2017-09-12
Londres quer ser neutra em carbono e edifícios estão na mira
Filipa Cardoso

Depois de Copenhaga, é a vez de Londres afirmar a sua intenção de ser neutra em carbono e tem já um plano traçado para o efeito. Em Agosto, Sadiq Khan, mayor da cidade britânica apresentou a London Environmental Strategy, para tornar a cidade mais sustentável até 2050. A estratégia, que terá ainda de ser aprovada, mostra a ambição londrina e coloca os edifícios num dos pilares da acção.

 

Para garantir o abastecimento energético da cidade no futuro, ao mesmo tempo que se assegura que Londres limita o seu contributo para as alterações climáticas, “o mayor quer mudar a forma como a cidade gera e usa a sua energia”. Numa estratégia que visa vários sectores, incluindo a qualidade do ar, as infra-estruturas verdes, a mitigação às alterações climáticas, a gestão de resíduos ou o ruído, os edifícios surgem como uma das áreas prioritárias de actuação e com um calendário já apertado. Isto porque a intenção é que daqui a dois anos, a partir de 2019, todos os novos empreendimentos sejam já projectados com vista a serem neutros em carbono, incluindo fontes de energia limpas e medidas de eficiência energética.

 

Projectar melhor com vista a usar menos energia parece ser a métrica para as novas construções. Já no que toca ao parque edificado existente, as prioridades passam por reforçar o isolamento das habitações e substituir os equipamentos de aquecimento por soluções mais eficientes.

 

Segundo a administração da cidade, cerca de três quartos da energia utilizada nas habitações londrinas é para fins de aquecimento e águas quentes sanitárias, sendo que maioria destas usa caldeiras a gás, muitas delas de baixa eficiência. Melhorar o isolamento destes edifícios, instalar sistemas de climatização mais eficientes, recorrer a tecnologias inteligentes e proporcionar o acesso a tarifas de energia mais acessíveis são os objectivos. Para os edifícios comerciais, prevêem-se programas de incentivo à substituição de caldeiras comerciais poluentes por outras mais eficientes. “Isto dará aos londrinos a acesso seguro à energia de que precisam”, lê-se na estratégia.

 

Redes de aquecimento urbano que usem fontes de energia localmente, por exemplo através do tratamento de resíduos, foram já identificadas como uma das medidas sustentáveis para o uso da energia em ambiente urbano e Londres segue o conselho, tentando aumentar o número de habitações e escritórios conectados a essas redes.

 

Toda esta estratégia vai também contribuir para atenuar um dos grandes flagelos sociais do Reino Unido: a pobreza energética. Uma em cada dez casas londrinas é afectada, diz a mesma fonte. Os agregados com baixos rendimentos vão ter uma atenção extra e outra das medidas será trabalhar com os governos locais para reforçar regulamentos que obriguem os senhorios a melhorar o desempenho energético das suas propriedades, introduzindo requisitos de desempenho energético mínimos para as casas arrendadas.

 

A par das medidas com vista à descarbonização do aquecimento e arrefecimento, a autarquia quer também intervir no sistema de abastecimento eléctrico, apostando no uso de fontes de energia renováveis.

 

Nesta transformação, a produção descentralizada de electricidade com base em fontes de renováveis vai ser fundamental e, nos telhados, a aposta vai ser no solar. O objectivo, em termos de MW, já está definido: para 2030, Londres pretende instalar cerca de 100 MW de energia solar fotovoltaica. Para concretizar, deverá recorrer-se a empréstimos a grupos comunitários, projectos piloto que promovam painéis low-cost e ainda instalando painéis nos telhados dos edifícios da Transport for London (entidade que gere os transportes urbanos). Nessa altura, espera-se que 15 % das necessidades energéticas da cidade sejam satisfeitas por renováveis. Em 2050, as ambições apontam para que Londres tenha uma capacidade instalada de energia solar fotovoltaica de 2 GW.

 

No que toca aos edifícios, as tecnologias inteligentes fazem também parte do cardápio de opções, com especial destaque para a disseminação dos contadores inteligentes. A cidade propõe-se também a ser um laboratório vivo para tecnologias de baixo carbono.

 

“Ao dar os passos ambiciosos necessários para enfrentar os desafios energéticos da cidade daqui para a frente, a cidade não vai apenas reduzir a extensão dos impactos futuros das alterações climáticas, mas vai criar um sistema de fornecimento de energia mais seguro e mais acessível para todos, incluindo os mais vulneráveis”, refere a estratégia.

 

O documento encontra-se actualmente em consulta pública e pode ser consultado aqui.

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