renovável ainda só tem uma representação de 60% na produção eléctrica.

A solução de uma rede eléctrica interligada, fomentada pelo 100% renovável numa mobilidade eléctrica e integrada numa política comum com as Águas e Resíduos, que conduzam à sustentabilidade ambiental e económica de um País, de uma Nação, é o que se espera para o Novo Mundo.

É, por isso, através da consciencialização e do compromisso, como o Acordo de Paris em 2015, que visa a redução de 2o C a temperatura global, com a opção de descarbonização de edifícios, transportes, ou utilização de energias renováveis, que faz os países aderentes criarem estratégias para honrar os compromissos económicos e ambientais, na redução dos Gases de Efeito de Estufa (GEE) e cumprimento das metas em 2020 de 60% da produção renovável e 2030 de 80% da produção renovável.

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