2017-09-28
Etiqueta energética nos sistemas combinados aquém do potencial
Filipa Cardoso

Dois anos depois da entrada em vigor da regulamentação que obriga à etiquetagem energética dos sistemas de aquecimento ambiente e para águas sanitárias, a medida ainda não cativa o interesse dos agentes do mercado, independentemente do seu potencial. Em jeito de balanço, os parceiros do projecto europeu LabelPack A+ revelam “sentimentos contraditórios” no que toca à implementação da etiqueta.

 

Segundo a análise, o envolvimento limitado das autoridades públicas, que resulta na ausência de campanhas de informação e iniciativas de pesquisa de mercado, combinado com a falta de interesse dos agentes do mercado, tais como os instaladores de sistemas de aquecimento, levaram a uma fraca disseminação da etiqueta, em particular dos sistemas combinados.

 

“A etiquetagem de sistemas combinados é um conceito interessante, com o potencial de reforçar o poder dos consumidores no que respeita as suas decisões de compra de soluções de aquecimento, facilitando a avaliação das ofertas mais eficientes e sustentáveis”, apontou o secretário-geral da Solar Heat Europe (ex-ESTIF), Pedro Dias. “Todavia, há o risco de se tornar uma oportunidade perdida, devido aos problemas de implementação”, continuou.

 

Para contrariar esta questão, os especialistas do LabelPack A+ consideram que o reconhecimento dos problemas inerentes à implementação da etiquetagem será de particular importância na revisão da regulamentação para a etiquetagem dos equipamentos de aquecimento ambiente e águas quentes sanitárias.

  

Mas nem tudo são más notícias. Um dos benefícios evidentes do regulamento foi o de pressionar os fabricantes a colocarem equipamentos cada vez mais eficientes no mercado, constata o director da associação da indústria solar alemã BSW-Solar, Jörg Mayer. “Como resultados dos requisitos associados com a etiqueta para a eficiência energética, o sector do aquecimento trouxe para o mercado soluções mais eficientes. Actualmente, quase todos os sistemas de aquecimento convencional se enquadram na categoria A de eficiência energética, enquanto os sistemas que usam opções renováveis, tais como o solar térmico ou as bombas de calor, podem alcançar A+ ou superior”, afirmou.

 

Em entrevista à Edifícios e Energia, no início deste ano, o secretário-geral da Solar Heat Europe dava já conta de algumas dificuldades nesta matéria, apontando como “evidente” o facto de “a regulamentação ser pouco conhecida pelos consumidores e que as partes envolvidas, nomeadamente os instaladores, demonstram um interesse limitado no que se refere a aplicar e a promover a mesma”. Porém, Pedro Dias fez questão de diferenciar o caso português – “A situação em Portugal é um pouco melhor do que nos outros países”.

 

“Sabíamos que esta solução tinha lacunas, não reflectindo o valor acrescentado das opções de aquecimento solar de forma adequada e não se direccionando à renovação dos sistemas existentes”, reconheceu o português, “ainda assim, esperávamos que aumentasse a sensibilização entre os consumidores e que promovesse a substituição planeada de sistemas antigos, ineficientes e poluidores”.

 

No âmbito da Directiva Europeia para o Ecodesign e o Regulamento de Etiquetagem Energética, desde 26 de Setembro de 2015, todas as novas instalações de aquecimento ambiente e de produção de águas quentes sanitárias devem dispor de uma etiqueta energética, com o objectivo de informar o consumidor sobre as opções mais eficientes disponíveis no mercado. Entre as principais novidades deste regulamento esteve o facto de contemplar também o etiquetagem energética para sistemas combinados, ou seja, soluções que combinem aquecedores convencionais, controladores de temperatura e/ou sistemas solares térmicos.

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