
“Um novo modelo para as cidades” e a “promoção da reabilitação urbana” são dois factores essenciais para as cidades sustentáveis do futuro, referiu ontem o secretário de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Miguel de Castro Neto, no encerramento da conferência Green Project Awards (GPA): “Inovação e Sustentabilidade nas Cidades do Futuro”, que teve lugar na Culturgest em Lisboa.
O responsável político apontou o “enorme gap” que há entre a média europeia da quota de reabilitação na actividade da construção (37% em 2012) e a nacional (6,5% em 2012), considerando este “um imenso desafio”, mas “uma oportunidade para o desenvolvimento das cidades”, que inclui “questões como a mobilidade, os movimentos pendulares, a eficiência energética, etc.”. Castro Neto realçou a recente criação do Regime Excepcional de Reabilitação Urbana, que poderá ser uma ferramenta importante na abordagem a este desafio, considera.
Cidades e consumo sustentáveis são as grandes novidades para a sétima edição dos GPA, que passam a incluir as duas novas categorias para a distinção de projectos.
Para debater o papel das cidades sustentáveis, Afonso Lobato de Faria (Águas de Portugal), Ana Isabel Morais (Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição – APED), José Melo Bandeira (Dalkia) e Miguel Moreira (Grupo PT) representaram, cada um, pilares fundamentais das cidades – água e saneamento, comércio e distribuição, energia e tecnologias de informação e comunicação, respectivamente.
“Quando falamos numa cidade sustentável, falamos de uma cidade inteligente, conectada e sustentável na utilização dos seus recursos”, definiu Melo Bandeira, lembrando que “as cidades não existem sem pessoas”.
O “preço da sustentabilidade” foi uma das questões pertinentes do debate. “Tudo se paga nesta vida”, afirmou a presidente da APED, “umas vezes com o chapéu de consumidor, outras com o chapéu de contribuinte. No caso das empresas, é uma questão de responsabilidade”, disse.
“A tecnologia pode ser uma ferramenta para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos”, sublinhou Miguel Moreira, “e pode também reduzir os custos de operação da cidade”. Para o empresário, a sustentabilidade deve ser vista como algo que vai trazer retorno.
A discussão debruçou-se ainda sobre o binómio “sustentabilidade/competitividade” – “o difícil é o equilíbrio”, considera o administrador delegado da Dalkia, “mas cada vez estamos a saber aproveitar melhor os nossos recursos”. Como exemplo bem sucedido, Miguel Moreira referiu o Data Center da PT, no qual a eficiência energética foi uma prioridade, permitindo reduzir os custos e oferecer um serviço mais competitivo.
As autarquias de Águeda, Cascais e Viseu foram os protagonistas no segundo painel da conferência, com as experiências e projectos contados pelos autarcas respectivos.
O encontro foi ainda o palco da entrega dos prémios EBAE - European Business Awards for the Environment - Prémio de Inovação para a Sustentabilidade (EBAEpis). Este ano será a sétima edição dos GPA em Portugal.

