AVAC e instalação
José Afonso, presidente da EFRIARC

A redução verificada no mercado do AVAC criou sérias dificuldades às empresas de instalação (e não só). Os Instaladores que primam pela garantia da qualidade e bom serviço prestado ao Cliente, salvo raras exceções, mantêm-se suportados pelos escassos Clientes bem informados, ou faliram pela falta testes ou devido a dívidas.


São estes que garantem soluções eficientes previstas em projeto ou, há falta destas, recomendam-nas. Geram edifícios com melhores condições de ambiente interior, aliadas a menor custo durante a utilização dos mesmos.


A crise acentuou a procura da solução mais barata para o investimento inicial, independentemente do elevado custo que poderá ter durante o funcionamento do edifício.


No mercado também há Instaladores que apostam em ganhar obras a qualquer custo, que se encaixam na perfeição com a procura do mais barato. Vendem a ideia de que, para qualquer preço da concorrência, eles farão sempre um mais baixo, sem limite inferior. Nestes casos, quando existir Fiscalização em obra e se cumprir com o seu papel, o Instalador terá um buraco financeiro. Se tiver liberdade, proliferam soluções alternativas e a obra “começa bem”. Se não soar nenhum alarme até ao final da obra, fecham-se os tetos falsos e a obra “acaba bem”, sendo que os problemas serão herdados por outros.


Quem trabalha pelo preço a qualquer custo faliu ou irá falir quando esgotar a possibilidade de ter clientes novos, porque será difícil manter os antigos. Ficam os edifícios com materiais, equipamentos e soluções técnicas desadequados e com sérios problemas de acessibilidade para manutenção, com implicações na durabilidade dos sistemas e na qualidade do ar interior. Multiplicam-se as reparações, mas “o que nasce torto tarde ou nunca se endireita”. Acabamos por ser sempre todos nós a pagar a fatura, porque esses custos terão de ser integrados nos serviços prestados pelas empresas que desenvolverão a sua atividade nesses edifícios ou pelo Estado, com prejuízo para a competitividade do país.


A diminuição de escala, nas empresas, aumenta os custos unitários, criando dificuldades adicionais para a competitividade. A diversificação dos serviços prestados pode ser uma solução para a crise, mas quanto menor a escala das empresas, menor será também essa possibilidade. Não está nas nossas mãos reverter a diminuição do mercado nacional ou internacional de AVAC, mas está nas nossas mãos a criação de sinergias para sermos mais fortes e mais competitivos cá dentro e lá fora, diminuindo, entre outros, custos paralelos e criando estruturas que sirvam positivamente o país e possam estar cá no futuro.


Há muito trabalho a fazer na sensibilização dos Decisores e Clientes finais, para que o mercado valorize o mais barato em termos de ciclo de vida e não apenas no investimento inicial mais barato. Se hoje estivermos a optar pelo mais barato em termos de ciclo de vida, amanhã seremos mais ricos, porque teremos à nossa disposição os rendimentos libertados pela ausência desses custos.


A estratégia que tem prevalecido, do individualismo e do menor preço inicial não é a melhor para nós enquanto sociedade, logo, não pode ser a melhor para cada um de nós separadamente.



Convidámos José Afonso, presidente da EFRIARC - Associação dos Engenheiros de Frio Industrial e Ar Condicionado, a comentar o artigo Instalação - Mercado em Transformação

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