Califórnia continua a liderar EUA na política energética
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A Califórnia é um exemplo único nos EUA. O governador Schwarzenegger tem conduzido o Estado por caminhos muito semelhantes àquilo que se passa na Europa, no que toca a políticas ambientais e energéticas. O Greenbuilding e o solar térmico são as suas mais recentes apostas.

A estratégia energética e climática da Califórnia é um caso único nos Estados Unidos da América (EUA) e que se assemelha em muito àquelas que estão a ser postas em prática na Europa. Recentemente, o governador Arnold Schwarzenegger aprovou algumas medidas que vêm cimentar ainda mais essa posição líder no panorama norte-americano: o Estado vai ser o primeiro do país a ter uma regulamentação obrigatória para a "construção verde" - o "Green Building Standard Code", também chamado "CalGreen", a entrar em vigor em Janeiro de 2011 - e vai, já este ano, promover incentivos à instalação de sistemas solar térmicos para o aquecimento de águas. Medidas que, ao se juntarem à existência de um Plano Estratégico para a Eficiência Energética, vão ajudar a Califórnia a cumprir as metas a que se tem proposto: menos 25% de emissões de CO2, alcançar "zero net energy" no sector residencial e ter 33% da sua energia proveniente de fontes de energia renováveis. Tudo até 2020.

O "CalGreen", cuja aplicação vai ser coordenada pela California Building Standards Comission, representa uma aposta na concepção sustentável, estabelecendo requisitos específicos para edifícios novos, e que vai permitir reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. Entre as várias medidas impostas pelo regulamento está a instalação de materiais com níveis poluentes baixos (tintas, pavimentos, carpetes), a inspecção de sistemas de aquecimento, ar condicionado e outros equipamentos mecânicos em edifícios não residenciais com mais de 1000 m2, a redução do consumo de água em pelo menos 20 % e a possibilidade de os proprietários certificarem o seu edifício em conformidade com o CalGreen. A lei passa também a proibir que metade dos desperdícios resultantes da construção seja despejada em lixeiras, obrigando a que esta seja reencaminhada para centros de reciclagem.

A preocupação com a eficiência energética dos edifícios não é nova na Califórnia e estava já presente através do "LEED" - Leadership in Energy and Environmental Design -, um sistema de certificação energética voluntária. Em 2007, a California Public Utilities Comission (CPUC)  desenvolveu o Plano Estratégico para a Eficiência Energética a Longo Prazo, estabelecendo qual deveria ser o caminho a seguir pela Califórnia até 2020 (e posteriormente), no que respeita às questões de eficiência energética, e onde estava já incluído o estabelecimento do Green Building Standards como regulamentação obrigatória em todo o Estado. As metas, chamadas de "Big Bold Energy Efficiency Stategies", compreendiam que todos os novos edifícios residenciais e comerciais na Califórnia fossem 'zero net energy" em 2020 e em 2030, respectivamente; que todos os sistemas de aquecimento, ar condicionado e ventilação fossem adequados de forma a assegurar a optimização da sua performance para o clima vigente do Estado; e que todos os consumidores com baixos rendimentos tivessem a oportunidade de participar num programa de eficiência energética de baixo custo em 2020.

Incentivos para o solar térmico

Durante o mês de Janeiro, a Califórnia decidiu também incentivar a instalação de equipamentos solar térmico para o aquecimento de águas domésticas. O programa chama-se "Californian Solar Initiative (CSI) Thermal Program" e pretende instalar sistemas de aquecimento de águas solar em edifícios novos e em outros já existentes, assim como em edifícios empresariais, em zonas cobertas pelos vários fornecedores de gás natural e de electricidade. Esta iniciativa prolonga-se até ao final do ano de 2017, ou até se esgotar o fundo previsto de 350 milhões de dólares. Deste valor, 40% está destinado a sistemas de famílias singulares, enquanto o restante está reservado quer para comercial, quer para sistemas multi-familiares.

Os incentivos ao consumidor podem ir até aos 1500 dólares, consoante o sistema a instalar e, como objectivos, o programa propõe-se a aumentar significativamente o mercado do solar térmico na Califórnia, em detrimento dos sistemas a gás natural - o equivalente a 200 mil casas - e eléctricos - prevendo-se a poupança de 275,7 GWh anual em 2017.

"A propagação de sistemas de solar térmico pode representar um papel importante à medida que tentamos atingir o nosso objectivo de 'zero net energy' no sector residencial e em edifícios comerciais em 2020 e em 2030 respectivamente, tal como está previsto no Plano Estratégico para a Eficiência Energética da Califórnia", afirmou Dian M. Grueneich , comissária da Califórnia Public Utilities Comission.

Estado norte-americano com orientações europeias

Uma das razões apresentadas na Estratégia de Adaptação ao Clima da Califórnia 2009 é a preocupação de o Estado poder estar já a sofrer com as consequências do aquecimento global, quer seja pela subida do nível do mar, quer pela erosão da costa ou ainda pela subida drástica das temperaturas no Verão que, juntamente com os períodos de seca, resultam nos fogos devastadores a que temos assistido.

Perante este cenário, a Califórnia tinha lançou já em 2006 o "Global Warming Solutions Act", onde estabelecia metas ambiciosas, no contexto norte-americano, de redução de emissões de CO2 para 2020 (25%) e para 2050 (80 %).  Um ano depois, o governador aprovou o "Low Carbon Fuel Standard", no qual uma das medidas com mais impacto obrigava as fornecedoras de combustível do estado a diminuírem em 10 % as emissões de gases nocivos resultantes do transporte de combustível. A semelhança com as metas europeias encontra-se também no que toca às energias renováveis, comprometendo-se o Estado californiano a aumentar para 33 % a contribuição das fontes de energia renováveis até 2020 (em 2007, essa percentagem era de 11,7%).

O Estado, localizado na costa Oeste norte-americana, junto do Pacífico, é o terceiro maior do país, com mais de 411 km2 de área, e o clima varia muito consoante a região, sendo a única constante o Verão seco (à excepção das zonas montanhosas). A área costeira central beneficia de um clima ameno durante todo o ano, com nevoeiros intensos por toda a costa no Verão, altura em que, no Sul e interior, as temperaturas sobem a níveis elevados.

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