2018-02-01
Projectos de eficiência energética precisam de certificação, concluem especialistas

A eficiência energética já é mais valorizada e o capital para o seu financiamento deixou de ser problema, no entanto é preciso fazer mais para desbloquear esse potencial e, para os especialistas, a certificação pode ser o caminho a seguir. A mensagem resultou do Investor Days, evento que teve lugar a 18 de Janeiro no Porto, e que juntou cerca de 100 especialistas em eficiência energética.

 

“[Os investidores hoje] Procuram investimentos sustentáveis, associados a políticas de responsabilidade ambiental”, afirmou Sofia Santos, secretária geral do BSCD. Segundo a responsável, os investidores já “começaram a entender a relevância da eficiência energética na sustentabilidade e viabilidade dos negócios”, estando muitos dos “fundos de pensões a alienar investimentos anteriormente realizados em empresas associadas ao petróleo”.


No caso português, existe já um historial em eficiência energética, reconheceu João Bernardo, da Direcção Geral de Energia e Geologia (DGEG), com o primeiro regulamento para o sector a surgir em 1982. Porém, a eficiência energética continua a não ser entendida como uma mais-valia por muitos, já que é tipicamente “invisível” e de difícil contabilização. A solução para isso, avançou o especialista, poderá passar pela certificação de projectos, no sentido de quantificar e garantir as poupanças, conferindo-lhes “visibilidade e valor acrescentado”.

Ainda assim, o mercado da eficiência energética está a crescer. Em 2016, o aumento foi de cerca de 9 %, atingindo globalmente o valor recorde de 236 mim milhões de dólares, afirmou Jorge Rodrigues de Almeida, director do ICP Europe. No entanto, para que se cumpram os desígnios do Acordo de Paris, a Agência Internacional de Energia estima que esse valor tenha de ser cinco vezes superior, o que só pode ser conseguido através do envolvimento de capitais privados. Para Jorge Rodrigues de Almeida, a aposta na certificação Investor Ready Energy Efficiency do ICP Europe pode alavancar o mercado, tornando os projectos mais bancáveis.

 

Em Espanha, o sector das ESE (empresas de serviços energéticos) dá também conta deste crescimento do mercado. Elena González Sánchez, diretora da ANESE, apresentou o último observatório de Eficiência Energética, que monitoriza o trabalho das ESE espanholas, dando a conhecer que, em 2015, as ESE do país a realizaram investimentos com recurso a Contratos de Desempenho Energético na ordem dos 1 170 Milhões de Euros (0,11% do PIB) que se traduziram em 20 000 empregos directos e reduções médias de 25,7% da factura energética dos clientes.

 

Por sua vez, o mercado português começa também a mostrar alguma dinâmica. Os investidores presentes responderam ao desafio, apresentando linhas e programas de financiamento específicas e baseadas em diferentes modelos de negócio, que vão desde o crowdfunding promovido pela GoParity, ao investimento em equity da SUSI Capital ou linhas disponíveis na banca comercial, como é o caso do PF4EE do Banco BPI. Esta disponibilidade de capital associada a novos modelos de negócio vem alterar o paradigma da eficiência energética, mas ainda há trabalho a fazer na promoção destes investimentos, pois segundo Sandra Pinho, do BPI, a linha PF4EE, que disponibiliza 50 milhões de euros para projectos de eficiência energética em Portugal, “não está a ter a procura expectável embora seja uma linha especializada que responde a uma lacuna de mercado”. No evento, foram ainda apresentados, o Instrumento Financeiro para a Reabilitação e Revitalização Urbanas (IFRRU 2020) lançado em Outubro passado e o Programa Casa Eficiente a lançar em breve, que segundo o vice-presidente da APPII, Hugo Santos Ferreira, promovem e valorizam investimentos na melhoria da eficiência energética do edificado.

Com a organização da RdA Climate Solutions e do Investor Confidence Project, em parceria com a Ordem dos Engenheiros e o BCSD Portugal – Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, o encontro contou com também com o apoio da Edifícios e Energia.

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