POLIS: Planear cidades com solar
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O projecto europeu POLIS vem apostar no planeamento urbano como forma de promover a energia solar nas cidades. Durante três anos, cinco cidades europeias, incluindo Lisboa, vão desenvolver planos locais para a adopção de tecnologias solares, de forma a que, a longo prazo, estas passem a ter influência nas opções dos responsáveis pelo desenho dos meios urbanos.

 

POLIS - Identification and Mobilization of Solar Potentials via Local Strategies é o nome do projecto europeu, coordenado pela empresa alemã Ecofys Germany GmbH, com o apoio do Intelligent Energy Europe (IEE), que pretende fazer com que as cidades passem a utilizar da melhor forma o seu potencial solar através das estratégias de planeamento urbano. As cidades são, hoje, pólos fundamentais para alcançar metas que visam um mundo mais sustentável e a integração das energias renováveis no meio urbano assume-se como uma solução a seguir, daí que o potencial solar das cidades não possa ser descartado, tornando necessário encontrar as melhores formas para o seu aproveitamento. Uma das ferramentas que as cidades têm ao seu dispor é a estratégia de desenho urbano. É nesse sentido que actua o projecto POLIS, com a finalidade de contribuir para a implementação de estratégias e políticas locais capazes de impulsionar o potencial solar das estruturas urbanas.

Segundo a coordenadora do POLIS, Sigrid Lindner (Ecofys), foi "ao trabalhar em conjunto com as autoridades locais na área da concepção solar urbana e relacionada com a eficiência energética que surgiu a ideia de desenvolver um projecto, no qual estivessem contempladas todas as questões relevantes da integração dos aspectos solares com o processo de planeamento". O projecto, que teve início em Setembro de 2009 e decorre até finais de Agosto de 2012, tem, de acordo com o programa IEE, como metas, o aumento do uso de sistemas solares térmicos e fotovoltaicos em áreas urbanas, promovendo a integração de soluções solares no planeamento de, pelo menos, seis cidades. O POLIS pretende ainda impulsionar o conhecimento sobre actividades relacionadas com o desenvolvimento urbano solar por toda a Europa, assim como a implementação de processos de concepção avançada e elaboração de políticas que integrem aspectos solares em cidades europeias e o estabelecimento de uma abordagem mais abrangente no planeamento interdisciplinar com as autoridades locais.

 

Cidades POLIS

A estrutura física de um edifício, assim como a sua posição, orientação e área de superfície externa disponível são fulcrais para o seu potencial de aproveitamento solar. Por isso, passa pela mão dos responsáveis pelo desenho urbano ter esse tipo de factores em conta na altura de elaborar novos planos para que estes possam maximizar o aproveitamento dos recursos solares. Com o projecto, estes profissionais desenvolverão, nos seus métodos, formas de integrar a solução solar em estágios iniciais do seu trabalho. Desta forma, vão-se criando as bases para que sejam adoptadas medidas futuras para um desenvolvimento do solar nas cidades a longo prazo.

Neste momento, o projecto conta com a participação de cinco cidades europeias - Lisboa (com a parceria da Lisboa E-Nova), Malmö, Munique, Paris e Vitoria-Gasteiz -, que, segundo Sigrid Lindner, se mostraram "interessadas em trabalhar neste tópico específico". O objectivo é que, em cada um destes pólos urbanos, o potencial solar passe a fazer parte da agenda e das preocupações dos responsáveis pelo planeamento urbano e pela tomada de decisões. Para a responsável, é no processo administrativo da tomada de decisões que pode ser encontrado o maior obstáculo, no entanto, a relevância do projecto a longo prazo pode servir para atenuar esse factor. Autoridades locais de diferentes etapas do desenvolvimento urbano vão ser convidadas a colaborarem entre si, com vista a trocar experiências e partilhar conhecimentos relativos ao "planeamento urbano solar". As cidades desenvolvem uma "Acção Piloto" a nível local, colaborando em parcerias com outros actores.

