2017-04-07
Há oportunidades escondidas no ciclo de vida dos edifícios
Filipa Cardoso

A popularidade crescente de sistemas de certificação de sustentabilidade, com o LEED ou o BREEAM, em todo o mundo mostra que a indústria da construção não está indiferente à necessidade de reduzir os impactos ambientais dos edifícios, no entanto, há “uma oportunidade para reduzi-los ainda mais”. Quem o diz é Jeremy Gregory, investigador e director executivo do Concrete Sustainable (CS) Hub, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), que esteve recentemente em Coimbra para uma palestra organizada no âmbito do Programa MIT Portugal.

 

“Embora seja louvável que a indústria tenha criado sistemas de classificação de sustentabilidade, há uma oportunidade para reduzir ainda mais os impactos ambientais”, defende o especialista. De que forma? “Através de uma abordagem para a avaliação dos impactos ambientais que tenha em conta o ciclo de vida”.

 

Apesar do reconhecido potencial de poupança energética e de redução de emissões de gases com efeito de estufa dos edifícios, os regulamentos e outras normas para a eficiência energética nas construções tendem a focar-se na fase de uso do edifício. “Isto pode, inadvertidamente, incentivar as actividades de fabrico que terão um impacto nas condições ambientais actuais, em contraste com o impacto da fase de uso, que é medido sobre a vida de uma casa e também altamente dependente do impacto ambiental da rede eléctrica da casa”, refere o estudo “Life cycle Assessment for Residential Buildings: A Literature Review and Gap Analysis” do CS Hub.

 

Olhar para todas as fases do ciclo de vida de um edifício é imprescindível, até porque, segundo o investigador, as exigências para a eficiência energética nas construções podem provocar um efeito secundário menos positivo. Segundo o trabalho do CS Hub, “uma tendência emergente na literatura sobre a avaliação do ciclo de vida (LCA) mostra que, enquanto o consumo energético diminui com uma melhoria da eficiência energética, tal pode causar um aumento na energia incorporada devido à carga adicional de matérias exigidos para algumas medidas de eficiência energética”. Por esse motivo, é cada vez mais importante que os regulamentos e normas para a construção de edifícios passem a ter em conta também as fases anteriores ao uso, desde a extracção das matérias-primas à construção do edifício.

 

É com base nestas conclusões que Jeremy Gregory identifica o desafio que se avizinha no que toca à sustentabilidade dos edifícios. “O próximo passo é optimizar os impactos ambientais do ciclo de vida dos edifícios que equilibrem os impactos incorporados nos materiais e o consumo de energia dos edifícios”, diz, acrescentando: “encontrar o equilíbrio entre os dois vai ser crucial”.

 

 

 

Leia a entrevista na íntegra com Jeremy Gregory, director executivo do CS Hub, na edição de Maio/Junho da Edifícios e Energia.

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