Empresas portuguesas desapontadas com desenvolvimento do sector, aponta estudo
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Tendências opostas ao nível global, acentuadas por um crescimento do mercado asiático e um desacelerar na Europa, são algumas das conclusões do ISOL Navigator - Junho 2011, que pretende medir o índice de satisfação da indústria solar térmica face à actual situação de negócios. Com a colaboração da revista Climatização, o estudo analisou também o mercado português, denunciando as principais preocupações do sector: mais cortes nos incentivos, fraca recuperação na construção e falta de poder de compra do consumidor.

 

Durante o mês de Abril, a agência de pesquisa e comunicação internacional para o mercado solar térmico Solrico levou a cabo junto de 300 empresas dos 16 principais mercados mundiais de aquecimento e arrefecimento solar, entre eles Portugal, o estudo Índice ISOL - Primavera 2011, no sentido de perceber qual o nível de satisfação da indústria face à situação actual dos negócios e definir uma previsão para os seis meses seguintes (ver caixa). Desse trabalho resultou o ISOL Navigator, cuja apresentação decorreu em Junho, durante a Intersolar Europe, em Munique, na Alemanha.

Os resultados para o mercado português revelam o descontentamento e preocupações actuais do sector. Os inquéritos feitos junto das empresas nacionais colocam o índice do país nos 39 pontos, quatro pontos abaixo do índice médio para a região do Mediterrâneo (43 pontos). A paragem do programa de incentivos ao sector residencial, Medida Solar Térmico 2009, e a queda no sector da construção, em resultado da crise financeira, são as principais causas para esta situação. "Este desenvolvimento é extremamente desapontante para os agentes de mercado, porque o Governo anunciou planos ambiciosos para o solar térmico e o mercado cresceu, desde 2006, numa média notável de 84%", refere o estudo.

Como alavancas ao mercado, para além da anterior taxa de crescimento, que despertou o público para o solar térmico, o estudo identifica a regulamentação para os edifícios, que obriga à instalação de solar térmico nos novos edifícios e em grandes remodelações, e um forte compromisso do Governo, até aqui, que pretendia alcançar a marca de 2,5 milhões m2 instalados em 2020. A paragem do programa de incentivos para o sector residencial em finais de 2009, o colapso do mercado da construção em 2008, com uma recuperação muito lenta, a falta de poder económico do consumidor final e dos instaladores, e os atrasos na implementação dos novos programas de incentivos destinados às pequenas e médias empresas (PME) e institutos particulares de solidariedade social (IPSS) são os obstáculos ao mercado.

O estudo considera inevitável que haja uma tendência negativa no longo prazo em Portugal, uma vez que "o progresso lento no sector residencial não pode simplesmente ser contra-balançado pelos programas de incentivo para o comercial". O atraso na implementação dos incentivos, a improbabilidade de novos subsídios ao residencial devido à falta de dinheiros públicos e as incertezas resultantes da mudança de Governo deverão contribuir para prolongar esta tendência no segundo semestre de 2011.

 

Ásia prepara-se para ultrapassar Europa

"Os mercados do aquecimento e arrefecimento solar tendem a experienciar acentuados altos e baixos devido às alterações nos enquadramentos políticos e económicos. Isto torna difícil analisar os desenvolvimentos actuais e futuros nos mercados", refere a responsável pela Solrico, Barbël Epp. Os resultados do ISOL Navigator comprovam a importância determinante das condições e do enquadramento em vigor nos países para o nível de satisfação da indústria. "O ISOL Navigator serve de bússola no sector para os fornecedores de componentes e de materiais, assim como para os fornecedores de serviços e as novas empresas no mercado", acrescenta.

De forma global, o estudo apurou tendências opostas, com um crescimento na Ásia enquanto a Europa começa a ficar para trás. Estes contrastes reduzem o Índice ISOL global para os 44 pontos, menos três do que em 2010.

A Índia e a China lideram o ranking, como índice mais elevado (54 p.). Os fabricantes nestes dois países estão extremamente satisfeitos com a actual e futura situação de negócio, graças a elevadas taxas de crescimento e a um forte compromisso político dos governos nacionais.

Os países com o índice mais baixo encontram-se na Europa, com a Rep. Checa no fim da lista (35 p.). Entre as razões para isto está a paragem repentina no programa nacional de incentivos para o sector residencial. Com apenas mais um ponto, está a Espanha, onde a queda dramática do sector da construção tem desmotivado o mercado.

Estes exemplos a nível nacional influenciam as tendências a longo prazo para a região: comparativamente com os resultados do Índice ISOL em 2010, as pontuações do Brasil, Índia e China revelam claras tendências de crescimento; pelo contrário, na zona do Mediterrâneo, regista-se uma forte descida - de seis pontos - devido às situações económicas difíceis que os países (Grécia, Espanha e Portugal) estão a sentir. Outra das tendências que o estudo destacou foi o potencial existente no Leste da Europa. A Polónia registou o índice mais elevado (52 p.), substituindo a Rep. Checa, que tinha liderado a tabela no ano passado. Este potencial poderá ser explorado rapidamente se houver condições políticas e económicas favoráveis.

O mais importante mercado europeu, a Alemanha, apresentou uma estagnação do seu índice. Os agentes de mercado perderam a confiança, depois de dois anos difíceis. Por isso, as previsões são fracas, com as empresas a esperarem estagnação em vez de crescimento. A destacar ainda o caso britânico: a introdução do Renewable Heat Incentive, que vai funcionar numa espécie de tarifa feed-in, no Reino Unido, tem despertado o interesse da indústria europeia. No entanto, o adiamento constante e incertezas na implementação do programa têm desanimado as empresas, o que coloca o índice do país em baixo (43 p.).

 

ISOL Navigator

O ISOL Navigator é um estudo com 80 páginas que apresenta o desenvolvimento actual e futuro do mercado em 16 importantes mercados de aquecimento e arrefecimento solar mundiais: Alemanha, Áustria, Brasil, China, Espanha, Estados Unidos, Grécia, Índia, Itália, México, Polónia, Portugal, Reino Unido, Rep. Checa, Suíça e Turquia. O ISOL Navigator analisa as oportunidades e barreiras destes mercados. O estudo é realizado duas vezes por ano, junto de fabricantes de colectores solares, de depósitos e importadores de sistemas solares térmicos, com publicação dos resultados em Junho e Dezembro. Os questionários feitos às empresas são compostos por seis perguntas, três relativas à actual situação e três referentes ao futuro próximo. Através das respostas, é feita uma avaliação anónima das empresas que lhes atribui pontos de 0 a 100. A média das pontuações obtidas é utilizada para calcular os índices dos países e das regiões. O estudo tem como público-alvo fornecedores de componentes que querem globalizar o seu negócio e exigem uma análise em profundidade das oportunidades de crescimento em determinados países, assim como fornecedores de serviços e utilities que precisam de uma visão das tendências globais no sector. A edição de Junho de 2011 pode ser encomendada em www.solrico.com/en/navigator.html. As empresas que responderam aos questionários Índice ISOL -Primavera 2011 recebem o ISOL Navigator de forma gratuita.

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