2018-10-29
“UTAS higiénicas, uma exigência do mercado”
Filipa Cardoso

A Carrier Portugal apresentou, em sessões técnicas em Lisboa e Porto organizadas neste verão, a nova aposta da gigante do ar condicionado: as unidades de tratamento de ar (UTAs) higiénicas 39CP. Hugo Delgado, country sales director da Carrier Portugal, esclarece o interesse neste novo segmento de mercado.  



Até aqui, a Carrier estava só nas UTAS não higiénicas. O que levou a empresa a fazer esta aposta agora?

Procurámos ir um pouco mais além para atingir um novo nicho de mercado. A fábrica, o corpo de engenharia e a actividade comercial que desenvolvemos tinham já toda esta tecnologia trabalhada e 2018 serve esse propósito. Este ponto de viragem parte também da necessidade de mercado. Cada vez mais falamos de nanotecnologias e, portanto, há a exigência de refinarmos um produto com mais qualidade para espaços com determinadas especificidades. Isso consegue-se com UTAs higiénicas.

 

Esta é uma área muito complexa em termos de regulamentação?

Sim, tem muitas exigências. A construção de uma UTA higiénica obriga a que  se tenha de olhar para o detalhe a todos os níveis. Essencialmente porque, por um lado, estamos a falar em minimizar ou mitigar pontos de fugas para que não exista contaminação nos próprios espaços, e, por outro, há também um compromisso com a eficiência energética. Tentamos balancear este duelo. Há uma exigência clara na construção, mas também uma exigência com o ecodesign. Todos os equipamentos já cumprem a ErP. A Carrier está a fazer esse trabalho.

 

A que sector querem chegar com este novo produto?

À indústria hospital, bem como à farmacêutica. São as duas áreas cujas exigências de produção e, no caso da hospitalar, de fontes de não contaminação que pretendemos colmatar. Agora, existem áreas o mais transversais possível que, neste momento, estão a necessitar deste tipo de soluções, num sentido de verticalizar este tipo de negócios, no qual a nanotecnologia acaba por ganhar espaço na parte da electrónica, na parte farmacêutica, na indústria alimentar.

 

No caso português, há potencial de mercado?

A Carrier sente que existem profissionais à altura das exigências deste tipo de solução. O mercado pede isso porque existe um sentimento positivo, de confiança que o mercado transborda, e isso acaba também por dinamizar e facilitar o investimento noutras áreas que estariam parados há alguns anos. Acima de tudo, é necessário encontrar aqui espaços, mas fomentar também, através de uma comunicação mais directa e profissionalizante, esta área, para que possamos trazer um valor acrescentado a novas áreas de negócio que possam surgir e que vejam a utilização das UTAs higiénicas como uma mais-valia para o produto e para a sua qualidade.

 

Numa entrevista no início deste ano, admitiu que havia um esforço para melhorar a comunicação com os clientes da Carrier. Estes workshops vêm já nessa linha?

Sem dúvida. Este evento específico foi o primeiro que fizemos em Portugal e contou com a presença do responsável europeu de todas as UTAs, higiénicas e não higiénicas, e quisemos fazer aqui não só uma apresentação comercial, mas também muito técnica, no sentido de mostrar aquilo que é a nossa força de engenharia, as facilities, os requisitos de fábrica e a capacidade que temos para desenvolver este produto. E aliámos a isto a uma vertente técnica de apresentação do produto de acordo com todo o enquadramento normativo. Trouxemos este produto aliado a conhecimentos técnicos que temos e queremos partilhar com o nosso público-alvo, como projectistas, instaladores, empresas de manutenção. O convite que fizemos à ATM serviu também o propósito de darmos uma visão mais holística do universo das UTAs higiénicas.

 

Que outras iniciativas têm desenvolvido?

Desde Janeiro, temos feito workshops ao nível universitário, o que é uma novidade a nível nacional. Temos vindo a percorrer universidades e politécnicos, indo ao encontro das futuras gerações de Engenharia, dotando-as de ferramentas que irão utilizar no mercado de trabalho. Esta dinâmica de transmitir para as futuras gerações é fundamental.

 

Que outras novidades tem a Carrier para o mercado?

Lançámos recentemente também os VFR X-Power. Neste momento, a Carrier pode dizer que tem uma solução global, de A a Z. Perante um edifício, conseguimos oferecer qualquer tipo de solução e isso é uma mais-valia pela comunicação, já que acabamos por ser o único player de comunicação com o proprietário. E estamos a apostar nesta visão de verticalização do negócio em determinadas áreas muito específicas, que permitem também tornar-nos especialistas, porque, de facto, o inventor do ar condicionado foi a Carrier, na pessoa de Willis Carrier.

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