Do lado das empresas...
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O ano de 2013 foi muito semelhante ao anterior onde a retracção e a procura de soluções mais económicas obrigou a que as empresas redefinissem as suas estratégias.

 

 

Tentámos caracterizar este mercado onde a existência de novas tecnologias mais eficientes esbarra com a dificuldade económica das famílias portuguesas. De acordo com a AFIQ (Associação de Fabricantes e Importadores de Equipamentos de Queima) o mercado da substituição de caldeiras, sobretudo pelas caldeiras de biomassa são as mais procuradas. As bombas de calor têm sido outra solução que se destaca nos últimos meses de 2013. Num inquérito que fizemos a algumas empresas, a situação económica do país tem sido a maior dificuldade para o desenvolvimento deste mercado. Uma realidade pautada pela falta de investimento e baixos índices de confiança por parte dos consumidores. Para a Daikin e do lado das bombas de calor, “estamos inseridos num mercado bastante sensível ao factor preço, o que não é fácil para uma marca como a Daikin, cujo posicionamento não é dirigido para um preço baixo, mas sim para a eficiência energética, qualidade e fiabilidade. Sentimos que a adversidade das circunstâncias económicas que atravessamos leva por vezes a uma pressão do cliente final, que acaba por se reflectir no instalador, no projectista e no arquitecto, na exigência de uma solução de baixo custo de aquisição, sem ter a real percepção que poderá estar a comprar um problema a médio e longo prazo. Mais tarde deparar-se-á com uma solução em que a fiabilidade não é a desejada, ou porque o equipamento não é energeticamente eficiente, ou porque o serviço de pós-venda não esteve à altura, ou por outro motivo inerente”. Para a OLI, “o mercado actual passa por um momento de retracção económica, em que as obras novas são praticamente inexistentes e onde os aumentos de impostos, nomeadamente no sector das energias renováveis (ex. aumento do IVA), são uma ameaça. Contudo, continuam a existir algumas oportunidades de mercado”. Para esta empresa, “tem-se verificado uma significativa procura por soluções de aquecimento mais eficientes e mais económicas, como é o caso de soluções de aquecimento ligadas à biomassa, o que de algum modo tem ajudado a dinamizar o mercado” para as bombas de calor na vertente do aquecimento.

Do lado das dificuldades, as empresas estão de acordo. Para além do empobrecimento das famílias, a incerteza do mercado, a diminuição do investimento, a dificuldade de acesso à banca não ajudam. Aqui, é grande a expectativa sobre a nova regulamentação térmica. Jorge Aires Pereira da Callefi identifica a “penúria financeira do nosso país” como a principal dificuldade do momento, o que leva “naturalmente à ausência de políticas financeiras de apoio ao sector da construção civil em geral”. A Callefi espera que em 2014, “com a publicação recente da legislação “sejam criados sistemas de incentivo, nomeadamente financeiros, à utilização de componentes nas áreas das renováveis, da eficiência energética e da contabilização dos consumos e energia”, e espera que a legislação “vá permitir uma maior vulgarização no mercado português da utilização das mais recentes tecnologias”, no domínio dos componentes.

Victor Júlio da Baxi destaca que é previsível que a nova regulamentação térmica venha “ajudar a esclarecer e melhoras alguns pontos, sendo já certo que poderia ser muito mais clara e defensora das tecnologias mais maduras e locais (leia-se solar térmico e condensação) no sentido de permitir que o consumidor pudesse colher o benefício de eficiência que estas duas tecnologias apresentam, sendo que qualquer uma delas têm custos de investimento vs retorno muito vantajosos”. Já para a Daikin a nova regulamentação térmica pode ajudar o mercado do aquecimento, “caso se opte e se dê um maior enfoque ao componente da eficiência previsto no regulamento”.

Para além da legislação, existem outros elementos podem ser facilitadores do mercado. Para Victor Júlio da Baxi, “a legislação é um dos pilares, mas a sua aplicação prática é resultado da formação e das possibilidades/capacidades dos agentes do mercado. No mercado doméstico, as condições actuais não são propícias ao investimento e sem a devida promoção ao nível de media, sobre os benefícios das tecnologias mais eficientes, aliada a condições de financiamento reais e a taxas mais reduzidas consoante a eficiência dos sistemas, teremos uma evolução/recuperação de mercado demasiado lenta para a maioria das empresas”. A Callefi destaca a importância da “criação de um programa realista e faseado de implementação da nova legislação, com criação paralela de Sistemas Eficazes de Controlo para a sua aplicação”. Segundo o departamento de Marketing e Comunicação da Daikin Portugal, “seria importante encontrar medidas na área dos incentivos fiscais e escalão do IVA, que tornassem novamente estas soluções mais apelativas e desta forma haveria um efeito acelerador, pois seguramente os clientes finais e promotores iriam ponderar investir nestas soluções. Seguramente seriam criados também mais postos de trabalho no tecido empresarial das empresas que intervêm no mercado do AVAC, vejamos o resultado e impacto que teve a Medida Solar Térmico em 2009”. Do lado da OLI, “o desafio será o de tentar encontrar áreas de negócio com um potencial de crescimento mais elevado e adequar as respostas a essas necessidades. O consumidor é, cada vez mais, exigente e atento, pelo que os tempos de resposta e a divulgação de informação são outros dos factores críticos de sucesso”. Para esta empresa, o próximo ano será ainda um ano economicamente instável em que as empresas terão de continuar a se adaptar e tentar encontrar novas soluções que vão ao encontro das expectativas dos consumidores”.

 

Expectativas para futuro [caixa]

Daikin: “Consolidação da liderança de mercado no sector das bombas de calor ár-água, com os nossos equipamentos Daikin Altherma, e passo a passo conquistar uma posição mais confortável na vertente das nossas soluções no solar térmico, onde oferecemos soluções únicas”.

Baxi: “A evolução dos sistemas híbridos (Hybrid) que conjugam a melhor solução de eficiência em cada momento, hoje já disponíveis pela BAXI para moradias e em breve para apartamentos, permitem que o sistema tenha o melhor rendimento sazonal com o menor custo de exploração anual, traduzindo-se num payback imediato da solução. É a resposta de que os consumidores portugueses necessitam”.

Caleffi: “As questões da sustentabilidade estarão cada vez mais presentes nos próximos anos e a envolvente e o inevitável comprometimento, europeus, fazem-nos ter expectativas mais positivas para o futuro”.

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