2016-01-29
Construção começa a reagir

Depois do choque, a reacção. O abrandamento da crise na construção em 2014 deu lugar a uma realidade um pouco mais risonha no ano que passou, revelam os últimos dados da FEPICOP – Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas. O investimento e o VAB (Valor Acrescentado Bruto) do sector cresceram, 4,7 % e 4,6 %, no primeiro semestre de 2015, pela primeira vez desde 2007.

 

Nesta análise de conjuntura, que remonta até Outubro do ano passado e que não tem em conta o impacto da instabilidade política vivida no último trimestre do ano, os sinais positivos da evolução da procura, produção e emprego foram confirmados pelos empresários. No final da primeira metade de 2015, revelaram aumentos do indicador de confiança (16,3 %), do nível de actividade (13,3 %), da carteira de encomendas (37,5 %) e da situação financeira (4 %). 
 

A par do optimismo dos empresários, o mercado da habitação recuperou, registando-se quase mais 40 % de transacções, um aumento de 58,6 % dos créditos à aquisição (totalizando 1.665 milhões de euros), de 2,4 % do valor da avaliação bancária, que se fixou em 1.030 euros/m2, em Junho, e de 19,5 % do número de fogos licenciados em construções novas.

 

Ao nível das transacções, especificamente, 50 228 alojamentos foram transaccionados nos primeiros seis meses do ano que passou, sendo que, por tipo de alojamento, “verificou-se uma variação de 39,9 % nos alojamentos existentes e de 6,9 % nos novos”. Enquanto isso, no stock do crédito concedido às empresas de construção mantém-se “a tendência forte de redução dos últimos anos”.

 

Boas notícias chegaram também no âmbito do emprego. Os postos de trabalho assegurados pelo sector, na segunda metade de 2015, tinham aumentado 4,8%, fixando-se em 277 600. O que quer isto dizer? Foi recuperado um total de 12 800 postos de trabalho e o número de desempregados inscritos no Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) provenientes de empresas de construção diminuiu 21,3 %, situando-se nos 65 811 no final de Junho.

 

Em contracorrente, o mercado das obras públicas foi abalado por “quebras significativas”, segundo o Observatório das Obras Públicas. A tendência negativa está espelhada no decréscimo em 38 % do montante das obras promovidas, o se traduz numa queda de 929 milhões de euros (primeiro semestre de 2014) para apenas 580 milhões de euros em 2015.

 

Nova habitação ganha fôlego

 

Até ao fim da primeira metade de 2015, as câmaras municipais tinham licenciado cerca de 7 500 obras, uma descida de 4,2 % se olharmos para os resultados primeiro semestre de 2014. As obras de construção nova licenciadas, adianta a FEPICOP, representaram 63,4 % do total – aumento de 5,8 % –, enquanto as obras de reabilitação licenciadas sofreram um decréscimo de 17,7 %.

 

O destaque vai para o segmento habitacional, no qual as licenças de construção nova aumentaram 16,2 % e o número de fogos licenciados em habitações novas cresceu 19,5 %. No entanto, as obras de reabilitação de edifícios habitacionais sofreram uma quebra de 11,8 %.

 

Os edifícios não residenciais, por seu turno, sofreram quebras, tanto ao nível da construção nova como das licenças para reabilitação. O tombo foi de 8 % e 22,9 %, respectivamente, na primeira metade de 2015. Um olhar mais atento deixa transparecer uma quebra global de 6,2 %, ou seja, menos 62 mil m2 licenciados.

 

Os aumentos da área licenciada verificaram-se em edifícios não mercantis (+25 932m2), transporte e comunicações (+18 620m2), comércio (+13 141m2)  e turismo (+277m2), ao passo que os decréscimos atingem os edifícios industriais (-67 503m2), de uso geral (-39 420m2) e agrícolas (-13 193m2).

 

Confiança cresce

 

Feitas as contas, na última metade de 2015, o investimento em construção e o VAB do sector registaram, pelo segundo trimestre consecutivo, “uma variação homóloga positiva, que já não ocorria desde 2007, com um acréscimo de 1,0 % e 1,5 %”, concluem os dados da FEPICOP.

 

À medida que os sinais de melhoria surgem, a confiança dos empresários portugueses no sector da construção aumenta, mais precisamente 14,2 %, de acordo com informação veiculada pela Comissão Europeia, em Junho do ano passado. Os motivos? Sobretudo, a evolução da carteira de encomendas e pelas perspectivas de criação de postos de trabalho. 




 

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