Apesar de não haver ainda uma avaliação disponível do trabalho realizado (mas que está prevista para breve), vai ser possível, através do que está a ser feito, identificar e avaliar práticas actuais na estrutura urbana solar e reunir os elementos-chave deste processo de forma a caminhar para um desenho mais coeso e para desenvolvimentos a nível da legislação. Estes resultados servirão não só para que as cidades participantes passem a aproveitar de melhor forma o seu potencial solar, mas também para que outras cidades possam seguir o exemplo e aprender com as experiências. "Este projecto vai ter como impacto uma verdadeira mudança no processo de planeamento urbano das cidades participantes e também em outras que estejam interessadas em aproveitar esta experiência para melhores práticas", explicou Sigrid Lindner.

Manual para o planeamento solar

Para além da coordenadora, Ecofys, e da agência de energia de Lisboa, os parceiros europeus do projecto POLIS são a Climate Alliance (Europeu), a Câmara Municipal de Munique (Alemanha), a Câmara Municipal de Victoria-Gasteiz (Espanha), a Universidade Politécnica de Madrid (Espanha), a Câmara Municipal de Paris (França), o APUR - Atelier Parisien d'Urbanisme (França), a Agência Local de Energia de Lyon (França), a HESPUL (França), a Agência de Energia Skåne (Suécia) e a Universidade de Lund (Suécia). Estes parceiros organizaram um manual das melhores práticas na área do planeamento solar desenvolvidas nos seus países, "The Solar Urban Planning Manual of European Best Practice Solutions", que estará disponível em breve. Este guia apresenta experiências em quatro capítulos/categorias diferentes:

  • Identificação do Potencial Solar, com a apresentação de casos específicos, como o Estudo de Potencial Solar de Lanzarote (Espanha);
  • Mobilização do Potencial Solar, que consiste em projectos na área dos incentivos e subsídios para a adopção de soluções solares;
  • Planeamento Urbano Solar, com destaque para os instrumentos de concepção especialmente desenvolvidos tendo em consideração a integração de tecnologias solares em ambientes urbanos;
  • Políticas e Legislação, através de uma análise de instrumentos políticos, tais como obrigações e regulamentos dedicados à adopção de tecnologias solares.

O manual vai apresentar linhas objectivas com vista à integração de práticas sustentáveis em ambiente urbano, nomeadamente no que se refere à localização de edifícios e respectiva orientação, de acordo com as necessidades de estratégias de arrefecimento e aquecimento passivos e com a promoção do conforto térmico através da optimização de ganhos solares.

Agenda POLIS

No âmbito do POLIS, os parceiros do projecto promovem vários eventos relacionados com esta temática. Os primeiros dois workshops foram organizado pela Climate Alliance e o primeiro teve lugar em Novembro de 2009, em Hamburgo, Alemanha. O objectivo do encontro foi eleger um grupo de competência a nível nacional, capaz de debater o potencial solar em cidades e nos municípios e de compilar vários projectos locais e divulgá-los junto de responsáveis. Também Malmö, na Suécia, recebeu um encontro POLIS, subordinado ao tema "Solar Energy in Planning Work". O workshop aconteceu a 3 de Março e contou com a presença de 25 participantes.

Para os próximos meses, a temática do projecto vai estar presente nos seguintes eventos:

  • 4ª Conferência EUROSOLAR - "Fornecer energia aos municípios via fontes renováveis", 26 e 27 Maio, Munique, Alemanha;
  • Sireme - Salão Internacional das Energias Renováveis e Gestão de Energia, 1-3 Junho, Paris, França;
  • Salão de Energias Renováveis, 16-18 Junho, Paris, França;
  • Conferência da Sociedade de Energia Solar - "Energia na cidade - Assegurar o futuro", 23-24 Junho, Londres, Reino Unido.
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