2017-10-27
Gestão Técnica: Um vector essencial para a eficiência energética
Rita Ascenso

Decorreram ontem as 17.as Jornadas de Climatização da Ordem dos Engenheiros, promovidas e organizadas pela Comissão de Especialização em Engenharia de Climatização, em colaboração com as secções nacionais da ASHRAE e da REHVA.

 

A escolha do tema central, a "Introdução à Automação, Controlo e Gestão Técnica de Edifícios”, teve como objectivo ajudar à reflexão, aprofundar e divulgar o conhecimento da tecnologia e das melhores práticas nesta área fundamental ao bom funcionamento dos edifícios e à sua manutenção. O bom desempenho energético e o conforto ambiental dos edifícios e dos seus ocupantes passa também por aqui. A Gestão Técnica Centralizada (GTC) é de vital importância para todos os edifícios, independentemente da sua dimensão. Dos grandes aos pequenos espaços comerciais, à indústria ou à habitação, este domínio do conhecimento e da tecnologia assume um valor determinante.

Serafin Graña, coordenador da especialização, está muito contente com a adesão: “Correu muito bem e tivemos casa cheia. Conseguimos mobilizar um maior número de estudantes do que é habitual. 25 alunos presentes é muito bom. É muito importante sensibilizar os jovens para a profissão e mostrar-lhes que esta especialização pode ser muito útil”.

Nestas Jornadas, e como é tradição, foi ainda apresentado e discutido o Manual da REHVA N.º 22, traduzido para português, com o título: "Introdução à Automação, Controlo e Gestão Técnica de Edifícios.  Para Serafin Graña, este “poderá ser o melhor livro dos últimos tempos e poderá será muito útil e um bom auxiliar para a gestão técnica. Na Alemanha, já não se pondera há muito tempo se devemos ou não colocar a gestão técnica num edifício. Temos de ultrapassar esta fase e avançar!”.

 

Durante a manhã foram vários os argumentos demonstrados nesse sentido. “Os edifícios são grandes utilizadores de energia, energívoros, e, a maioria das vezes, insaciáveis, e, perante a escassez de recursos energéticos, vemo-nos obrigados, económica e eticamente, ao uso eficaz e sensato no modo como utilizamos a energia que nos é disponibilizada”, lê-se na apresentação do tema.
 

Para a OE, este tema é de total pertinência. “A chave da eficiência energética e paralelamente da eficiência económica reside no diálogo e na interação dos sistemas técnicos que integram o edifício. Devido às directivas comunitárias e à sua transposição para a legislação nacional, em que são impostas elevadas exigências técnicas, os projectos de construção, atingem uma elevada complexidade, levando a que a coordenação técnica entre os diversos intervenientes tenha obrigatoriamente de ser assegurada. O avanço tecnológico actual, atendendo aos desígnios das políticas de eficiência energética e de redução de consumo de energia, parece orientado no sentido de se projectarem e implementarem sistemas de gestão técnica complexos, dotados de tecnologias inovadoras, mas o recurso a estas facilidades deverá ser feito de forma ponderada de modo a se encontrar o justo equilíbrio entre a poupança de energia e o conforto dos utilizadores. Um sistema de controlo automático sofisticado, por si só, não garante baixos consumos energéticos nos edifícios, uma vez que atingir tais objectivos representa um duplo desafio, parcialmente técnico e parcialmente humano. A utilização e a aceitação por parte dos utilizadores terá tanto mais sucesso quanto a relação for o mais amigável possível. Estes são desafios aliciantes que se colocam a todos os técnicos e especialistas”.

 

Várias apresentações e debates que contaram com Francisco Pombas, Stefano Paolo Corgnati, presidente da REHVA, Isabel Sarmento, ASHRAE Portugal Chapter Delegate, entre outros, deram uma panorâmica abrangente e actual do tema reforçando o papel da engenharia nesta área tão particular na operação dos edifícios.

ASSINE JÁ
aceito os termos e condições