Os desafios energéticos do Alto Alentejo
Diamantino Conceição, Director técnico AREANATejo

Os custos energéticos dos edifícios públicos do Alto Alentejo representam cerca de 40% dos custos globais energéticos das autarquias pertencentes à área de atuação da AREANATejo, apresentando-se assim como o setor mais oneroso, seguido da frota municipal e da iluminação pública.

 

 

Para além do envelhecimento natural dos materiais e da inexistência de manutenção, existem uma série de constrangimentos que afetam significativamente o desempenho energético dos edifícios, que são as características do edificado, os sistemas energéticos instalados e, não menos importante, o comportamento dos utilizadores. No que às características do edificado diz respeito refere-se a intervenção na envolvente, com destaque para o isolamento térmico dos elementos opacos, o fraco desempenho térmico das áreas envidraçadas e a existência de pontes térmicas.


Embora estes e outros constrangimentos se revelem transversais a qualquer setor, o setor público tem apresentado um enorme potencial de redução dos consumos energéticos, podendo chegar a atingir percentagens de redução do consumo com a implementação de medidas de eficiência energética na ordem dos 30%. Este facto encontra-se associado à existência de um parque edificado relativamente envelhecido, a par da cada vez maior exigência dos requisitos aplicáveis aos edifícios públicos, bem como o avanço das tecnologias na área da energia nos últimos anos.  


Atualmente, os custos energéticos dos edifícios públicos do Alto Alentejo representam cerca de 40% dos custos globais energéticos das autarquias pertencentes à área de atuação da AREANATejo, apresentando-se assim como o setor mais oneroso, seguido da frota municipal e da iluminação pública. Por seu turno, as tipologias de utilização tipicamente mais consumidoras nos edifícios públicos são as seguintes: sistemas de aquecimento, ventilação e ar condicionado (AVAC) – 40%; outros equipamentos consumidores, i.e., os componentes e equipamentos com consumo energético que não recaem nas restantes categorias identificadas – 20%; os sistemas de produção de águas quentes sanitárias (AQS) – 20%; e, por último, os sistemas de iluminação, com uma percentagem de 10%. Por esta razão, tem sido fundamental priorizar o edificado municipal numa ótica de eficiência energética e incremento de energias renováveis. Assim, o imenso potencial dos edifícios públicos na redução do consumo energético tem vindo a ser trabalhado pela AREANATejo através da criação dos mais diversos instrumentos que promovam os processos quer de renovação e/ou reabilitação dos edifícios quer da melhoria do desempenho energético dos componentes e equipamentos existentes nos mesmos, com especial enfoque na execução de auditorias energéticas. Neste contexto, foram já auditados mais de 50 edifícios públicos na região, com destaque para os edifícios administrativos, desportivos e polivalentes.


A caracterização do setor energético deste parque edificado e a apresentação das melhores soluções técnicas numa ótica de otimização da relação custo/benefício sob a forma de auditoria energética aponta-se como o primeiro passo para a implementação da estratégia de eficiência energética dos edifícios públicos do Alto Alentejo, possibilitando o aumento da eficiência energética e, simultaneamente, a redução da fatura energética no setor alvo.


Assim, nos últimos anos, a AREANATejo reuniu esforços na procura de soluções e técnicas, tendo munido os seus municípios associados das mais diversas possibilidades para tornarem o seu parque edificado mais eficiente do ponto de vista energético. A título de exemplo, mencionam-se algumas medidas de melhoria implementadas em distintas infraestruturas públicas na região:  a instalação de sistemas de compensação do fator de potência (bateria de condensadores), a substituição dos sistemas de iluminação existentes por outros mais eficientes (light-emitting diode – LED), a substituição das caixilharias sem corte térmico e vidros simples por caixilharias com corte térmico e vidros duplos, a substituição de caldeiras a gás propano por caldeiras a biomassa, a substituição de sistemas de bombagem por outros mais eficientes, a colocação de mantas térmicas nos tanques das piscinas municipais, a instalação de sistemas solares térmicos, a instalação de sistemas solares fotovoltaicos, entre outras. De notar que as medidas identificadas foram implementadas ao abrigo de programas de financiamento, possibilitando aos municípios a instalação dos equipamentos e tecnologias com atrativas taxas de financiamento.


Na sequência deste trabalho, a AREANATejo tem vindo igualmente a promover na sua área de atuação o Sistema de Certificação Energética dos Edifícios (SCE).


Refere-se ainda que, para além da aposta no setor público, a Agência tem vindo a “dar cartas” no setor privado, com especial incidência na indústria e no setor serviços e comércio.

Posto isto, o desenvolvimento de projetos e métodos que contribuam para a utilização racional de energia, a valorização e o melhor aproveitamento dos recursos energéticos endógenos e a preservação do ambiente, tendo em vista a promoção de um desenvolvimento local sustentável e de uma transição gradual para uma economia de baixo carbono, continua a ser a “força” motivadora para a AREANATejo colocar o Alto Alentejo na linha da frente no que toca aos desafios energéticos a cumprir no panorama nacional.

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